Jornal do Commercio – Como está a atuação do banco no Estado?
Abidias José de Souza Junior – O Banco da Amazônia é responsável por 76% de todo o crédito de fomento praticado no Amazonas. Ou seja, de todos os bancos que atuam com fomento, a cada R$ 100 aplicado, R$ 76 são oriundos do Banco da Amazônia, enquanto os R$ 24 restantes vem dos demais bancos.
JC – Essa performance foi obtida por meio de que?
Abidias Junior- Há mais de dois anos, quando assumi a direção do Banco da Amazônia, reuni com as lideranças políticas empresariais do Estado e, naquela oportunidade, foi cobrada a presença mais efetiva do banco no Amazonas. Na oportunidade, garantimos que muito dos números seriam alavancados de maneira exponencial e foi o que aconteceu. Em 2007, o banco aplicava pouco mais de R$ 120 milhões no Estado. Neste ano, vamos terminar com mais de R$ 500 mil, um crescimento quatro vezes maior em relação a 2007. De 2007 (R$ 120 milhões) para 2008 (R$ 420 milhões) crescemos 250%. Mesmo num momento de crise, quando houve uma retração muito forte dos investimentos, o banco conseguiu crescer 22% de 2008 (R$ 420 milhões) para 2009 (R$ 500 milhões).
JC – Qual o valor a ser aplicado em 2010?
Abidias Junior – O banco quer aplicar mais de R$ 750 milhões no Amazonas em 2010, por intermédio do financiamento de projetos que geram desenvolvimento no Estado. Esse valor contra os R$ 500 milhões de 2008 representa alta de 50% nas fontes totais. Para que isso aconteça, é preciso que os empresários já se movam desde agora, façam reflexão sobre a necessidade de crescimento, de atualização de suas plantas para fazer os investimentos.
JC – Qual a sua avaliação sobre o panorama econômico?
Abidias Junior – A economia do país está cada vez mais sólida, transmitindo confiança para o empresariado. Existe disposição do governo, economia forte, os fatores macroeconômicos recomendam crescimento. Em momento de juros baixos há uma retração na poupança para consumir.
JC – Como estão as aplicações na agricultura familiar?
Abidias Junior – Crescemos de maneira exponencial, mais de 300%, se compararmos janeiro a setembro de 2008 ante a igual período em 2009. Atualmente, temos aplicado R$ 35 milhões na agricultura familiar. Em micro e pequenas empresas também tivemos um aumento acima de 100%.
JC – Quais as novas linhas de financiamento?
Abidias Junior – Para poder fazer frente às necessidades dos empresários no momento agudo da crise econômica, quando faltou dólar, o banco criou uma linha com recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte) para clientes exportadores, em real, visando suprir as necessidades de capital para formação de estoque. Depois, criamos uma linha de capital de giro para grandes empresários e terminamos criando também uma linha de capital de giro para micro e pequenas empresas com recursos do banco e parte do FNO, com uma taxa de juros de pouco mais de 0,5% ao mês.
JC – Qual a avaliação que o senhor faz do Amazonas?
Abidias Junior – É um Estado com condição econômica extremamente feliz, que cresce mais do que todas as regiões do país e isso está possibilitando sair da crise mais cedo. Vejo isso pela provocação que temos de negócios que é superior aos demais Estados da área de atuação do banco, fazendo com que os recursos que estavam sendo disponibilizados para cá fossem insuficientes. Estamos buscando recursos de outros Estados que não conseguiram aplicar para poder fazer frente às demandas do Amazonas.
JC – Quais os Estados de abrangência do banco?
Abidias Junior – Abrange a Amazônia legal, porém o FNO, que é o principal recurso do banco, somente atende a região Norte.
JC – Dos Estados de abrangência do banco o Amazonas é o mais promissor?
Abidias Junior – Vejo a economia amazonense como a mais promissora, forte, ascendente, que hoje está tendo uma política responsável no gerenciamento do PIM (Polo Industrial de Manaus), que tem possibilitado esse crescimento. A gente acredita que o Banco da Amazônia, em parceira com a Suframa, pode estar alavancando, mas não temos que olhar somente Manaus e o PIM. Temos que ver o desenvolvimento do interior, gerar emprego e renda para a população das demais cidades. É por isso que a agricultura familiar e a micro e pequena empresa estão fazendo uma diferença significativa. O banco quer trabalhar de maneira muito efetiva com os vários parceiros para poder ter esses braços e chegar ao interior com maior intensidade.
JC – No caso do interior, qual dos Estados de abrangência do banco se destaca na agricultura familiar?
Abidias Junior – Não podemos colocar o Amazonas como o principal destaque, porque o Estado tem uma política de preservação, o que é muito legal. O Amazonas vai começar a ganhar dinheiro justamente com a preservação. Vai começar a ter crédito de carbono, fazer projetos importantes de manejo. O governo federal liberou linhas via FNO que vão ao encontro da proposta do governo do Amazonas de preservar a floresta, gerar riqueza, receita e emprego para a população.
JC – O governo do Estado está empenhado nessa proposta?
Abidias Junior – O governador Eduardo Braga está se empenhando de forma efetiva, vai possibilitar de imediato conseguir recursos. Alguém vai pagar por essa preservação, esse é um discurso que está sendo trabalhado. Existe uma coesão dos governadores dos Estados da Amazônia Legal nessa direção, o importante é que o Banco da Amazônia vai participar disso, inclusive tem até uma linha para quem desmatou além da reserva legal.
JC – Que linha é essa?
Abidias Junior – O governo federal está possibilitando, através do FNO Biodiversidade, fazer a recomposição da reserva legal ao custo de 4% ao ano. Se pagar em dia, ainda tem um rebate de 15% que vai dar 3,4% ao ano. Por isso, não dá para comparar carteira da agricultura familiar do Amazonas com a do Estado de Tocantins, por exemplo, porque lá tem uma área de serrado muito forte que poder estar fazendo uma reserva legal bem diferente do que é a daqui, o que permite que haja maior aplicação de recursos para esse segmento.
JC – Em linhas gerais, qual o município que recebe mais investimentos?
Abidias Junior – Manaus capitania a maior parte dos recursos, porque tem grandes industrias e o Banco da Amazônia é o grande financiador de grande parte do setor.
JC – Além da indústria, quais outros setores têm grandes projetos aqui?
Abidias Junior – Os principais projetos de energia têm participação do Basa, a exemplo das grandes termelétricas que foram criadas no Estado. Recentemente o banco aprovou dois projetos importantes para a região; um para formação de capital intelectual para duas faculdades que querem expandir. Outro projeto financiado é de uma fábrica de pneus para atender o setor de motocicletas e de bicicletas. Toda borracha será oriunda da agricultura familiar dos pequenos agricultores do Amazonas e Acre. Tem em andamento financiamento para hotéis, academias, etc.
JC – Como o senhor avalia os projetos apresentados ao banco?
Abidias Junior – O próprio crescimento apontado da carteira do banco já mostra que a originação de novos projetos aconteceu numa dinâmica muito forte. Saímos de R$ 100 milhões e estamos falando em aplicar R$ 500 milhões. Fica evidenciado que houve crescimento. Ao mesmo tempo, o banco se organizou, melhorou a maneira de analisar e o tempo de resposta, resultando num comprometimento com os clientes para poder fazer as contratações. Não adianta ter só o recurso. É importante ter bons projetos, qualificados, responsáveis com viabilidade econômico-financeira, visando o desenvolvimento da região. Que esse recurso volte depois para o fundo e que todos paguem corretamente a fim de que o banco possa estar incentivando novos investimentos.
JC – A qualidade dos projetos apresentados melhorou?
Abidias Junior – Precisa fazer um treinamento ainda mais efetivo com os projetistas para que os projetos não fiquem no vai e volta. O importante é que sejam apresentados de maneira correta, atendendo todas as necessidades para que a gente possa dar um tempo de resposta e contratar o mais rápido possível.
JC – Como está a inadimplência?
Abidias Junior – A do Estado é a menor da carteira de clientes do banco, mas pode melhorar.







