Resultado definitivo do Censo 2010, divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que Manaus ficou na 24ª posição de rendimento domiciliar per capita entre as capitais brasileiras com rendimento médio de R$ 641, à frente apenas de Teresina (capital do Piauí) e de Macapá (capital do Amapá).
Segundo o disseminador de informações do IBGE/AM, Djalma Nogueira, a má posição do município no ranking se deve a um fator agravante na realidade econômica dos amazonenses: a alta concentração de renda nas mãos de poucos. Mesmo detentor do maior polo industrial no Norte do país, Manaus decepciona quando o assunto é distribuição de renda. “Temos um polo que gera 125 mil empregos, o que no mínimo poderia gerar 100 mil famílias com bom padrão financeiro mas, a realidade não é essa”, observa. “O polo emprega muito, mas paga mal” , afirma Djalma. Ainda segundo ele, apesar da riqueza tão festejada, Manaus encontra a dura realidade nos números. “Quando avaliamos os dados, percebemos a distância entre o rendimento e a concentração dessa renda. Quando você divide o bolo, você vê a disparidade”, destaca.
Questionado sobre que consequências isso pode trazer para a economia local, Nogueira foi taxativo. “Como consequência teremos o aumento da pobreza e uma sobrecarga no Estado já que cada vez mais gente passará a depender dos programas sociais do governo”, lamenta.
Mercado dita a regra
Para Djalma Nogueira, mesmo que quisesse, o Estado pouco pode fazer para mudar essa realidade. “Só o mercado pode alterar essa conjuntura. Somos dependentes de um único modelo e a lei do capital é dura: ‘é pegar ou largar’”, sentencia. “É uma questão de mercado, da lei da oferta e da procura e no liberalismo econômico a canetada não funciona”, analisa. Nogueira avalia que somente a diversificação da atividade econômica pode conter a disparidade. “Temos que buscar outras atividades que possam empregar e com isso tornar a mão de obra valorizada no distrito industrial, até porque na questão salarial é ruim com ele, mas é pior sem ele”, conclui. Já o sociólogo Djard Vieira, discorda da opinião do técnico. “Acredito que o Estado pode fazer mais pelos trabalhadores. Ele dá os incentivos e, portanto, é o mediador natural quando o assunto é salário”, destaca. “É função do Estado, no contexto desse modelo, ser o braço social a pressionar por uma melhor distribuição de renda. Se o Estado se calar, aí sim teremos problemas como esse registrado na pesquisa”, analisa Djard. Ele também aponta as entidades de classe como parceiras na busca pela qualidade salarial da massa trabalhadora. “Os sindicatos podem fazer parceria com o próprio governo na busca por entendimento e uma maior interferência na questão salarial ”, finalizou o sociólogo.
Florianópolis é a capital com maior rendimento
Enquanto Florianópolis (SC) é a capital com maior rendimento domiciliar per capita do país, R$ 1.573, Macapá (AP) é a que apresenta a pior situação, onde esse valor corresponde a pouco menos da metade do da capital catarinense: R$ 631. Em segundo lugar no ranking das capitais com maiores rendimentos domiciliares per capita aparece Vitória (ES), com R$ 1.499.
Em Manaus, os dados da pesquisa apontam os seguintes números entre a população que foi dividida por cor e raça. Os indivíduos de cor branca ainda estão no topo da tabela com uma renda mensal média de R$ 1874. Os indivíduos de cor preta possuem uma média de R$ 1083. Os considerados pardos alcançam R$ 1108. Já os amarelos têm a segunda melhor com média R$1637 e por último os indígenas com R$1147.







