Ameaça de greve abala indústria local

Em: 16 de novembro de 2011
Os segmentos eletroeletrônico e bens de informática do PIM deverão ser os mais prejudicados caso os aeroviários do Estado resolvam aderir à greve nacional da categoria
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Os segmentos eletroeletrônico e bens de informática do PIM deverão ser os mais prejudicados caso os aeroviários do Estado resolvam aderir à greve nacional da categoria

Os segmentos eletroeletrônico e bens de informática do PIM deverão ser os mais prejudicados caso os aeroviários do Estado resolvam aderir à greve nacional da categoria.
O alerta de greve foi divulgado na segunda-feira, em nota, pelo Sindamazon (Sindicato dos Aeroviários do Amazonas), que promete paralisar os serviços das companhias aéreas caso não chegue a um acordo de reajuste salarial com o Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).
“O setor eletroeletrônico é o que mais transporta insumos, processadores, componentes, pequenos produtos e por isso, caso ocorra a paralisação, ele certamente será afetado”, afirmou o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
De acordo com o economista José Alberto Machado, os efeitos serão inevitáveis, sobretudo porque a paralisação atingiria tanto os aeroviários (funcionários das companhias que trabalham no aeroporto em serviços como atendimento de balcão e armazenagem de carga) quanto os funcionários embarcados nas aeronaves (aeronautas).
Segundo explicou, fabricantes de produtos maiores como motocicletas, por exemplo, não correm risco de terem suas atividades prejudicadas, uma vez que, nesse caso o transporte pode ser realizado por via fluvial ou terrestre a partir de Belém.
Ele informou ainda que a maior parte das mercadorias para o Natal deverão ser embarcadas até o início de dezembro. “Então, se o sindicato conseguir segurar o início da greve até o final do mês, a indústria não será tão prejudicada. Nesse caso o prejuízo passa a ser do turismo uma vez que nessa época já se inicia o período de férias”, avaliou.
O consultor empresaral Teruaki Yamagishi, confirma que a preocupação maior é com o indício de greve nessa época do ano. “Nossa preocupação aumenta com a chegada do fim do ano, época em que se compra e se vende intensamente na indústria”.
Conforme afirmou, mesmo os fabricantes utilizando o serviço de empresas especializadas, não ligadas à greve, para realizar o transporte de cargas, sempre surge a necessidade de se utilizar as grandes companhias aéreas, o que, segundo Yamagishi, interfere diretamente em prazos e consequentemente no faturamento industrial.
“E mais uma vez chegamos ao problema de infraestrutura do Estado. É claro que uma paralisação como essa é negativa para todos os Estados que atinge, mas aqui, com a falta de uma infraestrutura adequada, o prejuízo é muito maior”, criticou.

Negociação

O Sindamazon apresentou em setembro, proposta de reajuste salarial de 10,24% para a categoria dos aeroviários, sendo 7,24% referente ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e 3% de ganhos reais.
A contraproposta do Snea foi oferecer reajuste de 3% sobre os salários e de 5% sobre o piso para aeronautas e aeroviários.
De acordo com nota divulgada à imprensa pelo presidente do sindicato, Jorge Negreiros, as negociações até o momento têm favorecido apenas a classe patronal.
“Essa proposta foi a pior apresentada desde 2003 e não cobre nem a inflação do período, portanto, não tem embasamento econômico, mesmo porque as empresas aéreas reajustaram os preços das passagens em mais de 40% e estão fazendo investimentos com a compra de novos aviões”, atacou.
Segundo informações da assessoria do Snea, o reajuste oferecido está em concordância com a possibilidade das empresas que teriam amargado grandes prejuízos nos últimos meses e por esse motivo não estariam em condições de atender o pedido da classe.
A assessoria informou que as negociações estão seguindo um ritmo cordial e que mais duas reuniões estão previstas, estando a próxima marcada para o dia 23 de novembro.
Caso não haja acordo durante os encontros, Jorge Negreiros afirmou, ainda em nota, que o Amazonas deve aderir à greve nacional nas próximas semanas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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