Marina Silva defende maior atuação da Universidade para “fazer diferença”

Em: 23 de fevereiro de 2011
Com o tema ‘Juventude e Sustentabilidade na Amazônia’, a ex-senadora falou dos esforços que devem ser feitos para mudar o modelo predatório que destrói a floresta
Com o tema ‘Juventude e Sustentabilidade na Amazônia’, a ex-senadora falou dos esforços que devem ser feitos para mudar o modelo predatório que destrói a floresta

Na tentativa de levantar a bandeira da sustentabilidade por conta de sua fauna e flora, os representantes da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) trouxeram Marina Silva, conhecida por seu discurso ‘verde’, para palestrar a primeira aula magna do ano letivo de 2011.
Com o tema ‘Juventude e Sustentabilidade na Amazônia’, a ex-senadora falou dos esforços que devem ser feitos para mudar o modelo predatório que destrói a floresta. Ela ressaltou a universidade como um meio capaz de fazer a diferença. “Os projetos de pesquisa, de graduação, dão as bases para que cada aluno continue se comprometendo com as transformações de um novo modelo, de uma nova visão”, frisou.
A ex-presidenciável comentou que a instituição permite o encontro entre economia e ecologia, “juntando o melhor da tradição com o melhor da universidade”.
A coleta seletiva foi uma das ações propostas, no entanto, a Universidade ainda não possui sistema adequado para promover o projeto. A reitora, professora Márcia Perales, explicou que já há um Comitê Gestor Ambiental, presidido pelo vice-reitor, professor Hedinaldo Lima, em fase de finalização. “Essas ações tem que ser encadeadas. Não adianta recolher o lixo se não tem quem busque e quem receba. Toda essa cadeia produtiva está sendo trabalhada, para que possa beneficiar a região”, alegou.
Marina garantiu que não são os líderes eleitos que protagonizarão a mudança em seus países, mas toda a sociedade. Ela lembrou que, muitas vezes, o ser humano tem mania de terceirizar a responsabilidade, porém, é a força em conjunto que permite e proporciona a modificação de qualquer sociedade.
“Quem vai fazer a grande transformação nos EUA é Obama? No Brasil, é Dilma? Na Ufam são a reitora e o vice-reitor? Não, mas sim todos nós”, salientou.
Em seu discurso, ela assumiu sua posição perante o atual governo. Embora não tenha apoiado a atual presidente no segundo turno, Marina falou que participará do governo Dilma como cidadã, apresentando sua visão tanto em momentos de acordo quanto nos de desacordo.
“A visão tradicional de oposição não levará a lugar nenhum. É fundamental que a gente perceba, mesmo na oposição, que às vezes o governo faz coisas boas, assim como, na posição de situação, reconheçamos que ele pode fazer coisas erradas”, argumentou.
Entretanto, sempre levando em conta a preocupação ambiental como principal fator para as ações governamentais. “Torço para que as coisas deem certo, assim como discordarei daquilo que acredito que não é bom para o país. Eu me preocupo quando vejo que, hoje no Congresso, corre o risco de mudar o código florestal. Me preocupo muito quando vejo as pessoas flexibilizando os cuidados com a Floresta Amazônica em nome de determinados investimentos”, esclareceu.
Se depender dos jovens universitários, pelo menos neste início de ano, a ex-senadora já pode se considerar eleita. Somente a ideia de tornar-se a futura presidente da república já causou aplausos e condecorações no auditório Eulálio Chaves.
Por enquanto, Marina não admite tendência a um cargo político. Segundo ela, a partir de agora seu empenho será reservado ao recém-criado Instituto Marina Silva, destinado ao trabalho de mobilização e educação para sustentabilidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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