Segundo informações do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), do Ministério de Minas e Energia, até agora, houve muita especulação e pouca notícia concreta quanto aos efeitos danosos da crise financeira mundial aos projetos de mineração na Amazônia. O órgão se justifica apontando fatores esquecidos da desaceleração econômica que pendem para o otimismo, como a depreciação cambial e a estrutura de caixa de algumas mineradoras, que soam como garantia em meio às atuais incertezas.
De acordo com o DNPM, em nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins), no ano de 2007, dos 3.666 requerimentos protocolados, houve 498 (13,59%) renúncias e/ou desistências, sendo que, em 2008, do total de 5.201 requerimentos protocolados, houve 735 (14,14%) renúncias e/ou desistências. “Até o momento, comparando-se os anos de 2007 e 2008 a variação do número de renúncias e desistências foi de apenas 0,55%”, concluiu com otimismo a análise do órgão sobre o panorama atual da mineração na Amazônia.
Para o diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Rinaldo César Mancin, a crise financeira atual não afetará investimentos em mineração na Amazônia, principalmente, no Estado do Pará. Segundo ele, o que deverá acontecer é apenas a dilatação dos prazos para esses investimentos, que são da ordem de US$ 23 bilhões, anunciados antes da crise.
“Os investimentos que aconteceriam em 2009 foram prorrogados para 2010, explicou. A Vale do Rio Doce anunciou ajustes para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global, e paralisou algumas produções de minérios de menor qualidade, localizadas no sistema Sul e Sudeste e no
Estado de Minas Gerais. No Pará, a produção de caulim para revestimento de papel teve uma redução de 30% da capacidade nominal de fabricação, devido à diminuição da demanda pelo produto.
O Ibram declarou em janeiro que os investimentos para expandir ou abrir novas minas no Brasil devem atingir US$ 57 bilhões nos próximos quatro anos, superando a previsão anterior de US$ 42 bilhões. No topo da lista dos setores que receberão investimentos no período entre 2007 e 2011 está o de minério de ferro, seguido por níquel e alumínio, informou o instituto na quinta revisão feita em dois anos de suas estimativas.
A Vale, maior mineradora de ferro do mundo, é a principal produtora no mercado local, mas companhias internacionais grandes e pequenas também estão presentes no Brasil. Especialistas em mineração dizem que a maior parte dos próximos investimentos será direcionada à expansão da capacidade para atender à demanda do mercado internacional.
De acordo com o DNPM, a crise trouxe como consequências para a atividade mineradora mundial, principalmente, o descompasso entre oferta e demanda, exigindo o ajuste das produções, e a incerteza quanto à recuperação da produção de aço. Este fator tem levado desconfiança às negociações para os preços do minério de ferro.
Entraves à atividade
O DNPM apontou como maior limitante à atração de investimentos em exploração mineral na Amazônia a pobreza de conhecimento geológico da região. Antes de investir na mineração, que é uma atividade de alto risco, longo tempo de maturação, custos elevados e tecnologia sofisticada, as companhias exigem estudos detalhados sobre o potencial da área a ser explorada.
De acordo com o Controle de Áreas do 8º Distrito do DNPM, há grande disparidade entre o conhecimento cartográfico, geológico e geofísico básico que se tem da Amazônia e aquele acumulado sobre as demais regiões do território brasileiro e outros países com elevado potencial mineral.
Cerca de 80% do território da Amazônia Legal, território coberto por floresta equatorial úmida, tem o potencial dos recursos minerais de seu subsolo desconhecido por insuficiência do mapeamento geológico básico e das pesquisas minerais até hoje realizados no local. Os estudos existentes, segundo o DNPM, foram elaborados na década de 70 sob o nome: Levantamento de Recursos Naturais do Projeto RadamBrasil.







