Mulheres sentem mais no bolso

Em: 5 de março de 2013
Mulheres dedicadas ao lar reclamam do alto custo de vida na capital amazonense. Onde a alimentação tem sido a vilã entre os itens que mais pesam no bolso das donas de casa em Manaus
Mulheres dedicadas ao lar reclamam do alto custo de vida na capital amazonense. Onde a alimentação tem sido a vilã entre os itens que mais pesam no bolso das donas de casa em Manaus

Mulheres dedicadas ao lar reclamam do alto custo de vida na capital amazonense. Onde a alimentação tem sido a vilã entre os itens que mais pesam no bolso das donas de casa em Manaus.
Segundo a presidente da Adcea (Associação das Donas de Casa do Amazonas), Bete Maciel, o prejuízo é grande com o orçamento doméstico, devido aos gêneros alimentícios serem os mais caros, motivados pela retirada dos incentivos fiscais da cesta básica. “Estamos sentindo o peso como se fosse uma corda no nosso pescoço, porque nós não temos alternativas”, diz Bete.
A estratégia estava na alternância dos produtos regionais com os produzidos em outros locais, mas os custos regionais estão mais caros inviabilizando esta opção, ainda segundo Bete, não há produção rural de alimentos, nem estoque suficiente para atender a demanda da população na capital e no interior do Estado.
“Nós mulheres donas de casa estamos sendo violentadas pela economia, tendo muitas vezes que sacrificar a qualidade dos alimentos adquiridos e que diminuir a quantidade dos itens servidos nas refeições de nossas famílias. Corremos o risco de não sair dos postos de saúde. Esta é uma economia muito perigosa”, critica Bete.
A capital amazonense é a 2ª com o maior custo de vida do Brasil, o preço dos alimentos é o que mais pesa no bolso da população, segundo estudo do Instituto de Consultoria Internacional Mercer, ficando atrás apenas da capital paulista, no ranking das 15 capitais pesquisadas.
Na opinião da conselheira e coordenadora do projeto “Estimular” do Cpmea (Conselho Permanente da Mulher Executiva do Amazonas), Vivi Campbell Marques o aumento progressivo dos preços dos itens da cesta básica cada vez maiores, não são repassados na mesma proporção para os recebíveis dos aposentados, que na sua grande maioria sustentam a família.
“Hoje as aposentadorias servem para sustentar as famílias, compostas de netos e filhos, que em sua grande maioria estão sob a responsabilidade das avós. Para termos uma ideia, na comparação do arroz, antes o mesmo valor gasto para comprar três quilos, hoje compramos apenas um quilo e meio, a metade, e a aposentadoria não reajustou na mesma proporção”, alertou Vivi.
Para a dona de casa Cecy Moreira o dinheiro que gastava com as compras do mês, atualmente mal dá para comprar os alimentos básicos e o que sobra vai para os produtos de limpeza. “Hoje eu compro pouco, o dinheiro só dá para a alimentação e para os produtos de limpeza. Toda vez que vou às compras gasto mais ou trago menos produtos” lamentou Cecy.
Entre os motivos que fazem de Manaus um lugar caro para se viver está a diferença no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que costuma ser mais alto e na dificuldade de logística, como explica a supervisora regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Alessandra Cadamuro a questão está em como esses alimentos chegam ao Amazonas ser diferente dos outros Estados.
“Por exemplo, a questão das rodovias que aqui não existe, então é mais um complicador, tem que se trazer de barco ou de avião, o que encarece com certeza o preço final dos alimentos ao consumidor, entre outras mercadorias”, analisa Alessandra.
Mas o que as donas de casa não previram foi a onda de reajustes de preços. Além do pão, houve uma alta de 3,95% nos preços dos produtos essenciais da cesta básica em relação ao mês anterior, segundo dados do Dieese. Na capital amazonense a cesta básica custou, em janeiro, R$ 301,73.
Ainda segundo o Dieese, na comparação com dezembro de 2012 o trabalhador que ganha um salário mínimo em Manaus comprometeu 48,37% de seu rendimento líquido, R$ 623,76, após o desconto de 8% referente à contribuição previdenciária, com a aquisição dos alimentos básicos em janeiro deste ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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