MANUFATURA EM FOCO – Pensamento enxuto e sustentabilidade: como a filosofia do sistema Toyota de produção pode ajudar nas questões ambientais (final)

Em: 7 de abril de 2008

Fico pensando em coisas que assustam. Ora, se por causa de petróleo são capazes de invadir, usurpar, matar e dissimular, imaginem o que se pode fazer para obter água. Nesse sentido creio que esse cenário nos dá uma pista para o questionamento “para onde vamos?”. A filosofia do STP (Sistema Toyota de Produção) incentiva a todos a pensarem em soluções para os problemas do mais simples ao mais complexo. Todos são integrantes de um grande sistema. A realidade de um macro sistema como o ecossistema é mais latente, complexo, porém se pensarmos no mundo como uma grande manufatura cujo produto é o bem-estar e a perpetuação saudável das espécies poderemos também pensar numa filosofia para conduzir a operacionalização desse ideal. Isso não quer dizer que as belas filosofias de vida que existem em diversos povos e nações devam ser suplantados. Fico ensaiando de modo abstrato a aplicação de algumas práticas do STP como, por exemplo: fazer para uso, na quantidade certa, para ser usado no momento certo etc.

Conceito de kaikaku e kaizen voltado para o meio ambiente

No sistema Toyota de Produção há dois conceitos poderosos: Kaikaku e Kaizen. O primeiro significa mudança radical no status quo, algo que demande idéias inovadoras e eficientes. O Kaizen faz parte dos três “K”: Kodo (idéia), Kangae (ação) e Kaizen (melhoria contínua). O conceito de Kaizen imprime o sentido de melhorias incrementais valorizando todas as idéias desde as mais simples. Esses conceitos se aplicam perfeitamente a proposta de manejo sustentável. É possível sim progredir sem, contudo, degradar afinal, kaizen está ligado ao progresso contínuo. Contudo, antes será necessário fazer um kaikaku, mudar radicalmente a maneira como extraímos os recursos da natureza e de como os usamos. Dentro duma manufatura com mentalidade “enxuta”, o kaizen é exercitado por todos em qualquer momento visando melhorar as condições do trabalho, da ergonomia, da produtividade e da autorealização. Num âmbito maior, como nas cidades, esse exercício é mais difícil, porém não impossível. O fato é que estamos numa crise e esta palavra em chinês é composta por dois ideogramas: wei ji. O primeiro quer dizer crise e o segundo, oportunidade. Então que essas dificuldades sejam combustíveis para buscarmos soluções efetivas para garantir o equilíbrio homem-ambiente. Qual a recompensa? A nossa existência. Exemplo de kaizen fora da manufatura e que pode ajudar na sustentabilidade: criar meios para captar água da chuva e usá-las para lavar carro, regar plantas, lavar pisos, usar na descarga dos banheiros. Outro exemplo, substituir as sacolas de plástico pelas tradicionais sacolas de feira. Ao ir às compras do supermercado, leve-as.

Perfil dos habitantes do planeta

Dentro das grandes empresas se fala muito em competência que é vista como um somatório de conhecimento (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer fazer). Talvez sob essa óptica é que não tenhamos competência ambiental, pois podemos conhecer algumas coisas, porém não temos habilidades para operacionalizar o conhecimento e muito menos a atitude para melhorar o mundo ao nosso redor. Nesse sentido é de se supor que a atual conjuntura exige seres humanos com perfil específico, tal como numa empresa, sob pena de fazê-la quebrar, ou no caso do ambiente, ser extinto ou numa visão mais otimista, ter suas operações reduzidas. Desse modo, imagino que um perfil razoável seria: ser criativo para inovar no uso de recursos naturais, saber ensinar a política do ambientalmente correto, ter senso de coletividade, saber administrar os recursos disponíveis (água, energia, resíduos etc). Acreditar que é possível ter conforto sem precisar degradar. Pensar global e agir local é a grande deixa para operacionalizar as melhorias. E aqui evoco mais uma prática dos conceitos lean, o uso de “pequenos lotes” Desse modo, para garantir a sustentabilidade, o ponto inicial seria a casa de cada um, um pequeno universo para exercitar a melhor

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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