Economia vai crescer em 2022, diz Merched Chaar

Em: 31 de janeiro de 2022

O presidente da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), José Merched Chaar, aposta que 2022 será o ano da recuperação da economia, apesar de vivermos um novo ciclo de contágios pelo coronavírus. Para ele, as expectativas de crescimento são boas para a maioria dos segmentos econômicos, ao contrário do período das duas ondas pandêmicas que se abateram sobre a região.

“Esse vírus é menos letal. Propaga-se com muita velocidade, mas não teremos aquele quadro tão angustiante com tantas mortes, num cenário de guerra em que as pessoas eram enterradas em valões”, avalia Merched. “Agora, não. Isso vai passar logo”, acrescenta ele.

Merched diz que o cooperativismo avançou muito na região. O agronegócio se expande a cada dia, os projetos de infraestrutura e o setor de transporte também. Segundo ele, esses segmentos praticamente não pararam durante a crise, corroborando para manter as atividades essenciais à população.

Hoje, o agronegócio responde pela maioria do PIB brasileiro. São 17 milhões de pessoas que formam praticamente esse contingente no Brasil. No Amazonas, existem pelo menos 15 mil famílias que se dedicam à agricultura familiar, possibilitando, inclusive, ao Estado cultivar uma nova variedade adaptada de café que produz até quatro vezes a mais que algumas cultivadas em São Paulo, ressalta José Merched.

“A Embrapa desenvolveu essa variedade de café. Aumentamos a produção e comercializamos praticamente tudo aqui mesmo. E as empresas compram”, diz. Merched afirma que, hoje, o crédito está impulsionando a produção do agronegócio. Os cultivos estão mais diversificados. O segmento também tem se voltado para o interior do Estado.

Regiões, como no município de Guajará, um dos mais distante de Manaus, têm se beneficiado desses novos financiamentos, dando mais condições aos agricultores para alavancar a produção no campo. “Hoje, estamos em praticamente todos os municípios, levando auxílio aos agricultores para dinamizarem os cultivos. São pessoas que vivem da terra. E o nosso principal objetivo é contribuir para um Brasil melhor para nossos filhos, para todos”, afirma ele.

José Merched participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

A pandemia trouxe muitas dificuldades para o cooperativismo. Que análise faz sobre esse panorama?

Sim, realmente, mas conseguimos crescer mesmo com todas as dificuldades. De sete segmentos, quatro deles se expandiram, principalmente o setor agropecuário. Houve expansão na infraestrutura envolvendo a questão da produção de energia.

Os créditos também cresceram – houve uma expansão de pelo menos 20% nos financiamentos. Isso auxiliou para que outros ramos, como o de transporte, pudessem pegar carona nesse sentido.

Se há dinheiro, automaticamente há crescimento. O segmento de cargas cresceu porque tinha que transportar os produtos da lavoura. Não houve interrupção no setor produtivo.

Infelizmente, janeiro sempre vem carregado de sombras. Agora, vemos o crescimento da variante ômicron. Como estão enxergando esse momento, preocupa realmente?

Sim, preocupa, temos o segmento de saúde para atender às pessoas que ficam doentes. Foi um dos mais convocados porque triplicou o número de usuários que precisavam de serviços. Temos que atender ao usuário na hora que ele precisa.

A gente sabe que essa onda vai acabar logo porque, felizmente, essa variante ômicron não é tão violenta, não é tão letal quanto as anteriores. Com isso, esperamos que todo mundo atinja a imunidade de rebanho.

Para as companhias aéreas voltarem a trabalhar. Para que nossos turistas voltem. Só tem que ter um pouco de paciência. Acho que vai passar logo. Apostamos na recuperação da economia em 2022. Claro que há controvérsias, mas eu tenho a perspectiva que vamos crescer em todos os segmentos.

No Brasil, sabemos que as microempresas e os pequenos negócios são os que mais geram empregos. Como estão hoje as compras em relação ao governo e a outros poderes?

As empresas que fornecem ao governo do Estado sofreram um abalo, como a questão da merenda. As escolas pararam, mas felizmente tivemos um apoio, e entregamos alimentos na casa dos alunos

É muito importante essa medida tomada pelo governo do Estado porque minimizou o prejuízo. Através de um mutirão, passamos a entregar direto na casa dos alunos. A realidade no Brasil é diferente. Muitos não têm o que comer e contar com esses serviços é essencial. Agora, esperamos que tudo volte ao normal, com tudo funcionando.

Mas hoje é muito diferente a situação. Temos mais número de casos, mas não letais. E a perspectiva é boa. O agronegócio tem 17 milhões de cooperados, com agricultores trabalhando. Aqui, temos em torno de 15 mil famílias na agricultura familiar, mas que não têm o poder de entrar na guerra da exportação.

Estamos trabalhando em gestão para que a gente possa melhorar essa competitividade. Vamos crescer, sim.

