MEIs expandem negócios no segmento Pet

Em: 2 de fevereiro de 2022

O mercado pet continua a apontar estimativa de crescimento. Para ter ideia, a expansão de negócios dentro desse nicho saltou nos últimos 10 anos, puxados principalmente pelos pequenos negócios. Os MEIs (Microempreendedores individuais têm sido os grandes responsáveis por esse boom, segundo levantamento realizado pelo Sebrae, com base em dados da Receita Federal.

O viés desse crescimento aponta incremento de 363% a  mais, em relação a 2012.  Cerca de 83,4 mil negócios ligados ao segmento pet, contra 18 mil, no referido período. Desse total, 78% (65,4 mil) são de microempreendedores individuais que atuam com comércio varejista de animais vivos e de artigos e alimentos para animais de estimação ou de medicamentos veterinários. As atividades ligadas aos pet shops estiveram entre as menos impactadas pela crise.

De acordo com as pesquisas de Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizadas pelo Sebrae em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas),  , entre os anos de 2020 e 2021, foram criados cerca de 22,9 mil CNPJ em atividades ligadas ao mercado pet, o que corresponde a cerca de 27% do total existente. 

De acordo com o representante do segmento, Felipe Rudhja, diretor distrital  da ABHV (Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários), que atua no mercado há 15 anos, a  cada ano tem um aumento expressivo entre 15% a 20% e ele já prevê um incremento acima de 20% para este ano de 2022. “Durante a pandemia, o setor se manteve firme, na contramão de outros segmentos, inclusive inauguramos uma unidade durante a crise, e em novembro, abrimos outra”. Para ele, a pandemia trouxe o pet para perto das pessoas, motivando a adoção de algum bichinho de estimação. “É um outro comportamento. Os bichinhos passaram a ser os maiores companheiros das famílias”. 

“Mesmo antes do início da pandemia esse era um nicho que vinha crescendo de forma sustentável e que se tornou uma opção de negócio para milhares de brasileiros que se identificam com esse segmento. A pandemia reforçou ainda mais essa tendência”, afirma o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

A 13ª edição e última deste estudo, realizada em novembro do ano passado, revela que 90% dos petshops estão em funcionamento e que são os que mais funcionam sem alterações, quando comparado ao período da pré-pandemia, com 48% declarando essa situação. Melles ainda chama a atenção para o fato de que enquanto a média de queda de faturamento nos pequenos negócios estava em -30%, em novembro de 2021, no segmento pet o resultado era de -19%. Apenas o Agronegócio e a Indústria apresentaram uma queda inferior, respectivamente de -11% e -17%.

“Os impactos menores de queda de faturamento no segmento e o aumento do número de pessoas que procuraram adotar ou comprar um animal doméstico são mais alguns dos estímulos para o crescimento dos petshops no país e a tendência é que essa seja uma atividade com boas perspectivas para 2022”, ressalta o presidente do Sebrae.

Menor impacto

A partir de 2020, o mercado pet foi o que apresentou uma das menores quedas de faturamento. O gerente-adjunto de Competitividade do Sebrae, Cadu Santiago, destaca que o isolamento ocasionado pela pandemia e a maior adoção do home office acabou favorecendo essa atividade. “Já era um segmento que era forte por si só, que já vinha com uma tendência de alta antes da pandemia, e por ser um dos menos atingidos, acabou motivando empreendedores a investirem nesse nicho”, comenta Santiago.

Por dentro

É nítido o incremento do setor. Segundo o IPB (Instituto Pet Brasil),  puxado pelo faturamento do pet food, o setor de produtos e serviços para animais de estimação deve chegar a um faturamento de R$ 49,9 bilhões em 2021. O levantamento projeta o valor total do ano com base no 1º semestre, e representa uma alta de 22,1% em relação à movimentação do ano passado. 

Em comparação à previsão baseada no primeiro trimestre, houve aumento na projeção. A partir dos dados compilados até março de 2021, a expectativa era de R$ 46,5 bilhões em 2021.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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