Na análise do Iedi, crescimento da indústria não acompanha demanda

Em: 16 de maio de 2011
A indústria de transformação brasileira iniciou 2011 crescendo sua produção em 2,2%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010
A indústria de transformação brasileira iniciou 2011 crescendo sua produção em 2,2%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010

A indústria de transformação brasileira iniciou 2011 crescendo sua produção em 2,2%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010. Nesse resultado, pela classificação por intensidade tecnológica da indústria de transformação, adotada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), há de se destacar que:

aDas quatro faixas de intensidade, alta; média-alta; média-baixa; e baixa, foram os segmentos de alta e de média-alta intensidade aqueles que mais cresceram em janeiro-março: respectivamente, 5,4% e 4,2% na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010.

aApesar disso, as balanças comerciais dos produtos típicos das indústrias de alta e de média-alta intensidade se deterioraram fortemente na comparação entre acumulados até março de 2011 e de 2010. De fato, o deficit dos produtos da indústria de alta intensidade cresceu para US$ 6.8 bilhões, enquanto o dos bens do segmento de média-alta saltou para US$ 11 bilhões. Ou seja, apesar do incremento na produção, este não acompanhou o crescimento da demanda doméstica.

aQuanto às indústrias de média-baixa intensidade, sua produção física aumentou 3,2%. Esta faixa de intensidade tem seu comportamento bastante ditado pelo comportamento da produção de bens metálicos (metalurgia básica e fabricação de produtos metálicos) e da fabricação de derivados do petróleo refinado, álcool e outros combustíveis. A produção de bens metálicos cresceu apenas 1,6% no trimestre, mas ainda assim, propiciou um superávit de US$ 2.1 bilhões, o que ajudou a conter o deficit dos bens desta faixa, que atingiu US$ 707 milhões.

aO segmento menos intensivo em termos tecnológicos foi o único cuja produção declinou, queda de 1,5% no trimestre. As indústrias de alimentos, bebidas e fumo sofreram declínio de 0,7%, enquanto as indústrias madeireiras, de papel e celulose, gráfica e afins perceberam recuo de 1,0%. Ainda assim, foram ambas, principalmente a produção de alimentos, que proporcionaram o superavit recorde, de US$ 8.5 bilhões dos produtos da indústria de baixa intensidade tecnológica.

aAinda dentro da faixa de baixa intensidade, as indústrias têxtil, do vestuário, couro e calçados sofreram forte retração no início de 2011, de 7,1%. Como agravante, tecidos, artigos de vestuário, calçados e afins registraram pela primeira vez deficit em janeiro-março pela série iniciada em 1989.
Desse modo, observa-se que atividades intensivas em mão de obra –indústria têxtil, do vestuário, calçados etc– e aquelas para as quais a diferenciação de produto, economias de escala e inovação são fatores críticos de sucesso –a exemplo dos segmentos do complexo eletrônico e a indústria de bens de capital– são as que têm mais sentido os efeitos da taxa de câmbio apreciada.

Base produtiva

As autoridades econômicas têm demonstrado apreensão de um lado com a inflação e, de outro, com a manutenção do crescimento e da base produtiva instalada. Porém, está-se pagando pela timidez na redução das taxas de juros durante a fase aguda da crise internacional em 2009. No momento atual, quando a elevação da taxa de juros é um dos instrumentos de contenção da alta de preços, o processo ocorre a partir de um patamar de taxa de juros já muito elevado.
Esforços mais contundentes para resolver questões de infraestrutura, para aprimorar e simplificar o sistema tributário, bem como para cercear mecanismos de estímulo às importações adotados pelos governos estaduais são medidas prementes. Ademais, à medida que a taxa de câmbio tem prejudicado setores mais intensivos em tecnologia e nos quais a diferenciação de produto é condição para o sucesso dos negócios, instrumentos em prol da inovação adquirem maior relevo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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