Mantega diz que crise é grave

Em: 5 de julho de 2012
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que a crise atual é tão grave quanto a de 2008, quando um dos maiores bancos dos EUA foi à falência e provocou o congelamento do crédito mundial
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que a crise atual é tão grave quanto a de 2008, quando um dos maiores bancos dos EUA foi à falência e provocou o congelamento do crédito mundial

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que a crise atual é tão grave quanto a de 2008, quando um dos maiores bancos dos EUA foi à falência e provocou o congelamento do crédito mundial. Mantega comparou ainda 2012 a 2009, ano em que a crise abalou as economias do mundo todo e o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil encolheu 0,3%.
“Eu diria que 2012 se assemelha a 2009, sem o mergulho que houve naquela ocasião. Porém, temos que ter a consciência de que nós estamos enfrentando uma crise bastante grave e que não vai ser solucionada no curto prazo”, disse Mantega.
Segundo o ministro, essa crise é tão grave quanto a de 2008. E, pior, os países desenvolvidos que estão no centro da crise têm menos instrumentos para agir.
“Essa crise parece menos intensa do que a de 2008 mas não é, só tem formato diferente. [O ano de] 2008 começou com grande estresse, com a parada súbita do comercio e do crédito. Por isso todo mundo ficou impactado, achando que era mais forte do que agora”, disse.
Mantega afirmou que a crise de agora começou mais lentamente, mas está se agravando e os mesmos “efeitos deletérios daquele momento”.
“Hoje já temos efeitos semelhantes à crise de 2008. Com a diferença de que, em 2008, tínhamos o epicentro nos EUA, o Fed [o banco central dos EUA] tinha mais rapidez para enfrentar a crise, que o Banco Central Europeu não tem. Então a crise vai se agravando e vai sendo empurrada com a barriga. Então hoje você tem uma gravidade tão grande quanto em 2008”, disse.

Divergência

O ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, divergiram publicamente ontem sobre os “spreads” bancários, que é a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e a taxa cobrada do consumidor. Nesta diferença, estão os custos do setor, os impostos e também o lucro dos bancos.
Em evento na Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Setúbal defendeu o setor de críticas recorrentes de que os lucros são elevados.
“O lucro do banco é grande porque os bancos são grandes. E, devo lembrar, os bancos são grandes em qualquer lugar do mundo. Canadá, Austrália, Turquia, França, Inglaterra, qualquer país no mundo com o mínimo de desenvolvimento econômico tem, entre as maiores empresas, os bancos”, disse.
Setúbal disse ainda que a crença de que os juros bancários são elevados por causa do lucro dos bancos não é verdadeira.
Sobre os “spreds” dos bancos, Mantega rebateu os argumentos de Setúbal.
“O ‘spread’ no Brasil é muito alto, doutor Roberto. Embora existam algumas razões, nós temos talvez o maior ‘spread’ do mundo. Não há razão para isso. Nós temos que ajustar isso. Vocês têm de ganhar mais no volume e menos na taxa, essa é a filosofia que eu procuro implementar nos bancos públicos. Dá para fazer mais”, afirmou Mantega.
Segundo Setúbal, os “spreads” contemplam custos dos bancos, impostos e inadimplência. E elegeu o calote como o fator primordial para essa diferença. Em suas palavras, se a inadimplência baixasse o “spread” poderia ter uma redução “significativa”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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