Mão de obra é incógnita para polo naval

Em: 28 de novembro de 2011
Quem vai trabalhar no polo naval? Com área superior a 5 mil hectares garantida para a construção do ‘Distrito 3’ e previsão de início do funcionamento para junho de 2012, o segmento demonstra preocupação com a falta de profissionais qualificados
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Quem vai trabalhar no polo naval? Com área superior a 5 mil hectares garantida para a construção do ‘Distrito 3’ e previsão de início do funcionamento para junho de 2012, o segmento demonstra preocupação com a falta de profissionais qualificados

Quem vai trabalhar no polo naval? Com área superior a 5 mil hectares garantida para a construção do ‘Distrito 3’ e previsão de início do funcionamento para junho de 2012, o segmento demonstra preocupação com a falta de profissionais qualificados para atuar nos estaleiros. De acordo com o Sindnaval-AM (Sindicato da Indústria da Construção Naval no Amazonas), só para o cargo de soldador, seriam necessários 1.000 profissionais para atender a atual demanda
Segundo o presidente da entidade, Matheus Araújo, o setor que atualmente emprega, aproximadamente, 8 mil trabalhadores atuantes em 60 estaleiros, enfrenta as dificuldades do que se denomina “profissionalização invisível”, uma ausência quase total de mão de obra especializada formada em Manaus.
“Enfrentamos deficiência em todos os níveis. Faltam engenheiros, soldadores, montadores. Se tivéssemos mil soldadores prontos para o trabalho, todos teriam emprego”, afirmou.
Para o dirigente, um dos reflexos da falta de mão de obra especializada é a rotatividade de funcionários entre os próprios estaleiros. “Um estaleiro grande perde de 2 a 3 funcionários por dia para o concorrente que geralmente oferece 30% a mais sobre o atual salário para ‘ganhar’ o empregado. Já ouvi reclamações de proprietários que chegaram a perder nove trabalhadores no mesmo dia”, conta.
Conforme informou o presidente do sindicato, um soldador com formação mínima tem vencimento semanal de R$ 600 por semana, o que corresponde a R$ 2.400 por mês. Com um preparo técnico, o salário do empregado pode chegar a R$ 18 mil por mês.

Demanda

Ele diz ainda que o Amazonas possui atualmente mais de 1 milhão de embarcações e passa por um processo de renovação de frota em todo o Estado. “Para esse volume de construção precisaríamos de um acréscimo imediato de pelo menos 20% – 1.600 profissionais. Quanto mais o mercado fica aquecido, mas o deficit de mão de obra fica evidente”, apontou.
O diretor do Cetinavam (Centro de Tecnologia do Amazonas), Carlos Rocha, acrescenta que existe ainda uma demanda para a construção e reparo de embarcações para o polo petroquímico atuante nas plataformas do Alto Solimões.

Profissionalização

De acordo com a entidade, a criação do Cetinavam promete
acelerar a qualificação profissional do setor no Estado.
O idealizador do centro e assessor institucional e de novos negócios do Sindnaval, Ricardo Moraes, explica que o projeto está em fase de legalização e deve começar as atividades de qualificação e certificação da mão de obra existente em março de 2012, mesmo com as obras em andamento. “Hoje, temos entre 7 a 10 profissionais formados (engenharia naval), todos vindos de Estados como Santa Catarina e São Paulo. O centro pretende mudar esse quadro, uma vez que o objetivo, a longo prazo, é transformar a instituição numa faculdade para o segmento naval”.
Serão 18 cursos como soldagem, eletrotécnica, pintura naval, desenho técnico, mecânica, entre outros. Ricardo Moraes informou que o centro está firmando parceria com instituições de ensino como Ufam (Universidade Federal do Amazonas), UEA (Universidade do Estado do Amazonas) e SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), além de acordos com o governo federal e empresários.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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