Natal sinaliza ser menos caro neste ano

Em: 26 de novembro de 2009
A alta das commodities agrícolas manteve os IGPs (Índices Gerais de Preço) novamente no terreno positivo, embora com variações reduzidas, diante do bom comportamento dos demais componentes dos índices
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A alta das commodities agrícolas manteve os IGPs (Índices Gerais de Preço) novamente no terreno positivo, embora com variações reduzidas, diante do bom comportamento dos demais componentes dos índices

A alta das commodities agrícolas manteve os IGPs (Índices Gerais de Preço) novamente no terreno positivo, embora com variações reduzidas, diante do bom comportamento dos demais componentes dos índices. Por outro lado, os IPCs (Índices de Preços ao Consumidor), no galope da pressão sazonal que antecede as festividades natalinas, voltaram a acelerar após o fim da deflação dos alimentos.
Apesar desse cenário de grandes possibilidades de alta nos preços de produtos e serviços, empresários e economistas garantem que o Natal manauense não será dos mais caros, como forma de garantir em curto prazo o consumo em cenário positivo. Em Manaus, como o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) já previa a partir da análise da oscilação nos preços da cesta básica, tudo leva a crer que itens como alimentação, educação, taxas/serviços e transporte irão literalmente ‘engolir’ grande parte do dinheiro (incluindo o 13º salário) do consumidor.
O economista-chefe do departamento econômico do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, disse que não espera quedas mais intensas nos preços dos alimentos no último bimestre do ano, visto que, com o aumento da procura por produtos, a taxa de inflação no setor deve subir. Ao Jornal do Commercio, o especialista avaliou que, no fim do ano, as despesas com o item alimentação em todas as famílias aumentaram devido ao consumo para a ceia natalina. “Por isso, os dois últimos meses do ano devem mostrar taxas bem similares às mostradas em iguais meses em 2008. Em novembro do ano passado, o índice subiu 0,38%; e em dezembro de 2008, avançou 0,57%”, explicou.

Proteção ao consumidor

Como contraponto aos números das duas instituições, o representante do Sinepe-AM (Sindicato das Escolas Particulares do Estado do Amazonas), Augusto Pantoja, garantiu que o preço do grupo Educação não vai compor custos no bolso neste primeiro momento, porque a grande maioria das escolas segurou o preço das mensalidades no último bimestre. “Além disso, pela lei de proteção ao consumidor, é preciso que o reajuste seja publicado 45 dias antes da matrícula do estudante, o que levou a maioria das escolas a esperar até fevereiro. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) deve ser relativizado e não servir como indicador de tendência para mercado consumidor”, asseverou.

Alimentos mais baratos puxam índices para baixo

Já o presidente da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, prefere acreditar que, beneficiada por alimentos mais baratos, a inflação sentida pelas famílias mais pobres, mensurada pelo IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1), deve encerrar 2009 no menor nível em três anos. O executivo concordou que a alimentação tem sido a base dos índices da inflação nas capitais, mas, por causa da crise, houve recuo na demanda doméstica no primeiro semestre de 2009, o que causou um cenário de procura menor do que oferta em vários setores, entre eles alimentação. “Isso deixou os alimentos mais baratos este ano, inclusive em Manaus, sendo que os produtos alimentícios respondem por 40% dos gastos mensais das famílias mais pobres. Este ano, houve boas safras de arroz e feijão o que melhorou a oferta e reduziu os preços destes itens, que representam 2% das despesas mensais das famílias com ganhos de até 2,5 salários mínimos”, esplicou.

Trigo e soja

Na análise do Banco Schahin, a apreciação do real ante o dólar ajudou a reduzir o preço de commodities agrícolas importantes, como trigo e soja. Isso conduziu a preços mais baratos em produtos derivados destas commodities como pão, macarrão e óleo de soja.

Demanda se encontra em recuperação

Para 2010, o economista Silvio Campos Neto disse ao Jornal do Commercio que estes mesmos fatores não devem se repetir, porque os preços dos alimentos devem experimentar quedas menos intensas, visto que a demanda no mercado doméstico se encontra em recuperação. O especialista comentou, porém, que isso pode ser compensado pela provável menor pressão de tarifas e preços administrados, no IPC-C1, no ano que vem. “Este ano, os Índices Gerais de Preços (IGPs), usados no cálculo de reajustes de várias tarifas públicas, devem encerrar este ano pela primeira vez na história em deflação, o que deve ajudar a puxar para baixo o patamar de reajustes dos preços administrados”, analizou Campos.
A análise do doutor em economia pela FGV (Fundação Getulio Vargas), Álvaro Smont, segue pela mesma linha de menor pressão no bolso do consumidor. Lembrando os indicadores econômicos do último fim de semana, o professor assegurou em nota ao Jornal do Commercio que o fato do IPA (Índice de Preço por Atacado) na indústria se manter próximo a zero –até com ligeiras deflações– é sinal relevante de que não há pressões em curto prazo nos preços aos consumidores, dada a grande correlação (com alguma defasagem temporal) existente entre os índices. “Este ano, os IGPs encerrarão com deflação pela primeira vez na história. O IGP-10 já acumula neste mês queda de 1,62%, enquanto o IGP-M (até a 2º prévia) tem variação negativa de 1,48%. Isto também terá influência benigna sobre os IPCs através de reajustes menores de preços atrelados aos IGPs, como aluguéis e tarifas de determinados serviços públicos.Ou seja, o amazonense terá o Natal menos caro dos últimos cinco anos”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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