“Não podemos mais errar”

Em: 14 de junho de 2012
Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começou na manhã dessa quarta-feira (13), com uma sessão de abertura no Riocentro
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Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começou na manhã dessa quarta-feira (13), com uma sessão de abertura no Riocentro

Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, começou na manhã dessa quarta-feira (13), com uma sessão de abertura no Riocentro. Com isso, os países começam a negociar metas de desenvolvimento sustentável internacionais. O dia foi marcado por discursos inflamados das duas maiores autoridades na abertura – o secretário=geral da ONU para a Rio+20, o chinês Sha Zukang e Dilma Rousseff.
Durante a plenária, Sha Zukang, disse que as negociações estão na “fase do vai ou racha”, onde os diplomatas “não podem errar.”
“Precisamos acelerar drasticamente o ritmo, temos apenas três dias de negociações, são dias onde tudo ou vai ou racha, em que precisamos nos concentrar nas discussões-chave. Uma grande responsabilidade está sob nossos ombros, simplesmente não podemos errar”.
Já a presidente da República, Dilma Rousseff afirmou que o cuidado com o meio ambiente deve ser parte do desenvolvimento de um país e não deve mudar ao sabor das crises. “Nós não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fases de expansão econômica; pelo contrário, nós consideramos que um posicionamento pró crescer, incluir, preservar e conservar é parte intrínseca de uma concepção de desenvolvimento”, disse Dilma.
“Acreditamos que respeitar o meio ambiente significa também melhorar a produtividade do nosso solo, preservar as nossas riquezas naturais e significa um crescimento que é aquele que nós queremos”, declarou.
“Nós assistiremos nos próximos dias a discussão do futuro que queremos para nós, para nossos filhos e nossos netos”, afirmou, lembrando que o evento é parte de um processo que teve início na Rio+92.

O que é a Rio+20?

Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Mas o que de fato isso significa? É uma reunião da ONU com quase todos os países do mundo (mais de 190) para discutir como o mundo poderá crescer economicamente, tirar pessoas da pobreza e preservar o meio ambiente -tudo ao mesmo tempo. Para isso, são necessários novos meios que evitem as crises financeira e de empregos pela qual passamos atualmente.
Foram escolhidos dois temas centrais: a economia verde, com um novo modelo de produção que degrade menos o meio ambiente, e a governança internacional, que indicará estruturas para alcançar este futuro desejado.
Ela é chamada assim porque vai dizer o que queremos para o futuro da humanidade, mas também marca os 20 anos da Rio92 ou ECO92. Esta é uma conferência símbolo no mundo todo pois trouxe a discussão sobre ambiente para o dia a dia das pessoas. Reciclagem de lixo, preocupação com poluição e desmatamento da Amazônia, incentivo para a economia de água são algumas atitudes comuns hoje que tiveram grande projeção nesta época.
As negociações oficiais e os mais de mil eventos paralelos irão reunir governos, empresas, ONGs, acadêmicos e movimentos sociais para identificar soluções e metas para enfrentar os desafios globais urgentes, como a falta de acesso a energia e água potável, oceanos esgotados, insegurança alimentar, as crescentes desigualdades e cidades em rápida expansão. Eles também decidirão formas de impulsionar a sustentabilidade corporativa, criação de empregos verdes, avançar o papel da ciência e inovação, fechar lacunas tecnológicas, gerar o financiamento necessário e melhorar mecanismos de cooperação internacional.

Indústria se posiciona

A Fiesp e o Sistema Firjan apresentaram, nesta terça-feira, no evento Humanidade 2012, o posicionamento das indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre temas referentes à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), como energia, segurança alimentar e mudança de clima. O documento, que foi entregue na segunda-feira ao vice-presidente da República, Michel Temer, foi oficialmente encaminhado à delegação brasileira para as negociações oficiais da Rio+20. Presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira destacou que as indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro – que, juntas, representam 75% do PIB industrial do Brasil – se uniram para colaborar na discussão governamental sobre o meio-ambiente. “Queremos apresentar propostas e entrar na discussão do desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Dividido em temas como florestas, água e resíduos, o documento traz propostas como transferência de tecnologias brasileiras de produção de alimentos para países da África e a busca de soluções tecnológicas para a maior utilização de biocombustíveis em meios de transportes de carga.
Um dos principais pontos defendidos pela Firjan e pela Fiesp foi o aumento do uso de recursos hídricos para a geração de energia limpa, a exemplo do que é feito no Brasil. “Hoje, a energia gerada por hidrelétricas corresponde a cerca de 84% da matriz energética brasileira. Somos uma exemplo para o mundo nesse aspecto. Por isso, defendemos a hidroeletricidade como uma energia limpa a barata”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que aproveitou a oportunidade para defender uma redução da conta de luz para o consumidor final: “O custo de produção de nossa energia é muito baixo. Falta agora repassar isso à população. Mas isso é assunto para outro dia”.
Questionados sobre o possível impacto que a expansão do uso de hidrelétricas na região Norte poderá gerar no bioma local, Skaf e Vieira declararam que a postura de defesa da hidroeletricidade não muda. “Temos sempre que pensar em termos comparativos. A energia das hidrelétricas é a que menos polui. Além disso, enchentes já fazem parte das características da região. Um lago a mais, outro a menos, não vai fazer diferença”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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