Indústria bélica demonstra força econômica no CIS Manaus (Congresso Internacional de Segurança para Grandes Eventos), que acontece até hoje, no Tropical Hotel Manaus.
Com a economia estabilizada e forte em comparação ao cenário mundial em que apresenta uma estimativa de crescimento em 15% ao ano, já prevista para dobrar esta marca nos próximos anos, aliada à necessidade de reaparelhamento das forças policiais municipais, estaduais e federais com foco para os grandes eventos que acontecerão no país a exemplo da Copa do Mundo, tornam o Brasil, segundo os executivos do setor bélico, um dos mais promissores mercados do setor na atualidade.
“O país já é o segundo consumidor de nossos produtos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e temos certeza que, em breve, vamos melhorar ainda mais estes índices”, avaliou Del Ruiz, gerente para a América Latina e Caribe da Taser, empresa pioneira e gigante do setor de armas ‘não letais’. Aproveitou a ocasião para anunciar que aguarda apenas autorização para construir a primeira fábrica brasileira da marca na cidade de Hortolândia (SP).
Para o coordenador-geral do congresso, major da PM-AM Ubirajara Rosses, o evento promoveu o encontro de várias corporações que tiveram a oportunidade de trocar experiências e conhecimentos adquiridos em situações reais, vivenciadas de forma coletiva ou individual. O fator de maior relevância conquistado foi o da fortificação dos três pilares: qualificação, educação e segurança para todos e em prol da sociedade. “O ganho foi muito grande, de alta expressividade no que tange os três pilares das corporações. E investir na qualificação do efetivo da polícia é tão imprescindível quanto investir em equipamentos bélicos. Assim, cativamos a população e garantimos segurança para a sociedade brasileira, para os turistas nacionais e internacionais que por aqui estiverem durante os grandes eventos. Assim, como multiplicadores retornarão acompanhados para continuar a prestigiar as cidades brasileiras de Norte a Sul do país”, assegurou Rosses.
Geração de emprego e renda
Investimentos em novos produtos e tecnologias e a construção e expansão de fábricas no país com geração de mais postos de trabalho foram anunciados por representantes de algumas das principais empresas da indústria bélica nacional e internacional no congresso. Com capacidade para produzir 85 mil unidades por ano e sem revelar valores, Del Ruiz disse que executivos brasileiros deverão administrar a nova planta.
As parcerias com universidades locais em pesquisa e desenvolvimento fazem parte do plano de investimento que visa suprir o mercado nacional e aponta na direção da África com mais exportações.
Segundo o diretor da Paramount Group, Miles Chambers, em sua palestra no CIS, a meta é expandir entre 20% a 30% a participação da empresa no mercado nacional. A sul-africana apresenta um portfólio que inclui helicópteros, aeronaves a veículos blindados e faturamento de 500 milhões de dólares em mais de 40 países, o executivo assegura que o mercado brasileiro ocupa lugar de destaque no planejamento estratégico da companhia.
“Vamos aproveitar a proximidade geográfica e o know-how acumulado em 40 anos para oferecer produtos diferenciados e aproveitar o aquecimento e a expansão que o setor bélico está vivenciando no Brasil”, ainda destacou Chambers.
A brasileira Condor Tecnologia com planos de expandir as operações da fábrica em Nova Iguaçu (RJ), onde gera 2 mil empregos diretos e indiretos na produção de 1,5 milhão peças, equipamentos e armas ‘não letais’ por ano, aposta nas pesquisas para fortalecer sua posição interna e externa em 40 países, inclusive nas tropas da ONU (Organização das Nações Unidas).
“É natural o interesse das empresas estrangeiras no mercado brasileiro, mas não tememos a concorrência, pois há muito espaço e o setor está longe de atingir todo seu potencial”, avaliou o diretor de marketing Massilon Miranda.
A estatal vinculada ao Exército Brasileiro, Imbel especializada em material bélico, pretende fechar o ano com aumento no faturamento de 9% a 10%, em comparação ao R$ 104 milhões declarados em 2011. A corporação apresentou em seu estande quatro novos modelos de pistolas, fuzis e carabinas que estão em fase de desenvolvimento e devem ser lançados nos próximos meses.
“Apesar das crescentes exportações, inclusive para os Estados Unidos, nosso foco é consolidar a participação no mercado interno e fortalecer a base industrial de defesa nacional”, assegurou o executivo Celestino Kenyu, do departamento comercial da corporação responsável por 40 mil pistolas utilizadas pelos policiais brasileiros.







