Ao refletir sobre o comportamento humano dentro duma organização e ao buscar uma forma de agrupá-los sistematicamente acabei me deparando com uma velha fórmula já conhecida pelo homem: o pecado e a virtude. Esse tema, objeto de estudo dos teólogos e mote para escritores universais como Dante Alighieri, Oscar Wilde entre outros me parece também que pode ser percebido no âmbito do mundo do trabalho. Desse modo notei que muito do que significa pecado e virtude, guardada as devidas proporções, está tão presente na manufatura quanto no mundo fora dela influenciando significativamente nos resultados, na visão, na missão, nas crenças e valores de uma organização. Isso porque qualquer instituição é composta, também, por homens e mulheres. A partir de hoje e nas colunas seguintes, irei abordar sobre a temática vícios e virtudes capitais e procurarei não dá o tom tão religioso ao qual o tema pressupõe, mas tentarei apenas demonstrar por analogia como essas atitudes influenciam no negócio, no trabalho em equipe, na efetividade das ações etc.
Na visão religiosa, pecados ou vícios capitais são o marco inicial (do latim caput, origem, fonte) dos erros humanos o que levam ao desvio da estrada divina. São personificados pela avareza, soberba, luxúria, ira, gula, preguiça e inveja. Essa lista não pressupõe que haja uma ordem de importância. A contrario sensu há outra força que representa o rol das virtudes as quais podem ser subagrupadas em virtudes teologais –fé, esperança e caridade– e as virtudes cardeais – prudência, a justiça, a força e a temperança. Enquanto as virtudes teologais são inteiramente voltadas a Deus, as cardeais são voltadas para nosso comportamento e atitudes.
A preguiça
Segundo o cânone da religião, esse vício também é chamado de acídia ou turpor espiritual e se caracteriza pelo tédio e aversão às coisas espirituais gerando apatia, desgosto e falta de compromisso com o transcendental e, em última análise, com Deus. Ao longo do tempo o significado de “acídia” migrou gradativamente do âmbito espiritual para um sentido mais corriqueiro de modo que imagens do ócio e preguiça são mais familiares e representam a idéia de fuga daquilo que possa causar cansaço ou mais claramente, subterfúgios do trabalho e das obrigações.
Desânimo, falta de compromisso com as metas da companhia, com o bem-estar de todos, a esterilidade criativa ou ausência de esforço pela busca do progresso e prosperidade individual e coletiva são algumas das constatações que representam indícios de preguiça, de inércia dentro do mundo do trabalho. O preguiçoso age na mediocridade e faz as coisas malfeitas, sem paciência, sem zelo, sem perseverança alguma. Esse fatalmente produzirá bens e serviços abaixo do especificado, fora dos procedimentos padrões. Esse vício pode ser verificado também na alta hierarquia da empresa quando a liderança se sedimenta num estado de “sono profundo”, ignorando os sinais francos de desmotivação da sua equipe, não instruindo e orientando sobre que caminho deve ser seguido, não dando feedback sobre os pontos positivos e de melhoria de cada um, enfim não tomando as providências fundamentais para criar equipes metacompetentes.
A preguiça dentro da manufatura ou de qualquer organização desalinha todos quanto à visão de futuro, quanto à razão de ser, do propósito de se estar trabalhando todos os dias. Como principais conseqüências da preguiça dentro da companhia podemos notar: queda de produtividade, retrabalho, desmotivação coletiva (um preguiçoso contagia outros), absenteísmo, desperdício de criatividade, falta de espírito de equipe, reatividade etc. Não há êxito sem firmeza de propósito, afinal, como diz aquele provérbio latino, “a preguiça é a chave da pobreza”.
Antídoto
Ao contrário dos vícios capitais, as virtudes são os elementos no espírito do homem que o tornam melhor, mais elevado e digno. Na minha interpretação sobre a antítese vício e virtude não percebo um relação direta de um pecado com uma virtude específica. Ac







