A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) minimizou nesta quinta-feira o embate dentro do governo federal em torno da criação da Comissão de Verdade. Rosário disse que não há “cisão” entre os militares e o governo sobre a comissão, mas reiterou ser prioridade do Executivo que as investigações a respeito dos crimes de tortura na ditadura militar (1964-1985) saiam do papel.
“Não há nenhuma cisão. O ministro Nelson Jobim [Defesa] está trabalhando junto conosco nesse resgate da democracia”, afirmou.
Durante audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, a ministra disse que o “único sentido” da Comissão da Verdade é descobrir o que houve com desaparecidos políticos da ditadura.
“Nós queremos saber com cada um que participou da luta democrática no Brasil. E apenas para isto, apenas com o sentido de encontro, reconhecendo que todas as instituições parlamentares, e inclusive as instituições das Forças Armadas da atualidade, são instituições vocacionadas para a democracia”.
Em setembro, o Comando do Exército enviou documento ao Ministério da Defesa, criticando a Comissão da Verdade. O texto alega que “o argumento de reconstrução da história parece tão somente pretender abrir feridas na amálgama nacional”. Os militares alegaram ainda que “é improvável chegar-se realmente à verdade dos fatos” com a comissão.
Aos senadores, Rosário fez um apelo para a aprovação do projeto que cria a Comissão da Verdade -parado na Câmara desde o ano passado. O texto prevê que a comissão será integrada por sete membros, com dois anos de prazo para a conclusão dos seus trabalhos.
“O Poder Executivo e a Secretaria de Direitos Humanos, em nome do governo, dirige-se aos senhores para dizer: esta não é uma questão do Poder Executivo somente. Não é uma questão do Poder Legislativo somente. Esta é uma questão da nação brasileira, e ela não é de governo ou de oposição”, afirmou.
Rosário disse que o governo não pretende copiar modelos adotados em outros 40 países que decidiram investigar crimes cometidos na ditadura militar, mas criar seu modo de investigação. “Não somos aqueles que temos uma verdade absoluta a oferecer. Mas a palavra verdade ingressa como uma resposta que não apenas o Brasil, mas o mundo democrático contemporâneo está oferecendo aos seus povos no âmbito de cada nação”.
Numa defesa da Comissão da Verdade, a ministra disse que a comissão dos mortos e desaparecidos criada em 1995 para investigar crimes da ditadura “não teve os instrumentos para oferecer às famílias o que ocorreu verdadeiramente”.
Ministra nega “cisão” com militares por comissão
Em: 18 de março de 2011
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) minimizou nesta quinta-feira o embate dentro do governo federal em torno da criação da Comissão de Verdade
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

IBS e CBS: empresas terão de redobrar atenção com Nota de Débito
18 de setembro de 2026

CNH vencida entre junho e setembro tem validade extra até dezembro
18 de setembro de 2026

O boom do mercado livre de energia no Brasil e a busca por contratos verdes
18 de setembro de 2026

Seca no Norte pode elevar custo de transporte de contêineres em até 150%, diz consultoria
18 de setembro de 2026

Justiça Eleitoral rejeita cerca de 1,2 mil registros de candidatura
18 de setembro de 2026

CNI avalia que Política Nacional de Minerais Críticos fortalece a indústria brasileira
17 de setembro de 2026

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Marisa Monte são indicadas
17 de setembro de 2026

Campanha de Lula aciona TSE e pede direito de resposta após propaganda eleitoral de Flávio
17 de setembro de 2026