Mulheres são maioria em concursos

Em: 16 de outubro de 2013
Anpac registra maior participação das mulheres em concursos nacionais
Anpac registra maior participação das mulheres em concursos nacionais

Não é segredo para ninguém que as mulheres estão conquistando seu espaço em diferentes áreas. E no serviço público não é diferente. Ano a ano, podemos observar o crescimento da aprovação delas em diversos concursos. Os motivos para esse aumento são muitos: o desejo pela independência financeira e reconhecimento, vocação, ascensão profissional, entre outros. E para mostrar esse crescimento, a Associação Nacional de Proteção aos Concursos, entidade criada há nove anos e que presta serviços em prol dos processos seletivos, traz anualmente dados que mostram essa ascensão do sexo feminino.
Segundo os dados de 2012 da Anpac, 45% das inscrições em concursos foram feitas por mulheres, contra 55% realizadas por homens. No entanto, nas carreiras jurídicas, este número se inverte: foram 60% de mulheres e 40% de homens. E nas carreiras militares, o percentual feminino ficou entre 20% e 30%. Já a faixa etária dos candidatos que concorrem às vagas no serviço público em ambos os sexos fica entre 25 e 40 anos.
Com relação às aprovações, um levantamento da Anpac mostrou que, nos concursos para juiz, os primeiros colocados em quase todos os tribunais são do sexo feminino. A pesquisa também apontou que as primeiras colocações em processos seletivos para o cargo de fiscal do município do Rio de Janeiro, bem como da Receita Federal, foram conquistadas por mulheres. E na área fiscal, na qual até dois anos atrás a predominância era de homens, atualmente se equipara em ambos os sexos.
O Brasil hoje conta com 130 organizadoras e 500 cursos preparatórios presenciais e não presenciais. E em um deles, a Academia do Concurso, por exemplo, é possível notar essa ascensão feminina. O curso, que está no mercado há 15 anos e tem três unidades no Centro do Rio de Janeiro, possui aproximadamente 6.400 alunos. Desse quantitativo, 3.757 são mulheres, o que equivale a 58,7% do total dos matriculados.
Segundo o diretor pedagógico da Academia do Concurso, Paulo Estrella, a participação masculina está decaindo ano a ano. “Em 2008, por exemplo, o percentual de homens matriculados era de 56,1%. Já em 2013, o número caiu para 41,3%”, afirma. Ele ainda acrescenta que nesses cinco anos houve um aumento de 14,8% de mulheres no curso preparatório. E a ascensão feminina, de acordo com ele, começou em 2010.
Para Paulo Estrella, essa procura feminina ocorreu em todos os cursos, até mesmo naqueles que historicamente eram procurados apenas por homens, como os da área de segurança pública, na qual as mulheres hoje representam de 35% a 40% do total de matriculados. No entanto, ele ressalta que as áreas que elas mais buscam são as dos tribunais, tanto no nível médio quanto no superior, além da área bancária.

Exemplos

Lays Soares, 25 anos, é um exemplo de mulher que se interessou pelo serviço público, e por isso, desde o fim do ano passado, ela estuda para concursos. E com muita determinação, a moradora de Campos dos Goytacazes se prepara para duas seleções ao mesmo tempo: a do CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro) e também a da PF ( Polícia Federal).
Como o ingresso nas duas áreas pelas quais Lays se interessa só é feito por meio de concurso, a jovem passou a se preparar para conseguir a aprovação. Além disso, a estabilidade que o serviço público proporciona também é um fator que a atrai bastante. Por isso, ela trancou a faculdade para se dedicar somente ao curso preparatório.
Quanto ao aumento de mulheres no serviço público, Lays acredita que a tendência é que isso cresça cada vez mais. Para a estudante, elas procuram um emprego público para mostrar que não são o sexo frágil, e também querem conquistar o respeito e admiração por serem vistas como mulheres fortes. “Além disso, as mulheres estão procurando por empregos públicos pois almejam a independência financeira. Acabou a época onde nós ficávamos em casa cuidando dos filhos e os maridos iam trabalhar”, ressalta.
Luana Doria, 29 anos, é outro exemplo dessa nova realidade. A moradora de Barreto, em Niterói, Rio de Janeiro, é servidora pública da Prefeitura de São Gonçalo há dois anos. Ela atua como agente de saúde, mas seu maior desejo é ingressar na PM-RJ (Polícia Militar do Rio de Janeiro). Relembrando o passado, Luana afirma que seu interesse pela área de segurança pública já existia quando ela cursava Serviço Social na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Porém, se intensificou ainda mais quando as políticas de pacificação foram implementadas no Rio.
Embora a família e os amigos a apoiem a seguir nessa área, Luana enfatiza que já ouviu várias vezes que ser soldado da PM é uma profissão arriscada, e também que não iria conseguir aguentar o ritmo da escola de formação. “No entanto, esses comentários só me dão mais força e vontade para prosseguir. Quanto à insegurança trazida na profissão, tenho certeza de que receberei uma formação que vai me ajudar a conviver com essa situação naturalmente. Profissão muito nobre, eu teria mais orgulho do que medo de exercê-la”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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