Mercado imobiliário no Amazonas fecha o ano de 2019 com um faturamento de R$ 814 milhões em vendas, e registra um crescimento de 35% em relação a 2018. O otimismo com a economia e a expectativa de bons negócios animaram empresários locais que já preveem um aumento de 23% nas vendas no setor com uma receita de R$ 1 bilhão. Destaque para o aumento de 77% de vendas dos produtos convencionais, móveis que não recebem subsídio do governo. Os números foram divulgados ontem (04), pela Ademi-Am (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas).
Segundo a Ademi-Am, o cenário é reflexo da confiança do consumidor alinhado a juros mais baixos que foram resultados da recuperação da economia do país nos últimos meses. Segundo pesquisa realizada pela associação, em 2018, o setor obteve um faturamento de R$ 603 milhões. Em 2017, as receitas foram de R$ 517 milhões, indícios que o mercado demonstra sinais de crescimento gradativo.
“As vendas dos produtos convencionais foram maiores. São números a serem comemorados, porque a gente percebe que os números do estoque da cidade começam a ser modificados e novos lançamentos começam a tomar conta do mercado. A confiança do empresário e do consumidor tem aumentado de forma expressiva. As condições dos créditos imobiliários estão boas. Pagar 6% ao ano de juros é algo que nunca imaginávamos que iria acontecer. Quando se tem inflação baixa e juros baixos ofertado pelos bancos, você cria um ambiente de confiabilidade e encoraja o consumidor a compra um imóvel”, explicou o diretor da CII (Comissão da Indústria Imobiliária) da Ademi, Henrique Medina.
Na percepção do presidente da RD Engenharia Romero Reis, o mercado já vinha mostrando sinais de recuperação na metade do segundo semestre do ano passado. Ainda que de forma cautelosa, os dados positivos têm aberto um caminho otimista de crescimento e novas perspectivas de novos investimentos. “Temos percebido essa melhora, ainda que pequeno, mas positivo. A expectativa é que esses números positivos se mostrem concretos para novos investimentos”, ressaltou.
Na visão do empresário Ricardo Benzecry do grupo Platinum, apesar do resultado positivo de 2019, os bancos tem se mostrado bastante cautelosos em investir no fomento da produção. Isso tem motivado as instituições financeira a focar mais no financiamento de imóveis prontos. Com esse cenário, o mercado oferece outras alternativas de investimentos mais atrativos para as agências financiadoras e para o próprio consumidor.
“É uma tendência que já acontece nos Estados Unidos e no Brasil tem se iniciado agora. A construção acaba gerando um certo risco ao banco e o imóvel pronto o risco é praticamente zero.. Por isso o mercado criou alternativas, como a construção do condomínio, onde as despesas são divididas entre todos os interessados daquela unidade ou edifício. É uma forma que funciona como cooperativa, onde os riscos e os custos são menores. E para o consumidor final esta forma é muito mais interessante, porque ele divide o valor real da obra e não há encarecimento do produto”, disse.
Distratos
Outra notícia que animou o setor foi a queda dos distratos – acordo pelo qual as partes põem fim a um contrato de venda de imóvel – que há três anos vem mostrando uma redução. Em 2017, 47% das vendas no mercado voltaram para as construtoras. Em 2018, o percentual caiu para 35% e ano passado fechou com 25%. Na análise de Medina, a mudança de percepção do consumidor nos últimos anos em relação à compra de um produto imobiliário tem sido uma das causas da queda dos distratos.
“É importante falar da queda do distrato que vem ocorrendo desde 2017. A queda dos distratos acontece por vários motivos: o cliente hoje conhece mais o mercado e é mais profissional. Quando ele vai procurar um imóvel ele já fez pesquisa de mercado, analisou na internet, nos jornais, na televisão e já estudou aquilo tudo. Então, ele é um consumidor muito mais seguro. A outra coisas é lei do distrato que dá mais confiança ao incorporador e ao consumidor”, destacou.
Lançamentos
De acordo com a pesquisa da Ademi-Am, o ano de 2019 registrou um aumento de empreendimentos. A partir do segundo trimestre de 2018 o número de lançamentos se intensificou, fechando o quatro trimestre de 2019 com 16 empreendimentos lançados, com um total de 4.841 unidades. No segundo semestre de 2016 até o quarto trimestre de 2017, foram lançados na cidade de Manaus 6 empreendimentos, com um total de 2.490 unidades. Produtos do “Minha casa, minha vida” teve um aumento de vendas de 8% em relação a 2018.
No 4º trimestre o bairro com a maior VSO (venda sobre oferta) de unidades residenciais foi o Lírio do Vale com 86,7%. Devido ao saldo final com vendas negativas, o bairro com menor VSO líquido foi o Tarumã-Açu com – 2,9%. Para Medina, 2019 foi um ano relevante para o mercado imobiliário, pois além do aumento nas vendas, também houve um crescimento de 30% de produtos lançados. “Em anos anteriores os produtos mais vendidos era do programa Minha Casa, minha Vida, por serem produtos mais baratos e primeira moradia; e em 2019 já percebemos uma mudança, os produtos convencionais foram maiores”, disse.
Ascensão do setor em 2020
Segundo dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), no terceiro trimestre de 2019, houve um aumento de 23,9% no volume de lançamentos no país, na comparação ao mesmo período de 2018. As vendas acompanharam o crescimento com uma alta de 15,4% no mesmo período.
Segundo o especialista em direito imobiliário, Márcio Nassif, a queda histórica na taxa Selic teve reflexo direto nas taxas de financiamento dos bancos, fato que que animou o mercado. "A Selic caiu de 14,5% para 4,5%, o que possibilitou a queda das taxas dos juros e facilitou a aquisição de imóveis. Junto a isso, o mercado reaqueceu, os investidores começaram a ter mais confiança na economia do país após as reformas. É um cenário favorável", explica.
Outras alavancas ajudam. Como a criação da modalidade de crédito imobiliário indexado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "Há uma grande procura por esse tipo de financiamento pelos correntistas da Caixa Econômica Federal e agora pelos do Banco do Brasil, já que eles lançaram um produto similar", exemplifica Nassif. Em março de 2020, ainda haverá o lançamento de um produto de crédito pré-fixado, ou seja, sem correção, com parcela fixa, modalidade que já ocorre nos Estados Unidos e em países da Europa e Ásia.
Na análise de Nassif, a ascensão do mercado ainda fomenta formas diversificadas de investimentos, como os fundos imobiliários CRI’s (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e a LIG (Letra Imobiliária Garantida), inspirada nos covered bonds. "São aplicações financeiras atreladas ao mercado imobiliário, com dupla garantia do banco e do fundo, e isenção de imposto de renda para pessoa física. Nesse ponto, o rendimento líquido pode ser bem atraente se comparado a outras aplicações, já que CDB, fundos e títulos públicos são taxados de acordo com a tabela regressiva", avalia.







