MPEs mais propensos a investir

Em: 20 de setembro de 2016
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Acreditando em tempos melhores, os MPEs (micros e pequenos empresários) de varejo e serviços mostram-se mais intencionados em fazer investimentos. A alta é registrada pelo segundo mês consecutivo, segundo os dados do Indicador de Propensão a Investir do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Dos 24,20 pontos em julho, o indicador saltou para 28,08 pontos em agosto. No Amazonas as opções vão de busca de crédito em instituições bancárias a novas e baratas modalidades, como o uso da internet para alavancar negócios.
Apesar da alta mensal de 3,88 pontos, o resultado ainda está abaixo do pico da série histórica (32,06 em maio de 2015). Quanto mais próximo de 100, maior a propensão de investir; quanto mais próximo de zero, menor a propensão. Ainda assim, o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, acredita que a retomada da economia poderá aumentar o apetite dos micros e pequenos empresários por investimento. “Por ora, o quadro é de arrefecimento da piora das condições econômicas, mas a plena recuperação das condições ainda será lenta e gradual”, analisa.

Propaganda e oportunidades

Entre os 21,7% que pretendem investir nos próximos 90 dias, a maioria (32,2%) têm como prioridade a compra de equipamentos, maquinário e computadores. Dos 28,2% que pretendem investir em mídia e propaganda, está a microempresária de hortifrútis Daniela Branicio. “É hora de diversificar as estratégias de propaganda e expandir público. O segmento de hortifrúti varejista é muito restrito e o uso da internet aumenta o alcance, além de ser barato”, explica.
Entre os planos da microempresária está a aposta em outra modalidade de vendas. “Aos poucos pretendo trabalhar o delivery, algo mais parecido com o atacado, em pequenas porções. Para isso, outros investimentos serão necessários, como um estoque diversificado e capacitação dos funcionários, da seleção a entrega. Além do marketing digital e tradicional”, conclui Daniela.
Outros pontos de investimento detectados na pesquisa foram a ampliação de estoques (27,6%) e a reforma da empresa (24,7%). Como principal fonte de recursos, 53,4% usarão capital próprio, causando uma baixa na procura por crédito (apenas 7,6% dos MPEs possuem a intenção de contrair crédito), o que manteve o índice estável, quando comparado a agosto de 2015, quando foram registrados 13,85 pontos.
Apostando na alta demanda do segmento de salões de beleza e estética, a proprietária do Estilo Nail Bar Esmalteria (Eliza Miranda Mall, zona Sul), Erisângela Sousa prepara obras de reforma e expansão. “A nova tendência de visagismo facial trouxe mais clientes e a saída é expandir, alugando uma nova sala para acomodar os clientes e as cinco funcionárias”, afirma. De acordo com a microempresária, os recursos para a expansão são do próprio bolso. “Trabalhamos junto ao crescimento do mercado, então pensamos antes de arriscar e um empréstimo no banco poderia ser perigoso. Mas vamos aproveitar a onda, promovendo promoções e campanhas para a fidelização do cliente”, ressalta
De acordo com a pesquisa, dos 35,5% que avaliaram ser difícil a tomada de crédito no mercado, 44,7% apontam como causa o excesso de burocracia, seguida pelas taxas de juros consideradas elevadas (29,6%). Já para os que consideram ser fácil contratar crédito (20,0%), o bom relacionamento com o banco é a principal razão, citada por 30,6%. Estar com a documentação em dia (18,1%) também é um fator que ajuda.

Parcimônia

Recorrer aos bancos para conseguir empréstimo é um recurso que deve ser usado com parcimônia, diz o consultor em gestão de pessoas Eduardo Ferraz. “Linhas de crédito com elevadas taxas de juros podem comprometer o sucesso do negócio. Mas até que se consiga esse crédito outra etapa deve ser transposta, a desconfiança. Um bom histórico como pessoa física e bens que possam ser oferecidos como garantia facilita bastante”, afirma.

Indicadores de demanda

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micros e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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