As vendas para o Dia dos Namorados não surpreendem o comércio de Manaus. Uma primeira análise do movimento pelos representantes do setor aponta para um cenário pouco animador.
Menos consumidores nas ruas e gastos reduzidos fizeram as projeções oscilarem entre pequeno crescimento, estagnação e até reduções no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2011.
“O desempenho foi fraco e sem aquecimento, conforme o previsto. O que pudemos detectar até o momento, foi decepção por parte dos comerciantes. No centro houve o agravante das ruas alagadas e nos shoppings da cidade a cautela dos consumidores impediu o consumo mesmo com promoções”, explanou o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio.
Para ele, as vendas, além de não crescerem os 4% estimados, sofreram uma queda de aproximadamente 5%.
Mais otimista, o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, aposta em um pequeno acréscimo de 2,8%. Ainda assim, abaixo da projeção anterior.
Na mesma linha de otimismo moderado está a gerente do Plaza Shopping, Patrícia Teixeira, que acredita que a meta inicial de 20% no volume de vendas será alcançada.
Já a presidente da Alasc (Associação dos Lojistas do Amazonas Shopping), Mercedes Brás, diz que as compras aceleraram nos últimos cinco dias (entre o dia 8 e o di 12 de junho), mas que as vendas foram sobretudo de ‘lembrancinhas’. “Acreditamos que o maior volume tenha sido na venda de flores, chocolates, perfumes. Mas as lojas de confecção, responsável por boa parte do crescimento, em anos anteriores não registrou um bom desempenho este ano”, constatou.
Diante desse cenário, ela projetou um crescimento entre 5% e 6%, com alguns segmentos específicos, como as floriculturas, alcançando no máximo 10%.
Paralisia
A pesquisa de intenção de compras da Fecomércio-AM para a data já apontava já apontava para um menor interesse do consumidor em presentear.
Dos 400 entrevistados, 59,8% confirmaram intenção de compra para a data. No ano passado, esse percentual foi de 68,3% do total. Já os gastos médios com presentes com presentes foram de R$ 100, 50,73% a menos em relação a média de gastos previstos no ano passado que foi de R$ 203.
Aderson Frota diz que o possível mau desempenho do setor se baseia em três fatores principais. “O primeiro foi o feriado na quinta-feira passada, que esvaziou a cidade. O segundo foi a cautela do consumidor com as incertezas da economia e o seu alto grau de endividamento. O terceiro e último foi uma ausência de ofertas e de agressividade por parte dos comerciantes para atrair o público. Como as perspectivas não são boas na economia, eles parecem ter preferido não arriscar”, analisou.
Para ele, o comércio de forma geral está sofrendo uma paralisia do consumo. “Houve um período no Japão em que a preocupação com o endividamento era tão grande que os consumidores do país ‘deixaram’ de comprar. Talvez isto esteja acontecendo aqui, mesmo em um nível mais ameno. O brasileiro saiu de um período de oferta muito grande para uma forte inadimplência em um intervalo de apenas dois anos”, justificou
De qualquer forma, ele lembra que apenas com os índices oficiais de desempenho do setor – ainda não divulgados pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) – será possível fazer novas leituras.






