Mão de obra é diferencial em corrida contra os chineses

Em: 25 de novembro de 2011
Custos com a mão de obra no PIM encarecem a atividade produtiva e podem diminuir ainda mais a competitividade da ZFM em relação aos produtos chineses
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Custos com a mão de obra no PIM encarecem a atividade produtiva e podem diminuir ainda mais a competitividade da ZFM em relação aos produtos chineses

Custos com a mão de obra no PIM encarecem a atividade produtiva e podem diminuir ainda mais a competitividade da ZFM em relação aos produtos chineses. O assunto foi debatido durante a 1ª Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente, realizada na última quarta e quinta-feira sob organização da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho).
Segundo representantes do setor industrial consultados pelo Jornal do Commercio, as medidas para proporcionar maior geração de emprego e melhor qualidade no ambiente de trabalho, com geração de benefícios na área de saúde e alimentação, são importantes, mas oneram em demasia os gastos das empresas, o que estaria impedindo a aproximação com os preços dos produtos asiáticos, considerados desleais pela indústria local.
“Sempre se procura melhorar a vida do trabalhador, mas até essas medidas têm limites. O governo tem que diminuir impostos e custos. Não pode colocar todo o peso nas costas da atividade econômica. Por isso, da parte da indústria, ainda controlamos os custos para ver até onde o Governo cede para seguirmos a mesma linha”, esclareceu o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Félix.
Segundo ele, para diminuir a distância em relação à China, precisa ser feito um controle maior em relação à mercadoria proveniente do país, criação de mais postos aduaneiros e medidas tributárias que ofereçam privilégios ao mercado interno.
Para o titular da SRTE (Secretaria Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas), Dermilson Chagas, o custo Brasil – alta carga de tributos paga para se realizar a atividade industrial– é o principal impeditivo para uma geração maior de empregos e com competitividade frente aos países asiáticos.

Combate aos asiáticos com foco nas diferenças culturais

“A competição existe quando dois produtores têm interesse em fabricar e comercializar o mesmo produto, portanto não se trata de mexer ou não no custo da mão de obra. Nunca vamos alcançar a China em termos de competitividade porque, hoje, o modo de produção asiática é infinitamente menor e responsável pela quase totalidade da produção mundial”, afirmou o economista e consultor empresarial do polo industrial, José Alberto Machado.
Ele explica que atualmente, o modelo Zona Franca trabalha sob a lógica da demanda, produzindo apenas aquilo que tem saída no mercado. Dessa forma, fabrica o mesmo que o resto do mundo, inclusive a China. “Precisamos começar a trabalhar sob a lógica de oferta, ou seja, investir e oferecer aquilo no que somos bons, termos o nosso diferencial, produtos competitivos que não sejam foco da indústria chinesa”, explanou.
No entanto, de acordo com o economista, para se chegar a esse resultado, o Estado precisa passar obrigatoriamente pelo processo de inovação tecnológica e formação de mão de obra qualificada, um dos principais gargalos do Amazonas.
“Só uma visão estratégica nova pode nos colocar de novo na disputa”, enfatizou.
Ele afirma ainda que, em termos de medidas estratégicas, o Amazonas está atrasado no mínimo oito anos e a falta de um dirigente na Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), – que desde o dia 7 de outubro está sem um superintendente titular – atrasa ainda mais a tomada de decisões. “Mas de qualquer forma já estávamos defasados. Os bons resultados eram garantidos apenas pelo excesso de demanda. Agora, com o quadro atual, as lacunas começaram a ficar mais visíveis”, criticou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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