Essa história vai para você que quer ser empreendedor, mas não sabe por onde começar e como escolher um negócio. O acreano José Francisco Soares da Costa ensina. “Faça algo que você goste. Pode levar tempo, dar trabalho, mas o resultado será satisfatório”.
Em 1995, adolescente, em Cruzeiro do Sul, Francisco trabalhava num posto de gasolina quando a Petrobras chegou ao município para perfurar poços atrás de petróleo. Logo ele era o responsável pelo rancho que ia para a empresa. Mas a Petrobras não encontrou o que procurava e se retirou da região, porém, os funcionários haviam gostado do trabalho responsável e prestativo daquele jovem e perguntaram se ele não queria vir com eles, trabalhar em Manaus. Francisco não pensou duas vezes. Em 1996, deixou tudo para trás e rumou para a capital amazonense.
“De Manaus eu fui enviado para Urucu, em Coari, onde trabalhei como taifeiro, depois garçom até chegar a líder de equipe, quando retornei a Manaus, em 1997. Naquela época queria ser garçom, tanto que fiz curso e trabalhei nessa profissão até 2012, inclusive na famosa Champanheria Viúva Negra, um bar e bistrô, que fechou em 2013”, contou.
“Foi naquela época que comecei a pensar em montar um negócio próprio. Havia visto um vendedor de mingaus, desses que vendem pelas ruas, dentro de panelões, e pensei: eu sei fazer mingaus. Aprendi na Petrobras, observando os cozinheiros. Arrumei um carrinho de mão, dois panelões e comecei com mingaus de banana e mungunzá. Fazia uma rota, diariamente. Saía da minha casa, pelas ruelas da Chapada, rumo à passarela do Amazonas Shopping e lá fazia meu ponto”, completou.

Para chamar de seu
A venda de mingaus mostrou ser um ótimo negócio. Os clientes faziam fila para degustar os mingaus preparados por Francisco, porém, todo negócio tem percalços. Em 2020 veio a pandemia e as pessoas foram proibidas de sair de casa. O empreendimento do mingauzeiro ruiu de um dia para o outro. Mas ele não baixou a cabeça.
“A única saída era ficar aqui mesmo no bairro. Procurei uma esquina bem movimentada e encontrei essa na rua Ceará com a rua São Luiz Beltrão. Pedi autorização do dono da casa e meu ponto passou a ser aqui. Como a clientela já me conhecia, apenas continuaram a comprar os meus mingaus. Fiquei no local de 2020 até dezembro de 2024, quando resolvi investir e melhorar o empreendimento”, falou.
Na esquina, do outro lado da rua, no canto, havia funcionado um bar e o espaço estava fechado. Lá ele não precisaria se abrigar do Sol ou da chuva, sem falar que teria um espaço físico para chamar de seu. Francisco foi até a proprietária propôr aluguel, ela aceitou. Em dezembro mesmo, de 2024, surgiu o Cantinho do Mingau. Cantinho mesmo, uma área onde ficam apenas o fogão com os panelões, o balcão e os apetrechos necessários para os funcionários trabalharem e cinco clientes já lotam o ambiente. As mesas são colocadas na calçada.
“Continuei com os mingaus de banana e mungunzá, mas fui ampliando o cardápio. Lancei o misto banana com mungunzá; o arroz doce com castanha; os mistos: mungunzá com arroz e castanha; e arroz com banana; a salada de frutas e o açaí. Temos o milho cozido, o milho cozido no pote e, há quatro meses lancei o milho no pote recheado (com frango desfiado, bacon e calabresa em cubos, charque, cheddar, cream cheese, orégano, molho rosé ou manteiga)”, listou.
Veio, viu e venceu
O garoto acreano, que deixou sua pequena cidade e veio arriscar numa grande capital, hoje tem uma empresa e dá emprego para dez funcionários, mas continua com a ‘mão na massa’, ou melhor, nos mingaus.
“Todos os dias venho para cá, logo cedo, preparar os mingaus: 80 litros de mungunzá, 70 litros de banana e 30 litros de arroz doce com banana, sem falar da salada de frutas. Essa medida dá para o dia todo”, revelou.
O Cantinho do Mingau funciona de segunda a sábado, das 14h às 21h, e mesmo com o atendimento rápido, em determinados horários, os clientes fazem fila. O delivery atende toda a cidade.
“Tenho mais clientes pelos bairros de Manaus do que na Chapada e já recebi clientes de outros países, como uma da Bélgica e outra dos Estados Unidos, que ficaram nos conhecendo através das redes sociais e vieram até aqui provar nosso mingau”, comemorou.
E é por causa das redes sociais que o Cantinho do Mingau tem ficado conhecido nesse pouco mais de um ano de existência.
“Tínhamos uma média de três mil seguidores no Instagram, até investirmos na divulgação. Em agosto passado atingimos a marca de 25 mil seguidores e hoje estamos com quase 40 mil”, avisou.
Em outubro, no Dia do Empreendedor, Francisco foi um dos empreendedores de sucesso homenageados na Assembleia Legislativa do Estado.
“O segredo para o sucesso? Não tem segredo. Ofereça um produto de qualidade e tenha um atendimento que deixe o cliente satisfeito”, concluiu.

Informações: Instagram, @cantinhodomingau







