A economia, indústria e comércio compartilham de forma positiva, as mudanças advindas das manifestações populares que tomaram conta das praças e ruas de Manaus, nas últimas semanas. Na análise do consultor de empresas Alfredo M.R. Lopes, as manifestações populares foram uma tentativa de os movimentos socais colocarem em pauta alguns assuntos de grande importância para o país, dentre os quais, a alta taxa de desemprego, e na proximidade com a economia local, o Polo Industrial de Manaus está fortemente prejudicado com o abandono das vias públicas.
“Indicadores de desenvolvimento apontam para o mesmo resultado muito preocupante que trazem a pauta de discussão alguns pontos importantes. No setor industrial, por exemplo, o recapeamento das vias públicas do Distrito Industrial vai ser agilizado, e a mobilidade urbana também”, analisou.
Alfredo Lopes lembrou que na última visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), verificou in loco o estado de abandono que se encontra o Distrito Industrial e se comprometeu em levar a pauta para o Conselho das Cidades como reforço para liberar verba em prol da melhoria das vias públicas e da recuperação da estrutura urbana do bairro industrial. “Recuperar a paisagem urbana do Distrito Industrial que faz parte do roteiro turístico da cidade é prioridade, inclusive do ministro Fernando Pimentel, que viu de perto o estado de abandono que por lá se instalou. É claro que toda a cidade está carente de uma revitalização urbana, também. Mas a que se começar pelo Distrito Industrial que fomenta a economia da capital amazonense extensiva ao Estado”, conclui.
Comércio
Pela ótica do empresário e presidente do grupo TV Lar, José Azevedo a manifestação popular pacífica é positiva. As lojas fecham em decorrência dos funcionários que podem e devem participar das reivindicações sem prejuízo para o empresariado do comércio. “O povo está se manifestando em termos gerais que atinge o transporte, saúde, educação e principalmente contra a corrupção que se instalou na política nacional e que precisa ser combatida de forma definitiva. Nós empresários somos favoráveis a qualquer manifestação popular pacífica, que ocorra de forma ordeira e objetiva”, apoia o visionário empresário.
José Azevedo defende o setor comercial ao apoiar os movimentos populares que visam melhorias para o cidadão comum, que também é um consumidor potencial ao conquistar benefícios que aumentem a renda familiar, grande parte será destinada ao comércio de eletroeletrônicos, vestuário, calçado, móveis, alimentação e lazer. “Nós apoiamos as manifestações pacíficas porque nossos funcionários precisam ter a oportunidade de participar e lutar pelos interesses que acabam também beneficiando a classe empresarial”, garante José Azevedo, que é contra os pequenos grupos de vândalos que se infiltraram no movimento popular, para agir em causa própria usando de violência, desordem e destruição do patrimônio público, “isso nós somos contra”.
O impacto da redução das passagens do transporte público para R$ 2,75 que passa a vigorar a partir desta segunda-feira (1°), representa uma redução substancial no bolso do manauara, em especial para os estudantes que se beneficiam da meia passagem com um ganho extra, concedido pela Prefeitura de Manaus que decidiu fixar o valor em R$ 1,35 ao arredondar o preço de R$ 1,37 para baixo.
Indústria
De acordo com o diretor executivo do Cieam, Ronaldo Mota o trabalhador das empresas sediadas no Distrito Industrial não utiliza o serviço público. “O que seria um caos maior ainda, caso os mais de 111 mil trabalhadores do Distrito Industrial dependessem do transporte público”, disse. As empresas incentivadas pelo modelo ZFM revertem às excepcionalidades tributárias em benefícios para os trabalhadores, o que contempla com serviço de transporte gratuito da residência para fábrica e vice-versa. “O decreto-lei 288/1967 que criou a Zona Franca de Manaus, garante o serviço diferenciado e gratuito para os funcionários do Distrito Industrial no deslocamento da moradia para o trabalho, incluindo o retorno no final da jornada de trabalho”, lembrou.
Com as manifestações populares Ronaldo Mota observa uma questão que poderá beneficiar os empresários do Distrito Industrial caso o governo federal também reflita no transporte fretado os incentivos na forma de desoneração da carga tributária. “Esperamos que o governo diante dessa série de reivindicações populares, para melhor, o transporte público através de benefícios fiscais, também seja refletido no transporte fretado que serve o Distrito Industrial, no sentido de extrapolar os incentivos, se não integralmente ao menos parcial, já que em Manaus são algumas dezenas de empresas que dispõe desse serviço essencial”, observou.
Mota ainda alerta para o custo alto do transporte público e fretado não está exclusivamente no número de usuários (estudante, trabalhador, etc.), um fator determinante está no caos da mobilidade urbana em Manaus. “O trânsito caótico perceptível em todas as zonas da cidade, encarece o transporte. O Distrito Industrial também foi afetado, hoje deixou de ser uma questão exclusiva da indústria, já virou um bairro permeado por grandes condomínios residenciais, por escolas, casas de shows, etc., as distâncias se estreitaram, e agora o Distrito Industrial compartilha do caos urbano, que necessita com urgência de medidas saneadoras”, conclui.







