Mercado imobiliário cresce em Manaus

Em: 11 de maio de 2026
Vendas de imóveis verticais impulsionam setor, enquanto segmentos horizontal e comercial recuam no trimestre.

A indústria imobiliária do Amazonas se manteve aquecida no primeiro trimestre, mas foi puxada essencial pelos imóveis verticais, que bateram recorde para o período. O VGV (valor geral de vendas) chegou a R$ 637 milhões, e foi 23,93% mais encorpado do que o alcançado nos três meses anteriores (R$ 514 milhões), além de superar em 9,45% a marca de um ano atrás (R$ 582 milhões). Os imóveis de “padrão econômico”, financiados pelo MCMV (Minha Casa Minha Vida), protagonizaram 80% dos resultados, com 2.021 unidades vendidas. É o que revelam os Indicadores Imobiliários da Ademi-AM, divulgados em coletiva de imprensa, realizada na quinta (7).

Realizado em parceria com a empresa Brain Inteligência Estratégica, o estudo mostra, contudo, mostrou um cenário diferente para os demais segmentos. O faturamento dos imóveis residenciais horizontais (536 unidades), que já vinham oscilando em 2025, foi de R$ 114 milhões. Houve recuo de 8,80%, na variação trimestral, e um tombo de 38,71%, frente a igual intervalo do ano passado. Já as vendas de imóveis comerciais não passaram de 4 unidades, amargando quedas respectivas de 94,28% e 86,67%, nos ganhos do primeiro trimestre (R$ 2 milhões). Com isso, o VGV total do setor imobiliário amazonense somou R$ 752 milhões e cresceu apenas na virada trimestral (+11,74%).

De janeiro a março, Manaus registrou lançamento de quatro empreendimentos verticais, com 1.448 novas unidades, sendo 81,4% do MCMV e 18,5% de médio padrão. O volume foi 27,6% menor do que o do primeiro trimestre de 2025, em resultado atribuído ao ano eleitoral. A Ademi-AM ainda espera alta de 5% nas vendas de 2026, apesar dos obstáculos. A escalada da guerra no Oriente Médio já impacta nos custos de produção e nos preços imobiliários, em um contexto de juros e inadimplência em alta, e escassez de mão de obra. As apostas se concentram na manutenção dos investimentos e da demanda sustentada do Minha Casa Minha Vida – já operando em modo ampliado.

“A mudanças foram muito benéficas para o setor. O teto subiu de R$ 500 mil para R$ 600 mil e o teto de renda das faixas 1 e 2 também aumentou. Isso proporciona maior possibilidade para as pessoas poderem buscar seu primeiro imóvel. O déficit habitacional no Brasil continua alto e o Minha Casa Minha Vida é uma ferramenta fundamental. Principalmente para o mercado mobiliário de Manaus, onde a renda média da população é muito baixa e gira em torno de três salários mínimos. Sem esse subsídio, o mercado imobiliário de Manaus estaria em um patamar bem inferior”, afiançou o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Paulo Avelino, durante a coletiva.

 

Lançamentos, vendas, preços

O comportamento das vendas se refletiu no andamento da oferta. De janeiro a março, o mercado imobiliário não registrou nenhum lançamento de imóveis residenciais horizontais, ou comerciais. Apenas de unidades em empreendimentos verticais (1.448), sendo que a quantidade foi 36,15% menor do que a do último trimestre de 2025 (2.268) e 27,60% mais baixa do mesmo período do ano passado (2.000). O padrão econômico aumentou sua participação de 70% para 75%, na comparação com o trimestre anterior. Entre os imóveis lançados, 100% eram de dois quartos. Já as vendas abriram espaço também para unidades com três (5%) e quatro quartos (1%).

O Tarumã Açu, na zona Oeste, respondeu por 26,2% das unidades verticais vendidas. Na sequência estão Lago Azul (16,2%), situado na zona Norte; Parque Mosaico (11,9%), na zona Centro-Oeste; Novo Aleixo (11,3%), na zona Norte; Bairro da Paz (11,3%), na zona Centro-Oeste; Distrito Industrial (7,3%), na zona Sul; Ponta Negra (6,9%), na zona Oeste; Flores (3,4%), na zona Centro-Sul; Nossa Senhora das Graças (3,1%), também na zona Centro-Sul e Coroado (2,5%), na zona Leste. Em termos de lançamentos, o pódio é ocupado por Parque Mosaico (44,2%), Tarumã Açu (23,5%) e Nossa Senhora das Graças (18,5%).

O levantamento revela também que a evolução dos preços dos imóveis verticais acompanhou o crescimento do mercado. O valor médio do metro quadrado manauara foi de R$ 7.515, configurando elevação de 4,01% sobre o quarto trimestre de 2025 (R$ 7.225). Na comparação com o acumulado de janeiro a março do ano passado (R$ 6.597), o reajuste foi de 13,91%. A dinâmica foi diferente segundo tipologia. Na virada trimestral, por exemplo, unidades com dois (R$ 6.744 por metro quadrado) e três (R$ 9.088) quartos tiveram acelerações respectiva de 4,8% e 8,6% nos preços. Unidades de um quarto (R$ 12.442) ficaram 2,9% mais em conta, e de quatro quartos (R$ 14.466), 1,4% mais caras.

Lideranças do setor argumentam que o Minha Casa Minha Vida sustenta expansão imobiliária em Manaus.
Lideranças do setor argumentam que o Minha Casa Minha Vida sustenta expansão imobiliária em Manaus.

 

“Cenário desafiador”

As perspectivas da Ademi-AM são de um crescimento moderado em um “cenário desafiador”, graças ao impulso dos imóveis de padrão econômico e uma aguardada redução gradual da taxa de juros. O diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM ressalta que o setor imobiliário exige atenção do setor público para continuar crescendo. “A expansão imobiliária precisa ser acompanhada de investimentos em infraestrutura e serviços públicos. O que a gente espera é que isso possa acontecer antes dos empreendimentos ficaram prontos. Além disso, a escassez de mão de obra continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo setor atualmente”, destacou.

Indagado pelos jornalistas sobre a variação dos preços imobiliários, Avelino reforçou que os reajustes refletem a pressão da demanda e dos custos. “O mercado teve um incremento de 14% no último ano, em relação ao preço de venda média. O mercado é muito consumidor e o déficit habitacional ainda é significativo em Manaus, então há muita procura por empreendimentos do MCMV. Por outro lado, a gente vê também muita pressão nos preços dos materiais, principalmente em aço, cobre, alumínio e cimento. Há vários fatores externos impactando a cadeia de suprimentos e, desde a pandemia, não víamos aumentos tão significativos como os de agora”, justificou. 

Questionado sobre a inadimplência no setor, o representante da Ademi-AM confirmou que essa é um foco de preocupação entre os associados da entidade. “Temos visto recorrentemente programas do governo federal para contornar esse problema, como o ‘Desenrola. É um tema que nos preocupa bastante, tendo em vista que estamos sofrendo a pressão dos custos dos insumos e na falta de mão de obra. Isso tudo se culmina em eventuais reajustes, que podem gerar inadimplência. Está tudo interligado, mas a gente está observando o comportamento do dia a dia”, finalizou. 

 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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