Mercado cervejeiro de olho na Copa do Mundo

Em: 24 de novembro de 2022

Desde o último domingo, a atenção dos brasileiros está voltada à Copa do Mundo do Catar. Com a abertura oficial dos jogos, toda essa atmosfera movimenta vários segmentos, contudo é o mercado de bebidas, especialmente o de cervejas, que ganha destaque na maior competição de futebol do planeta. Não é à toa que ambas são tidas como combinação mais que perfeita quando o assunto é paixão nacional. 

Mirando na temporada de eventos que fervem neste mês, o mercado cervejeiro aposta num incremento de aproximadamente 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo um volume de vendas em mais de 15,4 bilhões de litros, consolidando o país como o terceiro maior fabricante, atrás de China e Estados Unidos.

De acordo com um levantamento realizado pela empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International para o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) em 2021, o volume de vendas do setor foi de 14,3 bilhões de litros, um crescimento de 7,7% ante a 2020.

“A indústria da cerveja se prepara para o evento que é considerado o maior do setor. Após as restrições impostas pela pandemia da Covid-19, será um momento de celebrar, de encontrar a família e os amigos para assistir aos jogos, com o ineditismo de ser realizada em um mês mais quente”, disse o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky.

“A volta dos grandes eventos como a Copa do Mundo, festivais e a chegada do verão vai aquecer ainda mais a indústria da cerveja. Após a flexibilização imposta pela pandemia da Covid-19, a expectativa é que o consumo retorne com mais força em bares e restaurantes, local favorito dos brasileiros para consumo de cerveja”, explicou o superintendente.

Investimento

No mercado de cerveja artesanal a expectativa também é alta, tanto que os empresários do setor não tem medido esforços para garantir a qualidade no processo de produção apostando em investimento. É o caso do empresário do setor e proprietário da Cervejaria Rio Negro, Bruno Cesar da Silva. “Para vermos o mercado aquecido, fizemos um investimento de quase R$ 1 milhão em novas chopeiras, cilindros de co2 e veículos. Eventos que foram cancelados pela pandemia como confraternizações de final de ano voltaram e temos a Copa do Mundo com o Brasil como um dos favoritos. As maiores torcidas do Brasil festejaram com títulos do Flamengo e a volta do Vasco à elite do futebol brasileiro. Tudo isso favorece nosso mercado de bebidas”, salientou ele. 

Não alcoólicas em alta

Com o fim das eleições, a Copa do Mundo também deve impactar positivamente a atividade produtiva e as vendas do segmento de bebidas não alcoólicas. 

O Sindicato da Indústria de Bebidas do Amazonas, entende que a retomada produtiva no segmento industrial, alinhada ao verão amazônico  demonstram desempenho positivo do setor, com expectativas positivas para os próximos meses. O incremento em  refrigerante deve variar de 5% a 8% e a água entre 10% a 15% em relação ao ano passado.

“Apesar da queda no consumo individual durante a pandemia, as altas temperaturas e os eventos como a Copa do Mundo e as eleições vão trazer incremento nas vendas para o setor. Já observamos alta no consumo, principalmente, nas vendas de águas”, comentou o presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas do Amazonas, Luiz Cruz. 

Segundo ele, o mercado durante a pandemia foi puxado pelo consumo familiar que apresentou queda, mas não de maneira tão  acentuada. “O consumo individual está acelerado em razão do calor que favorece o mercado”. 

Apesar de ainda representar uma parcela discreta do consumo total do mercado, a categoria de cerveja sem teor alcoólico foi considerada uma das mais bem-sucedidas nas vendas ao varejo em 2021. Segundo levantamento da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International para o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), esse segmento registrou volume de 284,6 milhões de litros, um aumento de 44% em relação ao ano anterior.

“Na Copa esse segmento poderá ganhar ainda mais força, pois é uma excelente opção para quem deseja acompanhar os jogos e consumir uma bebida bem gelada de uma forma mais responsável”, enfatiza o superintendente.

A busca do consumidor por um estilo de vida mais leve, saboroso e equilibrado e os investimentos do setor em inovação impulsionaram a categoria que espera crescer 37,6%, chegando a quase 400 milhões de litros no mercado.

Outros dados  

Antes da pandemia esse segmento, conhecido com on-trade, totalizava 62% do consumo da bebida, enquanto o off-trade, pontos de venda como supermercados, hipermercados, mercearias, dentre outros que não são especializados em consumo de cerveja no próprio ambiente) girava em torno de 38%, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, encomendada pelo Sindicerv.

Durante a pandemia, em 2021, com as restrições de funcionamento de bares, o consumo migrou para dentro de casa e o off-trade subiu para 41,6%, totalizando 5,9 bilhões de litros de cerveja comercializadas, enquanto o desempenho do consumo de cerveja fora do lar passou a registrar 58,4% -o que representa 8,4 bilhões de litros.

Por Andreia Leite

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar