Depois de ouvir mais de três mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente com negociações de carbono, a Point Carbon traçou um quadro das perspectivas de preços, novos esquemas e um acordo pós-Quioto.
O comércio global de carbono certamente foi afetado pela desaceleração econômica mundial, porém irá se recuperar a longo prazo e, irá além, uma vez que é grande a confiança de que os Estados Unidos criarão um esquema nacional até 2015.
Esta é uma das constatações feitas pela Point Carbon, líder mundial em consultoria e análises sobre o mercado de carbono, após ouvir 3.319 participantes do mercado em uma pesquisa de opinião realizada pela internet no início do ano.
Notavelmente, 90% dos entrevistados norte-americanos apontam que os Estados Unidos irão implementar uma legislação federal para regulamentar as emissões de gases do efeito estufa através de um esquema de limite e comércio (‘cap and trade’). Se considerado todos os participantes, 81% compartilham esta opinião, um aumento em relação à pesquisa do ano passado, quando eles somavam 71%.
“Este dado, junto ao forte crescimento do mercado do RGGI, indica que finalmente o comércio de emissões encontrará seu lugar no país que inventou o sistema ‘cap and trade’”, afirmou o documento.
Os norte-americanos formam o maior grupo de participantes da pesquisa (482), que é realizada anualmente, seguido pelo Reino Unido (354), Índia (145), Alemanha (135), Austrália (114) e Canadá (112). No total, 116 países tiveram representantes no levantamento. Do total, 1.394 estão envolvidos diretamente com negociações de carbono.
As expectativas de preço para o curto prazo são significativamente baixas comparadas com a pesquisa do ano passado. Apenas 13% dos respondentes esperam um preço de €25 ou mais para as permissões de emissão (EUAs – European Union Allowances) em 2010, abaixo dos 39% dos pesquisados em 2008.
O maior pessimismo está relacionado à crise econômica e às consequentes quedas nas emissões projetadas e na demanda por créditos de carbono. A redução nas emissões previstas para a União Europeia significa que mais empresas terão um excesso de EUAs para vender, enquanto poucas precisarão comprar.
Este fato foi fortemente comprovado pela pesquisa. O número de entrevistados que afirmaram precisar adquirir EUAs para cobrir suas emissões caiu de 37% em 2008 para 31% neste ano.
O percentual daqueles que possuem EUAs extras, por outro lado, aumentou em relação a pesquisa de 2008, passando de 15% para 24%. “Este número está de acordo com a brusca venda de EUAs vista nos últimos meses, uma vez que as empresas viram a produção e emissão futura caírem”, comentou a Point Carbon no relatório.
Paralelo à queda nas expectativas para os próximos anos, a confiança no mercado de carbono a longo prazo se mantém igual, baseando-se nas expectativas do preço das permissões para 2020. Entre os participantes, 45% esperam que as permissões alcancem o valor de € 35 ou mais em 2020.
Mercado de Carbono vai voltar aos trilhos, aponta pesquisa
Em: 7 de abril de 2009
Depois de ouvir mais de três mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente com negociações de carbono, a Point Carbon traçou um quadro das perspectivas de preços, novos esquemas e um acordo pós-Quioto
Redação
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