Um dos maiores Índices de Velocidade de Venda (IVVs) do país registrados em Manaus atraem incorporadoras
O mercado imobiliário de Manaus ganha fôlego e atrai novos investimentos. De olho na expansão dos negócios, incorporadoras e construtoras de peso das regiões Sul e Sudeste do Brasil (e até multinacionais) começam a direcionar os seus investimentos para o Amazonas, onde o setor registra um dos maiores Índices de Velocidade de Venda (IVVs) de imóveis ainda na planta, impulsionado principalmente pelo aumento do poder aquisitivo da população, pelo incremento da demanda interna e pela facilidade de créditos na rede bancária.
No primeiro trimestre de 2011, o IVV registrou um incremento de aproximadamente 30% em Manaus em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construcão Civi (Sinduscon) no Amazonas, Eduardo Lopes. “Nos últimos anos, é visível a expansão do mercado, gerando novos investimentos externos e mais oportunidades de negócios na região, tanto para as pequenas empresas como para os grandes grupos empresariais”, diz o sindicalista, que traça um futuro promissor para o segmento local na região nos próximos cinco anos.
O IVV é um índice do Sinduscun que mede as operações das empresas do setor no Amazonas. E as causas de toda essa expansão no segmento imobiliário são atribuídas principalmente ao fortalecimento da economia brasileira, ao aumento da renda das classes C e D e ao barateamento dos preços dos lançamentos de novos imóveis, cujos valores são direcionados para todas as classes sociais. “Todos esses aspectos sociais e econômicos deram um novo fôlego às vendas de casas no Estado”, acrescenta Eduardo Lopes.
O volume de investimentos estimado para o setor imobiliário nos próximos anos no Amazonas deve ser bem superior ao aporte de recursos destinados só para o projeto “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal, que prevê a liberação de mais de R$ 1,5 bilhão para a construção de casas, com foco em especial na população com renda de até três salários mínimos.
Nos últimos dez anos Manaus se tornou um mercado imobiliário muito atraente. Hoje a capital detém o quarto metro quadrado imobiliário mais valorizado do País (o primeiro é o de Brasília), diferencial que vem motivando os grandes grupos imobiliários brasileiros, com base nas regiões Sul e Sudeste, a direcionarem os seus investimentos para o Estado do Amazonas.
Pelo menos 20 incorporadoras e construtoras do calibre da PBG, Cyrela, Tecnisa, oriundas de São Paulo e Rio Grande do Sul, fincaram suas bases em Manaus e hoje respondem atualmente por quase 90% dos lançamentos de imóveis ainda na planta, segundo estimativas de consultores.
E os negócios são promissores e atraem empresas de outros países. Ainda este ano, outros dois gigantes conglomerados imobiliários argentinos vão se instalar na capital. E até 2014 a previsão é de que sejam construídas 60 novas torres (edifícios) de apartamentos nas regiões da Ponta Negra, Adrianópolis, Avenida Torquato Tapajós, Avenida das Torres, locais que começaram a ser mais valorizados com a expansão do mercado imobiliário em Manaus.
Avenida das Torres tem grande procura
Com faixas de preços de imóveis (casas com dois a três quartos, garagem, quintal, suítes), que variam de R$ 350 mil a R$ 600 mil, hoje a Avenida das Torres abriga empreendimentos do porte do Vila da Gaia e Golden Ville, destinados principalmente para a população de alta renda.
Segundo o diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Amazonas e Roraima (Creci), da 18ª Região, Paulo Motta, hoje a região da Avenida das Torres, que passou a operar recentemente na capital, é um dos metros quadrados imobiliários mais valorizados de Manaus. “Com o crescimento da demanda, a avenida passou a abrigar muitos condomínios e outros devem ser construídos ainda este no local”, afirmou ele.
De acordo com Paulo Mota, em breve estará chegando ao Amazonas a Construtora Tenda, uma das maiores do mercado brasileiro e também com base em São Paulo, que já encomendou estudos a consultores para o lançamento de novos empreendimentos em Manaus. Dentro desta orientação empresarial, está prevista a construção de condomínios destinados também à população da Zona Leste, que hoje tem praticamente vida própria e não depende da capital.
‘Hoje os preços dos imóveis estão atraentes em Manaus’, diz o presidente do Sinduscon
“As maiores incorporadoras e construtoras estão em Manaus. O mercado está muito aquecido. E ainda este ano estão previstos grandes lançamentos no setor imobiliário. E até 2012 haverá um incremento consideravelmente no setor com a chegada de mais empresas de grande porte”, afirma Paulo Motta.
Paulo Mota acrescenta que, em função das exigências das grandes empresas do mercado imobiliário, os corretores passaram a fazer cursos de especialização, patrocinados pelas incorporadoras e construtoras. “Quem não se profissionalizar corre o risco de ser banido do segmento”, alerta ele.
Segundo o superintendente do Sinduscon, Cláudio Guenka, o mercado imobiliário amazonense passou a se fortalecer pouco depois da “bolha” no sistema financeiro dos Estados Unidos que levou à falência várias empresas norte-americanas e teve um efeito dominó no resto do mundo, principalmente nos países da Comunidade Europeia, Japão e Coreia.
“Hoje os preços dos imóveis estão mais atraentes em Manaus. A alta competitividade, com a entrada em operação de grandes empresas que se instalaram na capital, possibilitou o barateamento dos imóveis no mercado, dando condições até para a população de baixa renda adquirir a casa própria”, afirma Guenka.
Outro diferencial para a expansão das vendas de imóveis na planta é a credibilidade que os clientes têm hoje nas empresas imobiliárias. “Mesmo comprando um imóvel que ainda não foi construído, o cliente sabe que receberá o produto daqui a dois ou três anos. Por isso, mesmo assim, a orientação é consultar informações sobre a empresa antes de efetuar o negócio”, afirma Cláudio Guenka.
Demanda
Hoje a demanda é maior pelos imóveis ainda na planta em Manaus. Os negócios envolvendo empreendimentos de “terceiros” (imóveis já usados) respondem por quase 30% dos negócios, segundo corretores. Na compra de imóveis, os juros variam de 1% ao mês a 11%, 12% e até 13% ao ano, com correção anual pelo Índice de Preços da Construção Civil (IGPM), Índice de Preços ao Consumidor (INPC) e pela tabela Price, que é o índice das empresas da construção civil.
Com a onda de violência que atinge as grandes capitais brasileiras, as preferências dos clientes em Manaus recaem mais pelos condomínios fechados, onde há mais garantias de segurança. As facilidades de crédito junto à rede bancária impulsionam o setor imobiliário, mas o mercado exige que o cliente não tenha restrições na Serasa, SPC, entre outras pendências.







