O governo estadual estuda a possibilidade de prorrogação por mais 30 dias do incentivo de isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) referente à energia elétrica que corresponda a 25% do valor efetivamente usado dado às indústrias do polo de duas rodas.
A hipótese foi feita pelo secretário de Estado da Fazenda, Isper Abrahim, que aguarda o relatório mensal sobre o desempenho da economia estadual para saber se as montadoras e a termoplastia ainda se ressentem dos efeitos da crise financeira.
Abrahim explicou que a medida de isenção do imposto, aprovada em dezembro do ano passado, foi uma das saídas encontradas pelo governo para evitar maior impacto da crise econômica na produção de motocicletas e nos empregos do setor durante o primeiro trimestre deste ano. Naquele momento, segundo o executivo, os resultados setoriais da atividade no polo industrial apresentavam impactos significativos provocados pela falta de crédito no mercado, o que levou a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) a adotar medidas para tentar reduzir os reflexos das turbulências no mercado. “Não dá para se medir os ganhos sociais obtidos pelo Amazonas, que não seja pela manutenção dos milhares de empregos diretos e indiretos no polo de duas rodas diante da renúncia fiscal estimada pelo governador Eduardo Braga em pelo menos R$ 400 milhões neste trimestre”, revelou o dirigente.
Abrahim fez questão de ressaltar ainda a isenção do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) das motos zero quilômetro licenciadas ao longo deste ano como forma de incentivar a venda nas concessionárias locais. Durante a conversa, o secretário frisou que situações sazonais, como a queda no consumo e produção industrial que levam às demissões dos trabalhadores temporários nesta época, não podem ser confundidas com efeitos do impacto negativo vivenciado pela economia mundial.
Incentivos acirraram concorrência entre as fabricantes de duas rodas
“Tradicionalmente, existe uma diminuição da atividade econômica no primeiro trimestre o que acarreta em eventuais dispensas e isso, de forma alguma, pode ser confundido com crise. Ao cogitar a prorrogação de incentivos fiscais, o Estado vem adotando por determinação do governador por procedimentos possíveis para incrementar um dos setores mais importantes do polo, embora o Amazonas ainda tenha custos e despesas a serem cumpridos”, considerou.
A concorrência no mercado de motos, intensificada pela medida de isenção do IPVA, foi calculada entre 5% a 7% nas concessionárias locais. Pelo menos na opinião do gerente de vendas da concessionária Yamaha, Emerson Matias, segundo o qual, no ano passado, com a entrada de fabricantes chineses como Sundown, Dafra e Fym, houve uma retração nas vendas das outras marcas. “Elas chegaram com preços mais atrativos e ganharam mercado. A isenção do IPVA impactou de forma direta na disputa pelo mercado local e consequentemente numa queda de braço pelos melhores rankings nas vendas”, disse.
Como reação, ele disse que a Yamaha investiu no lançamento de novos modelos de baixas cilindradas e na redução de preços. Neste ano, disse Matias, a marca teve aumento de 15% nas vendas e retornou à vice-liderança do mercado, perdendo apenas para a líder Moto Honda.
Preço de fábrica
Já o diretor comercial e de marketing da Moto Traxx da Amazônia, Rogério Scialo, anunciou até o fim deste mês modelos a preço de fábrica reduzido em média 20% para atrair consumidores. O representante explicou que, durante a ação de varejo, três modelos de motocicletas (Joto, Fly e Sky) serão comercializados por toda a rede de concessionárias com emissão da nota fiscal de fábrica ao consumidor. “Nosso objetivo é aumentar as vendas em 25% e, minimizando os efeitos da crise no setor, proporcionar maior oportunidade de compra ao consumidor, que continua muito interessado na aquisição desse tipo de veículo”, completou. Para Scialo, não é a falta de consumidores que tem freado as vendas e o mercado e, sim, o estrangulamento do crédito.
Já o gerente de vendas da Honda, Paulo Sérgio Galdiano, preferiu comentar que a empresa manteve os preços desde janeiro, registrando um crescimento pequeno em relação ao mesmo período do ano passado nas vendas. Segundo o responsável, embora a marca permaneça como líder de mercado (70% de market share no Estado, conforme revelou), ele comentou que essa é menor fatia já registrada pela marca. “Apostamos na recuperação ainda neste semestre”, apontou.






