A Avareza
Sileno, o mestre e pai de criação de Baco, andara bebendo e perdeu-se pelo caminho. Fora encontrado por camponeses que o levaram ao rei Midas. Ao reconhecê-lo Midas tratou-o com hospitalidade por dez dias e dez noites. Após esse período levou Sileno de volta e entregou-o. Agradecido, Baco concedeu a Midas o direito de escolher a recompensa que desejasse. O pedido de Midas foi de que tudo que ele tocasse imediatamente se tornasse em ouro. O desejo foi acatado e de fato, tudo que Midas tocava se tornara ouro. Diante do banquete que pediu para preparar e comemorar notou que o alimento também se convertia em ouro. Aquilo que temporariamente lhe trouxe grande alegria lhe parecia maldição agora. A morte por inanição estava à espreita. Rogou a Baco que o livrasse daquela fulgurante destruição. Baco ordenou que mergulhasse na nascente do rio Pactolo para que se livrasse do castigo.
O Mito de Midas expressa bem o desejo desse rei por mais e mais ouro, essa postura expressa um dos sete vícios capitais, a avareza que encerra em si o amor de posse e desejo. O acúmulo está na pauta do pensamento avarento. Acumular sem desfrutar, sem empregar em algo bom. A avareza é o extremo de outro comportamento nocivo, ser pródigo. As posses devem ser usadas racionalmente para a promoção da condição e dignidade humana. Esse vício capital poderá reduzir o horizonte de vida da pessoa tornando-o anestesiado e incapaz de perceber e sentir outros valores intangíveis. Na visão de pensadores como Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274), o avarento é desenhado de forma esquálida, o coração duro não o permite contribuir com outros. São Gregório Magno ( – )dizia que a “avareza é mãe muito fecunda” que possui sete filhas: a dureza de coração; a excessiva inquietude em procurar o dinheiro e guardá-lo; a violência em procurar o dinheiro e defendê-lo; a mentira; o perjúrio; a fraude e a traição.
Importante é salientar que ser avaro é diferente de ser parcimonioso, pois este significa saber poupar com base em critérios e metas específicas para uso do dinheiro. O avaro vê no dinheiro um fim em si mesmo, o parcimonioso vê no dinheiro um meio para realizar seus sonhos, seus projetos. Dizem que dinheiro não traz felicidade. Isso só acontece para os avaros, mas para quem ver no dinheiro um meio de transformar para melhor o espaço ao seu redor e ver o bem que isso traz à sua família e aos demais, com certeza se sente em paz.
A avareza no mundo do trabalho
Lembro-me duma palestra interessantíssima de Içami Tiba na qual ele ensinou que em qualquer lugar do mundo e a qualquer tempo encontramos três tipos de pessoas: Aquelas acima de nós, aquelas no mesmo nível que nós e aquelas abaixo de nós. Esses três status, porém, não significam que um ser é superior ou inferior a outro, mas apenas que cada um possui habilidades maior, menor ou igual em determinada situação. Içami Tiba continuou seu ensinamento dizendo que para aqueles que estão no mesmo nível que nós, cabe unir-se, para os que estão acima, é pertinente pedir ajuda e para os que estão abaixo é razoável dar ajuda. A avareza, numa leitura muito particular, não se dá apenas quanto ao acúmulo da prata, mas também ao acumulo de talento, de conhecimento e de dons que ficam represados voluntariamente no indivíduo. Nega-se disseminar, partilhar um pouquinho do que se sabe, um pouco daquilo que poderá ajudar o outro a melhorar sua performance pessoal e profissional.
O uso de meios sórdidos e degradantes para se alcançar seu objetivo profissional denota avareza que se manifesta por meio de suas filhas a mentira, o perjúrio, a fraude e a traição. Os líderes avaros não confiam em ninguém, concentram as informações e não sabem lidar com a diversidade e transparência. Possui deficiência na habilidade de comunicar idéias e geram um péssimo clima organizacional entre o time. Em diversos níveis dentro da organização, a avareza pode se manifestar por meio do apego exacerbado a alguma coisa, ao cargo, à informação, ao pro







