Manaus tem o 5º maior PIB do Brasil

Em: 18 de dezembro de 2023

Manaus ficou entre os 11 municípios que, somados, responderam por quase 25% da economia do país, em 2021. O PIB da capital amazonense totalizou R$ 103,2 bilhões no segundo ano da pandemia, respondendo por 78,5% do Produto Interno Bruto do Amazonas (R$ 131,5 bilhões). É o que revela a pesquisa de Produto Interno Bruto dos Municípios, do IBGE. Os dados locais foram levantados em parceria com a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e a Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação).

Em 19 anos, Manaus subiu do sétimo para o quinto lugar no ranking nacional. Mas, embora sua economia tenha crescido durante a maior parte desse período, sua fatia no PIB brasileiro encolheu de 1,2% (2002) para 1,1% (2021). No Norte, onde a regra é a concentração dos PIBs nas capitais, somente a capital amazonense e Parauapebas (PA) estão entre as 25 maiores economias brasileiras. A cidade é a quinta mais industrializada em todo o país e figura entre os oito municípios com PIB per capita superior à nacional.

De acordo com o IBGE, os municípios que responderam por aproximadamente um quarto da economia brasileira foram São Paulo (9,2%), Rio de Janeiro (4%), Brasília (3,2%), Belo Horizonte (1,2%), Manaus (1,1%), Curitiba (1,1%), Osasco (1%), Maricá (1%), Porto Alegre (0,9%), Guarulhos (0,9%) e Fortaleza (0,8%). Essas cidades concentram também um percentual muito menor da população brasileira (16,6%). Ainda assim, houve uma relativa desconcentração do PIB em quase duas décadas, já que apenas quatro municípios respondiam pela mesma fatia de riquezas em 2002.

O padrão identificado no país é repetido nas chamadas grandes regiões. Mas, no Amazonas, a desconcentração se deu de forma mais acanhada. De 2002 a 2021, a participação de Manaus caiu apenas de 80,4% para 78,5%. O desnível entre a capital e os demais municípios ainda é o maior entre as unidades federativas. Nos demais Estados Nortistas, onde as capitais responderam por 36,3% do PIB, a retração foi mais severa, a exemplo de Belém (-17,5 pontos percentuais) e até mesmo do Macapá (-4,0 p.p.).

Motor na indústria

A pecuária bovina segue como atividade principal na Amazônia Legal, principalmente nas regiões rurais de Porto Velho (RO) e Marabá (PA). Entre as 15 regiões rurais com os maiores valores adicionados brutos da agropecuária, sete estavam no Centro-Oeste, cinco no Sul, duas no Sudeste e uma no Nordeste. Em 13 delas, o destaque veio da lavoura temporária de soja. O número de municípios brasileiros onde a Agricultura era a atividade principal subiu de 1 049 em 2020 para 1 272 em 2021, sendo que Mato Grosso (56%), Mato Grosso do Sul (53,2%) e Rio Grande do Sul (48,9%) concentrava a maior parte deles. 

O Amazonas, contudo, brilha mesmo no ranking dos municípios de maior valor adicionado bruto da indústria, que concentraram 25% do PIB. Mas o setor está basicamente em Manaus, que aparece na quinta posição, com 1,9% de participação. O Norte também foi destaque com Parauapebas (PA) – que teve 2% da extração de minério de ferro – e Canaã dos Carajás (PA). Pela primeira vez, desde 2002, a capital paulista cedeu a primeira posição, para Maricá (RJ), que teve 3,3%, com a extração de petróleo e gás. Sul e Sudeste têm a maior concentração de municípios (293) cuja atividade principal foi a industrial (81,8%).

A Amazônia Legal apresentou em sua fatia de serviços no PIB Nacional, entre 2020 (6,9%) e 2021 (7,1%). Entre os municípios brasileiros que respondiam por metade das riquezas produzidas pelo setor em todo o país, apenas Manaus e Belém respondiam pela região, confirmando a concentração dessas atividades nas metrópoles. O Amazonas, juntamente com Roraima e Amapá, está entre as unidades federativas do Norte onde administração, defesa, educação, saúde pública e seguridade social responderam por mais de 90% dos serviços locais.

“Os resultados expressam uma recuperação econômica das capitais e outras agregações com maior participação no PIB brasileiro que, por terem como atividade principal os serviços presenciais, foram fortemente afetadas pela pandemia. No entanto, apesar do aumento nominal desse grupo em 2021, a participação deles no PIB ainda está aquém do patamar de 2019”, pontuou o analista de Contas Regionais do IBGE, Luiz Antonio de Sá, em texto postado na Agência de Notícias IBGE.

Capital e interior

Dez municípios amazonenses responderam por 88,7% PIB estadual de 2021. A lista inclui Manaus, que concentrava 78,5% das riquezas produzidas no período; Coari (2,57%), Itacoatiara (1,79%), Manacapuru (1,17%); Parintins (1,08%), Tefé (0,84%), Presidente Figueiredo (0,78%), Iranduba (0,76%), Humaitá (0,65%) e Tabatinga (0,58%).  Além da capital, onde o destaque é a indústria de transformação, apenas outros sete municípios tiveram PIBs superiores a R$ 1 bilhão. “Outros serviços” é o motor da economia de Itacoatiara, enquanto a indústria extrativa é a principal fonte em Coari e Presidente Figueiredo. Produção florestal, pesca e aquicultura respondem pela maior parte das receitas de Codajás. 

Na outra ponta, 92% das prefeituras do Amazonas confirmaram dependência das contas de governo. Em comum, tais localidades tinham administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social como suas principais atividades. Conforme o IBGE-AM, esse é um indicio de que a pobreza e a falta de independência das contas de governo caminham lado a lado. “Os dados mostram o quanto a economia dos municípios é dependente da conta de governo. Por outro lado, os que fogem da regra, possuem economia mais destacada”, assinalou o texto de divulgação da pesquisa.

Manaus está entre os oito municípios com PIB per capta superior à média nacional. A cidade aparece com valor de R$ 45.782,75 por habitante, superando o país (R$ 42.247,52) em 8,37%. É a única da região Norte a figurar na lista, que inclui também Brasília (DF), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). Mas, o município amazonense com maior PIB per capta foi Japurá (R$ 48.893,98). O ranking nacional foi encabeçado por Catas Altas/MG (R$ 920.833,97), Canaã dos Carajás/PA (R$ 894.806,28) e São Gonçalo do Rio Abaixo/MG (R$ 684.168,71), que têm seu motor econômico na indústria extrativa.

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que Manaus lidera “com folga” o ranking dos PIBs da região Norte. “Coari, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Codajás tembém se destacam, mas a capital amazonense concentra altíssimo potencial econômico em relação aos outros municípios do Estado. Japurá só possui o maior PIB per capta do Estado porque sua população, em 2021, estava ‘sub enumerada’, por conta das estimativas de população naquele ano”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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