Mercado de eventos no Amazonas tem menor consumo

Em: 30 de novembro de 2023

O mercado de eventos e entretenimento no Amazonas, vai na contramão do boom registrado pelo  segmento nacional.  Enquanto a Abraape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos) aponta no acumulado entre janeiro e setembro de 2023 um saldo positivo de  34,8%, o hub setorial no Estado esfriou. A informação é da Asseeam (Associação de Entretenimento do Estado do Amazonas), ao destacar que o aumento de 30% na realização de eventos ainda fazem parte dos contratos que deixaram de ser cumpridos em razão da pandemia. 

“As agendas de shows estão sendo cumpridas ainda por produtores que fizeram contratos na pandemia e estão realizando agora e infelizmente sofrendo com a falta de poder de compra da população muito em razão do momento econômico que vive a federação co a desaceleração da economia brasileira”, informou o presidente da Asseeam, Gerson Sampaio. 

O empresário do segmento e vice-presidente da entidade, Evandro Júnior, confirma que o panorama no mercado local freou. “O que tá rolando muito hoje é barzinho, o pessoal vai mais cedo e volta mais cedo para casa. O consumo caiu muito. Aquele consumidor que gastava em torno de R$ 300, hoje, gasta R$ 100”.

Mudaram-se os hábitos de consumo. Muita gente chega mais cedo em alguns lugares como estratégia, diz ele. “Se a gente não fizer alguma promoção, as pessoas nem saem das suas casas. Então, eu senti que deu uma abaixada mesmo. Deu uma queda muito forte”.

Segundo o DJ, quem está no mercado há mais tempo já tem aquele público tradicional que está se mantendo, mas quem está chegando nesse mercado não está conseguindo se manter.  

Com base em dados do IBGE e Ministério do Trabalho realizados pela Abrape, o crescimento até setembro mostra que a empregabilidade do setor de eventos se confirma como o principal gerador de empregos no Brasil, sendo uma surpresa para todos mostrando que eles estão desenvolvendo um papel crucial na dinâmica econômica do país. Este tipo de setor vem abrangendo desde conferências e feiras até shows e exposições, proporcionando entretenimento e networking, e se revelando como uma fonte substancial de oportunidades de trabalho. Este fenômeno não deve ser subestimado, pois a geração de empregos é um indicador fundamental da vitalidade econômica do país.

Para o empresário Orsine Júnior, empresário amazonense ligado às atividades de turismo de eventos, o impacto desse  panorama no turismo é particularmente significativo. A indústria de eventos não apenas contribui para a criação de empregos diretos, mas também impulsiona setores relacionados, como a hotelaria, alimentação, segurança e transporte. “A realização de eventos atrai visitantes, gerando um influxo de turistas, que não só participam das atividades planejadas, mas também exploram a região em si. Além disso, eventos de grande escala têm o poder de projetar uma imagem positiva do país, atraindo a atenção internacional e estimulando o turismo regional e internacional. Essa exposição global reflete em nossa região, pois fortalece o turismo local, assim como, gera receitas significativas, alimentando diretamente a economia local e nacional”. 

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DJ Evandro Júnior: “quem está no mercado há mais tempo já tem aquele público e está se mantendo”

Contudo, é importante reconhecer que a sustentabilidade desse fenômeno depende de uma abordagem equilibrada. A qualidade e diversidade dos eventos, aliadas a políticas eficientes de promoção turística, são cruciais para manter o fluxo constante de empregos e benefícios econômicos para o setor. Essencial para a economia, este segmento foi incluído na lista de atividades que receberam tratamento diferenciado, na proposta de Reforma Tributária, apresentada e aprovada pelo Senado Federal, na última semana.

“Logo entendemos que os números do IBGE e do Ministério do Trabalho lançam luz sobre o papel fundamental da indústria de eventos como geradora de empregos no Brasil, destacando sua conexão intrínseca com o setor turístico. Ao reconhecer e nutrir essa relação, o país pode colher os benefícios econômicos e promover um ambiente propício para o crescimento sustentável”, disse ele. 

Outros dados

Em 2023, o processo de retomada no setor continuou. Os números do primeiro semestre foram colhidos pelo Radar Econômico da Abrape, o saldo acumulado entre janeiro e junho apontou um crescimento de 42,3% comparado ao mesmo período do ano passado. Foram geradas 12.438 vagas de emprego nos últimos seis meses, sendo 4.095 apenas no mês de junho.

Quanto ao consumo no setor, os números apontam uma estimativa de R$ 57 bilhões no primeiro semestre de 2023, o que ultrapassa o mesmo período de 2022, com um valor de R$ 49 bilhões. Junho foi o melhor mês desde 2019, com um índice de R$ 9,6 bilhões.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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