Manutenção da Selic contribui para custo alto da dívida pública, diz Tadros

Em: 14 de setembro de 2009
A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) acredita que a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 8,75% ao ano é conservadora, devido à pouca evidência de risco inflacionário
A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) acredita que a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 8,75% ao ano é conservadora, devido à pouca evidência de risco inflacionário

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) acredita que a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 8,75% ao ano é conservadora, devido à pouca evidência de risco inflacionário.
Para a Federação, a taxa de juros neste patamar mantém a valorização acentuada do real e afeta mais o custo da dívida pública, que remunera seus títulos com a Selic. “Indiretamente o governo está ainda alimentando um fluxo de investidores internacionais que ainda são regiamente remunerados ao investirem no Brasil”, afirmou o presidente do sistema Fecomércio/Sesc/Senac-AM, José Roberto Tadros.
Um investidor que aplicou, por exemplo, US$ 1 milhão em títulos de renda fixa no dia 2 de janeiro de 2009 saiu com US$ 1.25 milhão no final de junho, ou quase 26% de retorno em meio ano. Trata-se de uma taxa anual de 58% – em dólares. Dinheiro este pago a partir dos títulos do governo. Para a Federação, esse retorno em um semestre de 26% no Brasil é fruto da combinação de juros altos e variação cambial. E este último, é um fator que se retroalimenta por conta do primeiro. Com juros atraentes, há mais entrada de dólares, o que valoriza o real.
Do lado do consumidor, com a taxa Selic menor, o importante é saber se os juros também estão baixando nas diversas modalidades de empréstimos.
Ou seja, quanto o banco cobra no seu cheque especial ou quanto a sua administradora de cartões leva no crédito rotativo. E essas taxas estão muito longe de um dígito.
A maioria está na casa dos três dígitos. Mesmo o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) varia de algo como 40% a mais de 100% ao ano a depender do emprestador.
“Da forma que está posto, o risco reside na incapacidade de se financiar como empresa e de se pagar todas as dívidas como pessoa física”, afirmou Tadros.
Para a entidade, a Selic já está em um dígito, agora a meta é perseguir um dígito próximo aos países civilizados e, ao mesmo tempo, manter total vigilância de empresas e consumidores para as condições de crédito, que são fundamentais para o desenvolvimento sadio da produção e do consumo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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