Marina Silva defende estado ‘mobilizador’ e diz que programas sociais são ‘insuficientes’

Em: 19 de maio de 2010
Marina Silva, pré-candidata do PV, defende um crescimento qualificado, não apenas de metas, mas de planejamento
Marina Silva, pré-candidata do PV, defende um crescimento qualificado, não apenas de metas, mas de planejamento

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendeu para 350 empresários que participaram de um Almoço-Debate promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, um Estado ‘mobilizador’, que ofereça o melhor de sua competência, em substituição ao Estado ‘provedor’. Marina, que é candidata pelo PV à Presidência da República ao lado do presidente da Natura, Guilherme Leal, elogiou o programa Bolsa-Família, concedido pelo governo federal às famílias carentes, mas acredita que este é o momento para se aplicar programas de “terceira geração”, que tenha a educação como conteúdo mais importante e que desenvolva a inclusão social através da profissionalização.
“Os beneficiados pelos programas sociais precisam partir para a profissionalização para que não dependam exclusivamente do Estado para prover suas vidas. Temos que promover a inclusão produtiva”, afirmou Marina.
Para os empresários, a candidata voltou a defender a sua ideia de uma “economia de baixo carbono”. “Se não mudarmos nossa forma de produzir e nossa forma de consumir, não haverá saída. Não podemos acreditar que os recursos naturais são infinitos. Não podemos adotar o estilo de vida dos Estados Unidos e da Europa, que no longo prazo precisariam de cinco planetas para suportar.”
Segundo Marina, não se pode pensar apenas em crescimento econômico em termos de metas. “Precisamos qualificar esse crescimento, e não fazê-lo de qualquer forma. Há países que crescem mais do que nós, como a China. Nós invejamos a forma como a China cresce? Nós não temos uma economia estatizada e nem relações de trabalho precárias, beirando a quase escravidão.”
Marina se disse favorável à privatização de alguns serviços, como as estradas brasileiras, mas através de uma “relação mista”. “Há serviços e investimentos que podem passar por um modelo misto, como as PPP’S (Parcerias Público-Privadas) ou concessões. Mas em algumas áreas o Estado não pode se ausentar, porque o Brasil não é um país homogêneo. Em alguns lugares, a demanda por determinados tipos de serviços são insuficientes para atrair o interesse da iniciativa privada.”

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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