A energia solar vem se popularizando. Antes falavam em altos investimentos, mas hoje o segmento está se impulsionando e gerando empregos. Como avalia essa questão?

Temos hoje cerca de 600 comunidades que não dispõem de energia solar no Estado do Amazonas. Qual é a alternativa? Levar esses cabos para essas  localidades numa região tão continental é inviável.

Então, a saída é a energia fotovoltaica, a energia solar, através de painéis organizados de forma coletiva em usinas. Hoje, sou presidente de uma cooperativa de produção de energia fotovoltaica.

Já temos cinco usinas. É um investimento que tem retorno. Se você fizer um investimento de 50 mil reais em energia solar, por exemplo, paga tudo isso em cinco anos. E tem-se 18 anos para usufruir dessas placas e nem se preocupar com manutenção.

Com isso, nós vamos minimizando essa situação de falta de energia. Pagávamos mil reais por mês, agora baixou para 200 reais.

Não precisa colocar mais as placas no telhado, pode usufruir dos benefícios?

Sim, você coloca as placas todas num lugar só, pode ter cinco imóveis utilizando. Evidentemente que o custo é distribuído entre os cooperados. Sai em torno de 200 reais por mês pra quem antes tinha uma despesa de 2 mil reais.

Durante muito tempo, o cooperativismo travou uma verdadeira luta para avançar na legislação. Como está hoje essa bandeira, já progrediu muito?

Avançamos muito. Foi uma árdua luta para que conseguíssemos colocar na Constituição pelo menos cinco artigos que regulamentam o cooperativismo no País. Íamos de porta em porta no Congresso pedir para os constituintes atenderem às nossas demandas.

Um dos que nos ajudaram bastante foi o relator da Constituinte, o então deputado federal Bernardo Cabral, que regulamentou o cooperativismo. Foi um marco na nossa história.

Com isso, passamos a trabalhar dentro da legalidade e pudemos crescer. Mas nem todos atenderam aos nossos pedidos, mas no final, o dr. Ulisses Guimarães aprovou como foi proposto por Bernardo Cabral

Hoje, temos a Frente Parlamentar do Cooperativismo para defender os interesses, não sermos atropelados pelos tubarões. Temos o apoio dos políticos e, principalmente, da lei para crescer. Por exemplo, queriam cobrar ICMS de energia solar, mas conseguimos anular. Imagine, a gente não pode taxar o sol. Temos uma sala na Assembleia Legislativa para tratar desses assuntos.

Vocês têm perspectivas de entrar em outros setores…..?

O nosso maior desafio é manter o equilíbrio e a gestão nesse momento. Precisamos de profissionais. Não se pode fazer o negócio crescer sem ter um bom profissional. O grande desafio é a gestão do cooperativismo.

Temos que reciclar o cooperativismo trazendo profissionais de outras áreas que conheçam os negócios. Para a gente competir de igual para igual. Estamos criando cursos de graduação para isso.

Além da pandemia, vemos a questão da cheia, da estiagem. Como está a atividade agrícola?

Estamos conseguindo triplicar a produção primária de nosso Estado resolvendo problemas que vêm desde a época da borracha. Temos que ter o seguro real. Ninguém está livre de uma cheia ou de uma seca.

Temos que contar com o financiamento na hora que vamos trabalhar. O financiamento na hora certa. Ter o seguro, com apoio principalmente de extensão. Temos a orientação do Idam, Sepror, Federação da Agricultura, que é uma grande parceira.

A gente cresce e minimiza o investimento. Estamos com essa atitude, racionalizando os investimentos, e está dando resultado. Hoje, estamos produzindo café e compram tudo. A Embrapa nos deu uma variedade que se adaptou bem à região.

E a produtividade é grande e quatro vezes maior que algumas variedades cultivadas em São Paulo.

Qual é o olhar, hoje, para o interior do Estado, como em Manacapuru e outros municípios mais fortes?

O crédito chegou em Guajará, no Amazonas, um dos mais distantes de Manaus. Então, onde o crédito chega para a cooperativa, o setor primário cresce. O pessoal vive da produção da terra.

Já chegou em Manacapuru, Itacoatiara, Rio preto da Eva, Humaitá e outros. E isso é desenvolvimento. O recurso que o agricultor precisa sem burocracia. Hoje, temos o melhor secretário de Produção dos últimos anos.

Espera-se que 2022 seja de recuperação econômica. Estamos num ano eleitoral. Como o cooperativismo regional vê essa disputa política que deve ser muito acirrada?

Não temos um partido. Nosso partido é o cooperativismo. Se o candidato traz benefícios para os segmentos, o cooperativismo ficará com as portas abertas. Pretendemos crescer com ordem, seriedade e transparência.

Queremos um Brasil melhor para os nossos filhos, para todos.Isso é o que nós queremos. O verdadeiro progresso. Se Deus quiser, nós cresceremos juntos.

Marcelo Peres

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