Na Espanha, Vini Jr sofre racismo novamente e causa comoção mundial

Em: 22 de maio de 2023

O atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, foi vítima de mais uma ação racista em um estádio espanhol na tarde deste domingo (21). Durante a derrota da equipe dele para o Valencia por 1 a 0, no Estádio Mestalla, casa dos adversários, Vini escutou insultos racistas e gritos de ‘macaco’ vindos das arquibancadas. O jogo foi paralisado por cerca de oito minutos e, posteriormente, o jogador foi expulso ao se envolver em confusão.

O lance que deu origem ao episódio aconteceu aos 29 da segunda etapa. Jogando em ambiente hostil, Vinicius Junior tentou jogada pela esquerda quando uma segunda bola que havia sido arremessada no campo instantes antes foi chutada por Eray Cömert, atleta do Valencia, de maneira proposital para interromper o lance. Naquele momento, Vini se dirigiu à parte da torcida valencianista que estava localizada atrás do gol do time local e apontou para torcedores que o insultavam chamando-o de macaco.

O árbitro De Burgos Bengoetxea paralisou a partida e o sistema de som avisou que o jogo só seria retomado se as ofensas parassem. Vini sinalizou que estava bem para retornar e o jogo prosseguiu depois de aproximadamente oito minutos pausado, com a polícia comparecendo ao local das ofensas.

Nos acréscimos da partida, Vini se envolveu em uma confusão com o goleiro Giorgi Mamardashvili e, após ser contido pelo adversário Hugo Duro com uma gravata, acertou o rosto do atleta do Valencia ao tentar se desvencilhar. No fim, apenas o brasileiro foi punido, sendo expulso. Vinicius Junior saiu fazendo gestos mostrando o número dois com a mão, em provocação à torcida do Valencia. O clube briga para não cair para a segunda divisão espanhola.

Após a partida, as figuras envolvidas se manifestaram nas redes sociais. Em sua conta no Instagram, Vinicius Junior disse que os racistas foram premiados com a expulsão dele e ironizou: “Não é futebol, é La Liga (liga de futebol da Espanha)”

O Valencia emitiu comunicado dizendo que embora se tratasse de um “episódio isolado”, não há lugar para insultos deste tipo no futebol. A nota também reitera que os fatos estão sendo investigados pelo clube.

Também houve comunicado da liga espanhola, que afirmou ter solicitado todas as imagens da partida para melhor investigar o ocorrido e que também está atenta a possíveis ofensas ao brasileiro do lado de fora do estádio Mestalla. Ainda na nota de La Liga, é dito que foram apresentadas denúncias de práticas racistas contra Vinicius Junior em outras nove ocasiões nos últimos dois anos.

Na entrevista coletiva após o jogo, o técnico do Real Madrid, o italiano Carlo Ancelotti, se mostrou revoltado e incrédulo com o acontecimento.

“Não quero falar de futebol, mas sim do que aconteceu aqui. Isto não pode ocorrer, um estádio inteiro gritando algo assim. Ele não queria continuar e eu acharia justo, porque é a vítima. Isto não pode acontecer”, opinou Ancelotti.

Pronunciamento

Após a partida, o jogador foi para o vestiário e não atendeu aos jornalistas. Nas redes sociais, Vinícius desabafou sobre o episódio deixando um recado aos espanhóis, afirmando como a Espanha é vista no Brasil e o que se tornou o Campeonato Espanhol:

“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”.

Em outra rede social, o jogador postou uma frase citando a própria expulsão e ironizou o slogan da La Liga, entidade organizadora do Campeonato Espanhol.

Atrás do placar, o Real Madrid buscava empate, até que no segundo tempo, aos 27 minutos, o brasileiro sofreu racismo e, irritado, discutiu com os torcedores. Ao identificar, o camisa 20 denunciou ao árbitro Ricardo De Burgos Bengoetxea, que nada fez. A partida ficou paralisada por um longo tempo, então os torcedores, em coro, em alto e bom som, passaram a proclamar insultos como ‘macaco’ ao torcedor.

A revolta por parte de jogadores e comissão técnica foi grande. O locutor do estádio pediu para que torcedores parassem de insultar o racismo para que a partida pudesse ser reiniciada.

Nos minutos finais, mais um problema. Enquanto a transmissão passava replay da finalização de Toni Kroos, o goleiro adversário Mamardashvili partiu para cima do jogador, iniciando confusão generalizada. Vinicius sofreu espécie de ‘mata-leão’ de Hugo Duro, foi empurrado e, ao reagir, foi expulso após análise do VAR. Nada aconteceu com os jogadores do Valencia.

Depois do término da partida, Ancelotti revelou que o jogador pediu para sair de campo, mas o treinador não quis deixar, alegando que o brasileiro não era o culpado, mas a vítima.

Em nota oficial, La Liga se pronunciou sobre o caso deste domingo e afirmou que pediu as imagens disponíveis para investigar o ocorrido.

Diante dos incidentes ocorridos durante Valencia x Real Madrid, no Estádio de Mestalla, LaLiga informa que já solicitou todas as imagens disponíveis para investigar o ocorrido. Uma vez concluída a investigação, em caso de detectar algum crime de ódio, LaLiga tomará as medidas cabíveis. LaLiga também investigará as imagens em que insultos racistas foram supostamente dirigidos a Vinicius Jr. fora do Estádio Mestalla. La Liga tem sido proativa diante de todos os incidentes racistas contra Vinicius Jr, jogador do Real Madrid CF. Assim, apresentou uma queixa nove vezes nas últimas 2 temporadas perante o Comitê de Competições da RFEF, Comissão Estadual contra a Violência, Racismo, Xenofobia e Intolerância no Esporte.’

As informações são da Agência Brasil, Lance e Globo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar