Micros querem ter acesso ao crédito

Em: 4 de junho de 2008
A grande maioria dos pequenos negócios atuam na informalidade, o que dificulta fazer empréstimos.
A grande maioria dos pequenos negócios atuam na informalidade, o que dificulta fazer empréstimos.

Pesquisa realizada pelo BB (Banco do Brasil) com 4.000 empreendedores informais durante a primeira etapa do Mutirão da Cidadania Empresarial em 2007, constatou que a principal dificuldade enfrentada pelas micro e pequenas empresas que atuam na informalidade é a falta de recursos para a ampliação do empreendedorismo. A pesquisa apontou que 45% dos empreendedores informais querem se formalizar para ampliar o seu empreendimento, e 20,6% tem dificuldades em conseguir crédito.
A microempresária do ramo de confecções e variedades, Natalice Lages, confirma a estatística. Ela, que participou da segunda etapa do Mutirão da Cidadania Empresarial do Amazonas realizado no último dia 28, disse que procurou o evento para conseguir informações sobre os procedimentos necessários para legalizar e expandir os seus negócios.
“Não ter apoio necessário é muito difícil para um empreendedor. Tenho dificuldades em conseguir crédito para expandir minha loja, e através das informações adquiridas no mutirão vou formalizar o meu negócio o mais rápido possível para aumentar lucro e aumentar os projetos que envolvem o meu empreendimento”, disse Natalice Lages.
Também presente no Mutirão da Cidadania, a microempresária que atua no ramo de lanchonete, Léa Maria, disse que os limites de créditos são inacessíveis para os empresários não formalizados. “Eu e minha família dependemos do meu lanche para viver, e como sou empreendedora informal tenho que arcar com todos os gastos e prejuízos do meu estabelecimento. Todo o investimento que faço no meu lanche tem que ser pago à vista pelo fato de eu não possuir um limite de crédito, e nem todas as vezes disponho de recursos para pagar as despesas”, disse.
Com as informações que o evento proporcionou aos visitantes, foram esclarecidas as principais dúvidas dos presentes no local, que têm dificuldades em conseguir financiamentos para expandir sua microempresa.
O analista do BB, Adelson Dantas, informou que o recurso disponível para o empreendedorismo é ilimitado, e que para obter as linhas de crédito disponíveis pela instituição os empreendedores devem atender as exigências que o banco faz para liberar o crédito.
As linhas de crédito disponíveis pelo banco são: BB Giro rápido, Desconto de cheques, Antecipação de créditos aos lojistas, Proger urbano empresarial e Cartão BNDES.
O BB informou que na análise feita para o microempresário adquirir crédito para financiar o seu empreendedorismo, são avaliados tempo de existência da empresa, a atividade econômica, a capacidade econômica do empreendedor e seus sócios, e experiência no Sistema Financeiro Nacional.
Ao formalizar sua empresa, o empreendedor pode se beneficiar de incentivos fiscais, participar de concorrência publica, solicitar empréstimos financeiros em instituições financeiras e de desenvolvimento.
Cerca de 500 atendimentos foram realizados na segunda etapa do Mutirão da Cidadania Empresarial do Amazonas realizado na semana passada pelo Banco do Brasil em parceria com a Fenacom (Federação Nacional das empresas de Serviços Contábeis), Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Sebrae e Receita Federal.
Várias instituições realizaram palestras para os empreendedores ilegais que se encontravam no local. A Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas) abordou a legalização e formalização das micro e pequenas empresas. O tema da palestra ministrada por representantes do Simpi/AM (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Amazonas) foi a administração financeira. Manaus empreendedora foi o tema da palestra da Semdel (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), a Receita Federal ressaltou a importância da educação fiscal para a cidadania, e a Fampeam (Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) abordou utilidades do setor contábil.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar