Safra de café no Amazonas deve manter patamar de 2021

Em: 31 de janeiro de 2022

A Conab calcula que a safra de café do Amazonas deve totalizar 75,2 mil sacas beneficiadas, em 2022. Caso a estimativa seja cumprida, será o mesmo resultado do ano passado, embora configure um patamar mais de dez vezes superior ao de 2018 (7.000 sacas) – a Companhia Nacional de Abastecimento não disponibilizou os dados de 2019. A previsão para a produção total das variedades arábica e conilon também é a mesma de 2021 para a área total (4.145 hectares) e produtividade (18,1 sacas por hectare), mas bem superior aos números de quatro anos atrás (503,8 ha e 13,89 sc/ha). 

O primeiro levantamento da estatal para a safra de café deste ano aponta o Estado como único caso de estabilidade, ocupando o penúltimo lugar em um ranking que reúne dez unidades federativas, e ficando à frente apenas do Paraná (-20%). Em contraste, os melhores prognósticos vêm de São Paulo e Minas Gerais (ambos com +21,9%). A expectativa é que o volume total de café produzido em solo nacional, ao longo de 2022 totalize 55,74 milhões de sacas de 60 quilos, 16,8% a mais do que em 2021 (47,72 milhões) – que foi de queda. A previsão ainda está abaixo da safra recorde de 2020 (63,08 milhões).

A Conab aponta que o café conilon deve somar 44,6 mil sacas beneficiadas no Amazonas, em uma área total de 2.145 hectares, registrando produtividade de 20,8 sacas por hectare. A expectativa para a sabra brasileira de café conilon é de um novo recorde (17 milhões sacas) e aumento de 4,1% em relação à safra anterior. O resultado combina a elevação da área plantada estimada em 3% (389,1 mil hectares) e melhora na produtividade de 0,4% (43,6 sc/ha). O destaque vem do Espírito Santo onde está a maior área destinada à espécie no país. 

A produção amazonense de café arábica está avaliada novamente em 30,6 mil sacas beneficiadas, cobrindo uma área de 2.000 hectares, em meio a uma produtividade de 15,3 sacas por hectares. As lavouras de café arábica de todo o país devem ganhar acréscimo de 23,4% e chegar a 38,7 milhões sacas. Mas, de acordo com a Conab, o resultado ficará abaixo do potencial, em razão de condições climáticas adversas – estiagem e as geadas registradas principalmente entre julho e agosto de 2021. Os cafezais mais afetados foram os de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

A mais recente sondagem da Conab para a safra de café informa ainda que o parque cafeeiro total do Amazonas soma 5,30 milhões de covas, sendo 1,02 milhão de covas em formação e 4,28 milhões de covas em produção. De acordo com o levantamento, praticamente toda a oferta vem do café arábica. A colheita é esperada para período entre abril e julho deste ano, com média de 18,8 mil sacas por mês.

Agro Amazonas

Texto distribuído pela assessoria de imprensa da Sepror aponta que atua com mecanismos de incentivo aos cultivos em escala, com apoio no escoamento, transporte, comercialização implantação de unidades de observação a serem desenvolvidas pelo Idam. Para 2022, um dos meios para alavancar a produção é a aquisição de mudas, a serem distribuídas aos municípios com potencial para a cultura. Outro incentivo é o investimento na qualificação dos produtores rurais e o fomento a novas tecnologias.

“Todo esse crescimento do café no Amazonas se deve aos nossos produtores, rurais que estão acreditando no cultivo. E também ao bom preço pago pelo mercado, principalmente a agroindústria existente em Manaus. O governador Wilson Lima incluiu essa cadeia produtiva como prioridade no fomento do programa Agro Amazonas, inclusive com fornecimento de mudas melhoradas geneticamente”, declarou o titular da Sepror, Petrucio Magalhães Júnior, no mesmo texto.

A Sepror aponta que uma das ações do programa estadual Agro Amazonas para fortalecer a cadeia produtiva do café de forma sustentável foi o apoio à compra do primeiro lote de café clonal amazonense, realizada pela indústria de Café 3 Corações (1,8 toneladas de café conilon), em 2019. Cita também que o curso de Café Clonal, realizado em parceria com a Embrapa, durante a edição da Expoagro de 2021, que capacitou 45 produtores rurais de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Rio Preto, Itacoatiara e Manacapuru. 

Outra ação foi a assinatura do termo de convênio de R$ 50 mil, que viabiliza a aquisição de 8.000 mudas de café conilon BRS Ouro Preto, por meio da ASA (Associação Solidariedade do Amazonas), beneficiando 407 produtores e agricultores familiares. “Essa emenda irá ajudar as famílias a se tornarem independentes do uso de carvão e, até mesmo, evitar o desmatamento das florestas. Agora, temos tecnologia para recuperar essas áreas, com produções de cafezais”, contou o produtor de Silves, Roque Lins, no mesmo texto da assessoria da Sepror.

Licenciamento ambiental

Em seu blog, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, assinala que o crescimento gradual da safra de café do Estado é fruto do envolvimento de “muitas pessoas”, em especial o agricultor que acredita no Amazonas, na ciência, nos pesquisadores e no apoio de órgãos e técnicos do poder público, a exemplo do Idam e da Embrapa.

“Isso mostra que o agronegócio familiar e empresarial é altamente viável em nosso Estado. Aliás, este setor já tem uma cooperativa forte no Rio Preto da Eva e uma indústria local que compra tudo”, comemorou. “Só precisamos de união para destravar o ZEE [Zoneamento Ecológico-Econômico], a regularização fundiária e o licenciamento ambiental. Não tenho dúvida que a rodovia AM-010, importante estrada para escoar essa produção de café, com apoio do Idesam [Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável], vai ficar igual a AM-070”, emendou.

“Cotação valorizada”

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, ressaltou que a cultura do café tem despertado interesse de produtores rurais de “vários municípios”, principalmente com a perspectiva de “boa rentabilidade” e cotação valorizada do produto. O dirigente acrescentou que vários eventos técnicos sobre a atividade vêm sendo realizados nos últimos anos, a exemplo de dias de campo promovidos pela Embrapa e instituições técnicas, seminários e até missão técnica a Rondônia.

“Atualmente, Silves, Apuí e Itacoatiara são os principais produtores. A cultura do café apresenta potencial de crescimento no Estado, principalmente pela segurança tecnológica para a atividade, a partir das pesquisas e experimentos já realizados pela Embrapa. Além disso, a maior indústria de café do Brasil tem uma planta de produção sediada em Manaus, voltada para fornecimento para os mercados do Amazonas e de Roraima. A empresa está comprando café de outros Estados, mas já demonstrou interesse em adquirir produção local”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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