MANUFATURA EM FOCO – Os sete pecados e as sete virtudes capitais dentro da manufatura (parte 5)

Em: 19 de maio de 2008
A ira Apesar de parecerem iguais, ira ou cólera e raiva ou ódio têm significados diferentes.
A ira Apesar de parecerem iguais, ira ou cólera e raiva ou ódio têm significados diferentes.

A ira

Apesar de parecerem iguais, ira ou cólera e raiva ou ódio têm significados diferentes. De alguma maneira ambos são a ira reprimida. Enquanto emoções destrutivas, prejudicam tanto os que sentem quanto os que são alvos desse sentimento. Ira provoca pensamentos ruins e impulsos passionais gerando ações levianas tais como acusações injustas, discórdia e conflitos negativos.
A ira provoca um desejo incontrolável de vingança que desencadeia hostilidade e modifica não só as relações interpessoais, mas também as expressões faciais do colérico. Sendo a razão o ponto de equilíbrio do homem, essa o chama à sabedoria e suscita uma conduta construtiva e concialiadora.

A ira no mundo do trabalho

A exemplo dos demais vícios capitais, a ira acomete todos indiscriminadamente, contudo, para aqueles que assumem posição de liderança formal, os cuidados devem ser dobrados haja vista que , teoricamente, os liderados se espelham nos seus líderes. Posto isso, os líderes que não conseguem exercitar autoconhecimento e domínio sobre seus impulsos terão a atitude mental de destruição. Intolerância à diversidade, incapacidade de harmonizar esforços.
Impaciência, desatenção, agressão verbal e até mesmo assédio moral, constituem um pequeno rol de comportamentos desencadeados por esse vício. Importante dizer que a ira gera ira e cria um ciclo vicioso, cegando os envolvidos de tal forma que lhe falta a reflexão calma e meditada. Sabemos que o sucesso das ações e dos desafios dentro de uma empresa dependerá em grande medida da disciplina de todos. A esse respeito, Içami Tiba proferiu em sua palestra que há dois tipos de disciplina: vertical e horizontal. A primeira é aquela imposta de cima para baixo enquanto a segunda é aquela que depende do indivíduo e nesse sentido demandará maior maturidade. O fato é que há chefes que ainda praticam largamente a disciplina vertical mesmo quando sua equipe possui elevada maturidade. Assim, o chefe age com paciência curta, voz grossa e mão pesada propiciando um estado de dependência nos seus liderados. Dependência significa reatividade. Como nós vivemos de trocas é razoável pensar que essas trocas devam gerar qualidade de vida, às quais, segundo Tiba, originam-se de três verbos: saber, poder e querer que contribuirão para o estado de disciplina que significa, em última análise, ter proatividade, não permitir abusos e ter empatia. Assim, percebemos que a ira no mundo do trabalho gera muito mais que um péssimo clima organizacional entre líder e liderado, mas também um estado de alienação, de ditadura do medo.

O antídoto

“Conhece-te a ti mesmo”, esse conselho introspectivo do filósofo Sócrates (470 – 399), sugere que o homem tome conhecimento da sua própria ignorância a fim de entender suas limitações, sua virtudes, suas fraquezas. Agindo assim, o homem poderá utilizar sua inteligência a fim de dominar a si mesmo. Nesse sentido, lembro-me o que escreveu Sun Tzu (544 – 496), autor do legendário livro “A arte da guerra” : “Conheça o inimigo e a si mesmo e você obterá a vitória sem qualquer perigo; conheça terreno e as condições da natureza, e você será sempre vitorioso”. Fazendo uma correlação imediata, a vitória aqui não se dá sobre alguém, mas sobre algo, nesse caso, sobre a própria ira e outros vícios e suas conseqüências.
Ao olhar para as virtudes cardeais -prudência, a justiça, a força e a temperança- podemos buscar em todas elas uma maneira de dominar o vício da ira e desse modo conviver melhor consigo e com os outros. Assim, ser prudente antes de falar ou manifestar uma ação; certificar-se dos fatos, ouvir e ver por um ângulo de 360 graus denota maturidade. A esse respeito lembro-me de uma frase que um amigo aprendeu com os norte americanos: “sleep over”, ou seja, durma e reflita. Agir com justiça, porém com elegância nas palavras e nos gestos, demonstra nobreza. Ter força para dominar a si mesmo e ter temperança indica autocontrole.
Enfim, é prudente seguir o conselho dos antigos: “Mesmo em

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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