Militares participam de palestra sobre prevenção à violência

Em: 7 de abril de 2008
Além dos esclarecimentos quanto à lei, uma equipe de assistentes sociais apresentou os procedimentos e o modo como ocorre o atendimento às mulheres vítimas da violência doméstica
Além dos esclarecimentos quanto à lei, uma equipe de assistentes sociais apresentou os procedimentos e o modo como ocorre o atendimento às mulheres vítimas da violência doméstica

Os casos de crimes contra mulheres envolvendo militares da esfera estadual veiculados na imprensa local recentemente alertaram as autoridades do Poder Judiciário do Amazonas. Para combater o problema e promover a educação, o TJAM (Tribunal de Justiça) promoveu a palestra “Lei Maria da Penha, Violência Doméstica” para policiais militares e bombeiros.
O evento, que reuniu cerca de 200 militares, foi apresentado pelo assessor jurídico da Vara Maria da Penha, Luciano Ralo, e pela diretora do Departamento de Direitos Humanos da SEJUS (Secretaria de Estado da Justiça), Fabíola Ghidalevich.
Além dos esclarecimenos quanto à lei, uma equipe de assistentes sociais apresentou os procedimentos e o modo como ocorre o atendimento às mulheres vítimas da violência doméstica.
Para a juíza titular da Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Vara Maria da Penha), Carla Reis, o militar precisa conhecer a legislação em foco para poder exercer seu trabalho. Segundo ela, é preciso ressaltar também que muitos policiais e bombeiros estão na condição de marido e por isso, o evento atuará em duas frentes. “Nosso objetivo é esclarecer a lei para que eles possam prestar o auxílio adequado no atendimento a casos de violência doméstica contra a mulher. Os policiais são responsáveis por fazer cumprir a lei, portanto eles também precisam ser exemplos para a sociedade”, disse.
O ajudante de Ordens da Corregedoria Geral de Justiça, capitão PM Francisco Moisés Olímpio, destacou a importância da iniciativa, que, para ele, visa antecipar-se aos problemas. “O Poder Judiciário tem que ser proativo, não apenas repressivo”, disse.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentre as várias mudanças promovidas pela lei está o aumento no rigor das punições das agressões contra a mulher.

Lei altera Código Penal brasileiro

O nome da lei é uma homenagem a Maria da Penha Maia que sofreu agressões do marido durante seis anos. Na primeira vez, ele atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002, hoje está livre.
O episódio chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) e foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Hoje, Maria da Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da APAVV (Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência), no Ceará. Estava presente à cerimônia da sanção da lei junto aos demais ministros e representantes de movimentos feministas.
A lei altera o Código Penal brasileiro e possibilita que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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