O Museu Amazônico está com nova direção desde o mês passado e com, ao menos, dois eventos programados para os próximos meses. No próximo dia 29, terça-feira, será aberta a exposição ‘Patrimônios Amazônicos Revelados – a coleção arqueológica da obra do gasoduto Coari-Manaus’ e em setembro, na 11ª Primavera do Museu, durante uma semana, do dia 18 ao dia 22, acontecerão atividades diversas no Museu Amazônico. “Mas é só o começo da nova gestão”, adiantou o historiador Dayson Teles Alves, o atual diretor do Museu. “Estamos mantendo as atividades rotineiras, como as exposições permanentes, e desenvolvendo as novas, na área de cultura”, falou.
A coleta do material exposto em ‘Patrimônios Amazônicos Revelados – a coleção arqueológica da obra do gasoduto Coari-Manaus’, é fruto de um trabalho intenso, explica o diretor da Divisão de Museologia do Museu Amazônico. “Trata-se da coleção de objetos arqueológicos encontrados pelos arqueólogos Eduardo Góes Neves e Carlos Augusto Silva, o Tijolo, e sua equipe, pelo Projeto de Levantamento e Resgate Arqueológico do Gasoduto Coari Manaus, realizado entre 2006 e 2009, num percurso de 400 km, através dos municípios de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, ao longo de onde o gasoduto passaria”, disse.
Ao final dos trabalhos, os arqueólogos encontraram 35 áreas com material arqueológico, sendo 17 com pequena ocorrência de material ou sítios fora do trecho da obra e 18 sítios arqueológicos com resgate e análise laboratorial. “Na exposição serão destacados os profissionais que realizaram esse trabalho, como foi sua atuação durante os três anos de levantamento e resgate de material e o que foi, e é, o gasoduto. Também serão expostas peças arqueológicas, cerâmicas, encontradas ao longo do caminho”, contou Saulo.
“Em conjunto com o arqueólogo Carlos Augusto, da Divisão de Arqueologia, trabalhamos no projeto Amazônia Central, que realiza atividades de pesquisa nessa região da Amazônia. Estamos organizando a reserva técnica do Museu”, completou.
O Museu Amazônico possui um laboratório de arqueologia localizado no campus da Ufam, onde se encontram coleções de pesquisas arqueológicas, bem como de doações de diferentes partes da cidade de Manaus e de cidades do interior. No laboratório são desenvolvidas atividades de classificação, higienização, restauro e manutenção de peças arqueológicas e históricas.
Os documentos de J.G.
Em setembro, na 11ª Primavera de Museu, durante uma semana, do dia 18 ao dia 22, acontecerão atividades diversas no Museu Amazônico. “Teremos uma palestra sobre a documentação histórica existente no Museu e na Ufam; e a outra será ‘Museu e suas memórias’. Os palestrantes convidados serão ex-funcionários do Museu, como a Jane, o Custódio e o Carlos Augusto, que durante anos trabalharam aqui e acumularam vasta experiência e conhecimento.
A Jane e o Custódio se aposentaram, mas o Carlos Augusto até hoje atua no laboratório de arqueologia, cuja existência se deve em grande parte a iniciativas dele”, lembrou Dayson. Ainda na programação da 11ª Primavera, acontecerá o Expopapo, que é trazer o público para um bate-papo; oficinas de áudio visual, com Thiago Morais; e apresentação da Orquestra de Violões sob a regência do maestro Renato Brandão.
“Até outubro colocaremos em prática o projeto ‘Cinema no Museu’, com exibição de filmes, e até o início do próximo ano será a vez do ‘Teatro no Museu’, com encenação de peças. Este, por sinal, já está sendo desenvolvido no Caua (Centro de Artes da Ufam)”, falou James Araújo, diretor da Divisão de Difusão Cultural. “Também em outubro a professora Carolina Brandão desenvolverá o projeto ‘Contação de Histórias’. James Araújo é ator e diretor teatral bastante conhecido no meio acadêmico e já acena com a possibilidade de futuras produções de filmes e documentários, com a chancela do Museu Amazônico.
“Mas, diria que hoje a ‘menina dos olhos’ do Museu é o acervo de documentos e correspondências de J. G. Araújo”, disse Dayson. O empreendimento comercial de J. G. Araújo se manteve por mais de um século, desde os meados do século 19, testemunhando o ‘boom’ e o declínio da economia da borracha. A vastíssima documentação preservada no Museu Amazônico traz um interessante registro da vida social do período, expresso em balancetes comerciais, correspondência entre a firma e seus clientes e, sobretudo, em imagens extraordinárias captadas ao longo de todo esse círculo de trocas pelas lentes do fotógrafo Silvino Santos.
“Toda essa documentação está dividida em quatro fases. Em março do próximo ano pretendemos lançar um livro mostrando a documentação correspondente à primeira fase, que vai de 1887 a 1896, enquanto o restante da documentação passa por um processo de higienização e classificação”, esclareceu Dayson.
Os livros de Thiago
Criado em 1975, implantado em 1989 e inaugurado em 1991, o Museu Amazônico da Ufam reúne um acervo de grande valor como documentos de história colonial, de correspondência privada a relatórios de província, um indicador ilustrado do Estado do Amazonas e Anuários da cidade de Manaus, ao lado de ricos álbuns de fotografias e a maior parte do acervo de mais de mil peças em vidro do fotógrafo Silvino Santos, além de filmes produzidos entre 1910 e 1960, e equipamentos do profissional. Atas manuscritas da criação da Escola Universitária Livre de Manaus, embrião da Universidade do Amazonas, hoje Ufam, também enriquecem a documentação.
Integram o acervo do Museu, valiosas peças arqueológicas provenientes de diferentes povos indígenas amazônicos, de cerâmica, do trançado e da madeira, e peças produzidas por populações de caboclos e ribeirinhos.
A Biblioteca possui um acervo especializado no campo da história da Amazônia com destaque para a Coleção Especial, publicações do século 18 até a metade do século 20. Guarda em suas estantes, cerca de 20 mil títulos. Desde o mês passado parte da biblioteca do poeta Thiago de Mello, com aproximadamente oito mil livros, foi integrada à Biblioteca do Museu Amazônico.







