Mais de 1,3 milhão de contribuintes acordaram nesta segunda-feira com um dinheiro extra na conta. A Receita Federal depositou o primeiro lote de restituição do IR (Imposto de Renda), que totaliza quase R$ 2 bilhões. Embora a tentação primeira seja torrar tudo em churrasco e cerveja — é tempo de Copa do Mundo, afinal! —, especialistas insistem que o melhor a fazer é driblar as tentações de consumo. Para saber se está incluído no 1º lote, o contribuinte deve realizar consulta pelo CPF.
“Se o contribuinte tiver alguma dívida pendente, a primeira coisa que ele deve fazer com a restituição é quitá-la, porque os juros são maiores que o rendimento de qualquer aplicação”, recomendou o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.
Segundo o mais recente levantamento da Anefac, associação que reúne executivos de finanças, os juros cobrados às pessoas físicas sobem sem parar há 12 meses, atingindo 72% ao ano no caso do comércio e mais de 232% anuais no cartão de crédito.
Mauro Calil, consultor financeiro e fundador da Academia do Dinheiro, concorda que as dívidas devem sempre ser o destino prioritário das restituições. Mas e se sobrar algum ou, na melhor das hipóteses, o contribuinte não possuir dívidas? Nesse caso, recomendam Calil e Curvello, o ideal é investir.
Na opinião do diretor de gestão de recursos da Ativa, a opção mais vantajosa está nos títulos do Tesouro. Se a restituição for abaixo de R$ 1 mil por exemplo, a aplicação acessível é em títulos atrelados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), como as Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B).
“Esses papéis são importantes porque protegem o investidor da inflação. Estamos em um período de incertezas na economia, e a alta dos preços deve continuar forte ainda por um tempo”, disse.
Lci e lca
No caso de restituições mais generosas, Curvello indica títulos privados de renda fixa, como LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio). Talvez o aplicador precise acrescentar algum montante à restituição para conseguir comprar esses títulos, cujo valor mínimo costuma ser acima de R$ 10 mil. A grande vantagem das Letras é que elas são isentas de IR, aponta Curvello.
“Além disso, até R$ 250 mil em cada aplicação são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito, livrando de problemas praticamente qualquer investidor pessoa física”, explicou o especialista. “O que o investidor jamais deve fazer é colocar o dinheiro da restituição na poupança. Nunca! Ela perde muito para qualquer outro investimento de renda fixa, só aplicam nela os desavisados”.
A coordenadora da rede social de investidores Investmania, Aline Rabelo, diz que a poupança só é interessante para quem tem intenção de investir ou mesmo consumir em curtíssimo prazo, porque ela não tem carência para saque. Para prazos a partir de seis meses, porém, ela também destaca opções como a LCI.
“O mais importante é criar a cultura de investimento, mesmo que seja só na poupança, para se educar”, avalia. “Para investir, é preciso levar em conta o momento de vida da pessoa, definindo objetivos e o prazo que pretende poupar. Saber o prazo é importante para determinar qual a melhor opção de investimento”.
Calil não aconselha apostas na caderneta. Além da renda fixa, ele recomenda o investimento em ações para quem tem apetite um pouco maior para risco e só quer ter o dinheiro de volta no longo prazo.
“A certeza que o contribuinte deve ter é que consumir é a pior opção”, afirmou Calil.
Cuidado com empréstimo
Caso o contribuinte não esteja no primeiro lote, a coordenadora do Investmania diz que recorrer a empréstimos bancários para pagamento de dívidas pode ser uma alternativa, mas é preciso fazer as contas. O juro pago na operação de antecipação da restituição deve ser menor do que a taxa que incide sobre a dívida a ser quitada.
Se o contribuinte estiver no 1º lote mas sua restituição não for creditada na conta, ele deve procurar uma agência do Banco do Brasil ou telefonar para a central de atendimento nos números 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (atendimento exclusivo para deficientes auditivos) e agendar o crédito em conta-corrente ou poupança.







