“Pilar para a valorização da maçonaria”

Em: 8 de abril de 2025
A AAML tem nova diretoria e, como presidente, Luiz Filipi, que promete efetivar uma série de realizações.

No sábado, 29, aconteceu a posse da nova diretoria da AAML (Academia Amazonense Maçônica de Letras), para o biênio 2025/2026, assumindo como presidente o economista Luiz Filipi Cardozo. A cerimônia aconteceu no templo histórico da Loja Rio Negro, a mais antiga de Manaus e uma das mais antigas do Amazonas, localizada na rua Bernardo Ramos, em um prédio construído pelo então governador Constantino Nery (1904/1908), nos fundos do Paço Municipal, para ser sua residência. Nessa entrevista ao Jornal do Commercio, Luiz falou sobre o que pretende realizar à frente da instituição.

 

Jornal do Commercio: O que significa assumir a presidência da AAML?

Luiz Filipi: Significa abraçar um legado de 45 anos. Carregar nos ombros a responsabilidade de preservar e fortalecer a cultura maçônica no Amazonas, honrando aqueles que vieram antes de nós e preparando o caminho para as futuras gerações. É ter o compromisso de manter viva a tradição literária e filosófica da maçonaria, ao mesmo tempo em que se busca inovar e expandir os horizontes do conhecimento.

 

Luiz, 'significa abraçar um legado de 45 anos".
Luiz, ‘significa abraçar um legado de 45 anos”.

JC: Quais ações pretende realizar enquanto presidente?

LF: Serão diversas iniciativas. A publicação do livro ‘Memorial da Academia’. Buscaremos convênios com outras instituições culturais. Implementaremos um projeto educativo, fomentando o estudo da maçonaria. Promoveremos um projeto esportivo, e um projeto de amparo psicológico. Ampliaremos o quadro acadêmico com a entrada de novos membros. Organizaremos palestras para o compartilhamento do conhecimento maçônico e literário, assim como criaremos a Biblioteca da AAML. Daremos início ao projeto de um podcast e ao projeto da rádio online. Fortaleceremos a presença da AAML em eventos literários, retornaremos com o Sarau da AAML e, por fim, trabalharemos na produção do documentário da AAML, que contará a sua trajetória, sem esquecer dos jantares temáticos em datas comemorativas.

 

JC: Como fazer para se tornar membro da AAML?

LF: Primeiro é necessário ser mestre maçom regular da Glomam (Grande Loja Maçônica do Amazonas) ou da GOB (Grande Oriente do Brasil – Amazonas), além de demonstrar comprometimento com a cultura, a literatura e o fortalecimento do pensamento maçônico na região. O ingresso na Academia ocorre por meio de um processo seletivo que envolve a indicação de um acadêmico, a análise do histórico do candidato e sua contribuição intelectual, como publicações para a maçonaria e para a sociedade.

 

JC: Cite algumas das grandes obras publicadas pelos acadêmicos da AAML, bem como seus autores?

LF: Nomes como Abrahim Baze, Robério Braga, Aristóteles Alencar, Júlio Lopes, Pedro Lindoso e Eylan Lins são amplamente reconhecidos na literatura amazonense. Entre os títulos que marcam essa produção, destacam-se ‘Aurora Luzitana – a semente maçônica portuguesa no Amazonas’, que resgata a influência da tradição maçônica portuguesa na região, e ‘Escravidão – o Amazonas e a maçonaria edificaram a história’, que investiga o papel da maçonaria na abolição da escravatura e na construção da sociedade amazonense. Além disso, os acadêmicos da AAML também se dedicam a biografias de grandes personalidades do Estado, como Samuel Benchimol, Ferreira de Castro e Phillipe Daou. A produção literária da AAML segue em plena atividade e, na cerimônia de posse da nova diretoria, aconteceu o lançamento da obra ‘Análise comparativa e interpretativa do Primeiro Grau do REAA’, de dois acadêmicos: Zilmar Moreira e Joaquim Sevalho.

 

JC: Conte um pouco da história da AAML, como e por que foi criada?

LF: A AAML foi fundada em 1º de fevereiro de 1980, em um momento de grande necessidade de aproximação entre as potências maçônicas do Amazonas. Na época, a Glomam e a GOB viviam uma espécie de ‘distanciamento institucional’. A criação da AAML surgiu, então, como um espaço neutro, voltado para o cultivo das letras e da cultura maçônica, com o objetivo de promover a união entre os maçons de ambas as potências. A proposta inicial era integrar intelectuais, pesquisadores e escritores da maçonaria no Amazonas, proporcionando um ambiente de estudo, resgate histórico e valorização da literatura maçônica. Hoje, com as relações normalizadas entre as potências maçônicas, a Academia ampliou seu foco, passando a fomentar a cultura maçônica em todos os rincões da Amazônia. Mais do que um espaço de produção intelectual, a AAML tornou-se um pilar para a valorização da maçonaria.

 

JC: A AAML comunga dos mesmos ideais das demais lojas maçônicas de Manaus?

LF: A AAML é composta exclusivamente por maçons oriundos da Glomam e da GOB. Seu compromisso é com a cultura, a literatura e a preservação da história maçônica na Amazônia, promovendo o estudo e a difusão desses temas entre seus membros e a sociedade.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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