Morales propõe declaração de repúdio às bases estrangeiras

Em: 30 de agosto de 2009
O presidente boliviano, Evo Morales, reiterou na sexta-feira a proposta de uma declaração conjunta da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) de repúdio à presença de militares estrangeiros em bases da América do Sul
O presidente boliviano, Evo Morales, reiterou na sexta-feira a proposta de uma declaração conjunta da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) de repúdio à presença de militares estrangeiros em bases da América do Sul

O presidente boliviano, Evo Morales, reiterou na sexta-feira a proposta de uma declaração conjunta da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) de repúdio à presença de militares estrangeiros em bases da América do Sul. “Se ninguém quer uma base militar por que não podemos assinar um documento aqui (que indica que) os presidentes da América do Sul não aceitam nenhuma base militar estrangeira?”, questionou Morales, quinto líder regional a discursar na cúpula da Unasul, reunião convocada para debater a polêmica sobre o acordo militar entre Colômbia e os Estados Unidos, que permite aos americanos utilizar até sete bases colombianas.
Evo Morales pediu ainda a seus colegas que “não tenham medo” de assinar uma declaração de repúdio como medida pela “dignidade e soberania da América do Sul”.
“Minha proposta é que este documento seja aprovado hoje, pela dignidade e soberania da América do Sul”, disse o boliviano, referindo-se ao texto que já havia levado à cúpula anterior da Unasul, no Equador.
Na época, o texto não foi discutido pelo fato de o colombiano Álvaro Uribe não ter comparecido ao encontro.
A expansão da presença militar americana na Colômbia tem incentivado declarações duras da Venezuela e preocupado até os governos mais moderados da América do Sul.
Se aprovado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em bases na Colômbia, pelos próximos dez anos.
Os dois aliados afirmam que o acordo não é novo, mas apenas uma extensão do acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) chamado de Plano Colômbia.
“Não podemos permitir que uma presença militar estrangeira em nosso território. É um mandato nobre e sagrado que nos dão os nossos povos. Pensar que este acordo é melhorar uma guerra contra as drogas, eu duvido, uma presença militar serve apenas para controlar a política de outros países”, afirmou o presidente da Bolívia, que em conjunto com a Venezuela é o mais crítico do acordo colombiano-americana.
O presidente Evo Morales foi um dos líderes a se reunir com Uribe há algumas semanas, quando este realizou uma viagem por sete países da América do Sul para explicar o acordo que negocia com os Estados Unidos.
Na ocasião, apesar de Uribe ter alegado que o tratado é apenas uma extensão do Plano Colômbia e que tem o objetivo de atuar na luta contra o crime e o tráfico de drogas no país, Morales já havia se pronunciado contra.
Há dois dias, ele propôs a realização de um “referendo continental” para discutir o tema.
O boliviano, de origem indígena, recordou também a época de colonização da América do Sul, quando os “povos indígenas foram humilhados e saqueados por políticas dos distintos impérios, políticas externas orientadas a uma dominação permanente”.
Retomando fatos históricos da região, o presidente boliviano Evo Morales pediu que os países da Unasul repudiem nesta sexta-feira a presença dos norte-americanos, acusando-os de utilizarem o “pretexto” da luta contra as drogas e contra o terrorismo para se infiltrarem na região.
“Como dirigente sindical, eu já vivi a doutrina de drogas, todo dirigente sindical é acusado de ser narcotraficante”, afirmou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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