Movimentação de peso no mercado financeiro, envolvendo Daniel Vorcaro e Banco Master

Em: 7 de abril de 2025

Uma movimentação estratégica de peso no universo financeiro brasileiro foi revelada nos últimos dias, envolvendo dois bancos com atuações bastante distintas: o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, liderado por Daniel Vorcaro.

O BRB oficializou a aquisição de uma fatia relevante no capital do Master. O acordo abrange 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais, totalizando uma posição de 58% do capital social da instituição. Mesmo com essa participação majoritária, o comando do banco segue nas mãos de Vorcaro, que assume ainda o posto de presidente do conselho de administração (chairman) do grupo.

A operação sinaliza o nascimento de um novo grupo financeiro no Brasil, com impactos tanto sobre a concorrência no setor bancário quanto na arquitetura de captação de recursos das duas instituições. A transação ainda aguarda o aval do Banco Central e do CADE para ser concluída.

Avaliação financeira da transação
O valor da operação foi estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões, utilizando um múltiplo de 0,75 vezes o valor patrimonial. Considerando que o patrimônio líquido atual do Banco Master está na casa dos R$ 4,7 bilhões, o preço final da negociação guarda forte correlação com a avaliação de mercado do BRB, que é cotado em torno de R$ 3,6 bilhões na B3.
Esse múltiplo de 0,75x book é considerado conservador, sobretudo frente a outras aquisições recentes no setor, especialmente aquelas envolvendo bancos com elevado retorno sobre patrimônio — uma métrica na qual o Master se destaca.

Contrastes operacionais entre os bancos
Os dois bancos operam em esferas distintas. O BRB conta com um custo de funding mais competitivo, girando em torno de 89% do CDI, e um ROE na casa dos 10%. Já o Banco Master, com um funding mais caro — por volta de 120% do CDI — compensa com alta rentabilidade, entregando um retorno de 28% sobre o patrimônio no último ano.
Essa complementaridade entre custos e fontes de captação surge como um dos fundamentos centrais que sustentam a operação. O BRB, com sua sólida base de funding — alimentada por folhas de pagamento do setor público e depósitos judiciais — pode, agora, conferir maior estabilidade ao novo grupo e reduzir gradualmente o custo de funding do Master.

A expectativa é que esse custo caia para cerca de 108% do CDI no curto prazo, com projeções que indicam uma trajetória de queda até níveis abaixo de 100% em até dois anos.

A nova configuração institucional
Apesar de manterem estruturas operacionais independentes, BRB e Master passam a integrar um mesmo conglomerado financeiro, com supervisão consolidada por parte do Banco Central. Isso significa que as avaliações sobre risco, alocação de capital e exigências regulatórias passam a ser feitas de forma conjunta.

Combinados, os dois bancos atingem um patrimônio líquido próximo de R$ 10 bilhões e somam ativos na faixa de R$ 140 bilhões. Essa dimensão coloca o grupo na classificação ‘S2’ do sistema financeiro brasileiro — categoria de importância sistêmica intermediária.
Caso os ativos cresçam em linha com as projeções e o desempenho operacional se mantenha, existe a possibilidade de o conglomerado subir para a categoria ‘S1’, onde estão os grandes bancos nacionais como Itaú, Bradesco e Santander.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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