Parece clara a tendência de desaceleração de crescimento adicional do emprego na indústria brasileira. De fato, os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram que, em agosto, a variação do número de ocupados na indústria, embora se mantendo na faixa positiva, regrediu bastante com relação ao padrão que vinha sendo obtido em meses anteriores. O aumento de apenas 0,1% em agosto com relação a julho, calculado a partir da série com ajuste sazonal, contrasta com as elevações de 0,4%, 0,5% e 0,3% registradas, respectivamente, em maio, junho e julho.
A causa desse arrefecimento está no menor ritmo do crescimento industrial ocorrido após a indústria ter experimentado um tão vertiginoso quanto passageiro aumento de sua produção no primeiro trimestre deste ano. Com se sabe, o emprego costuma reagir às variações na produção, porém com alguma defasagem. De qualquer modo, é importante destacar que, em agosto deste ano com relação ao mesmo mês de 2009, o emprego industrial foi 5,2% maior, uma marca expressiva, e a variação acumulada nos últimos 12 meses até agosto foi de 0,5%, o primeiro resultado positivo nessa base de comparação após dezesseis meses de recuos.
Há também outros fatores ligados ao mercado de trabalho da indústria que são positivos e também merecem destaque. Podem ser observados aumentos de emprego em regiões e em setores importantes para a economia brasileira, seja porque são grandes contratantes de mão de obra ou porque estão ligados a novos investimentos. Na comparação mensal com agosto de 2009, as variações mais significativas do emprego industrial ocorreram em São Paulo (3,8%), Região Nordeste (6,7%), Rio Grande do Sul (8,1%), Região Norte e Centro-Oeste (7,9%) e Minas Gerais (4,4%). Setorialmente, os destaques de maior significância foram: máquinas e equipamentos (12,7%), meios de transporte (9,5%), produtos de metal (9,0%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (9,8%), calçados e couro (8,0%) e metalurgia básica (12,9%).
Horas pagas
A expectativa é que o emprego mantenha sua trajetória de crescimento nos próximos meses, ainda que, possivelmente, com menor ímpeto. O aumento do número de horas pagas na indústria ajuda a nutrir tal expectativa. Em agosto com relação ao mês imediatamente anterior, o número de horas pagas voltou a crescer (0,8%), após cair 0,3% em julho. Frente a igual mês de 2009, verificou-se ampliação de 6,4% no número de horas pagas, o sétimo aumento consecutivo nessa comparação. Já as variações acumuladas no ano e nos últimos 12 meses até agosto foram de –4,2% e 1,2%, respectivamente.
Pessoal ocupado
Na passagem de julho para agosto na série livre de efeitos sazonais, o pessoal ocupado assalariado na indústria apresentou avanço de 0,1%, a oitava variação positiva consecutiva. Na relação mês/ mesmo mês de 2009, o emprego industrial assinalou acréscimo de 5,2%, o sétimo resultado positivo nesta comparação. Nos primeiros oito meses do ano, frente ao mesmo período do ano anterior, houve uma variação acumulada de 3,2%, contra taxa de –5,4% no mesmo período de 2009. A variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 0,5%, a primeira expansão após dezesseis meses de recuos.
Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), todas as 14 regiões contempladas pela pesquisa apresentaram acréscimo do pessoal ocupado na indústria. As variações mais significativas ficaram para São Paulo (3,8%), Região Nordeste (6,7%), Rio Grande do Sul (8,1%), Região Norte e Centro-Oeste (7,9%) e Minas Gerais (4,4%). Nos oito primeiros meses de 2010 quando confrontados ao mesmo período de 2009 todas as localidades apresentaram maior patamar de emprego industrial. Os maiores avanços foram verificados em São Paulo, com expansão de 2,7%, seguido da Região Nordeste (5,1%), Rio Grande do Sul (4,3%) e Região Norte e Centro-Oeste (4,4%).
Setorialmente, treze dos dezoito setores pesquisados aumentaram o contingente de trabalhadores na indústria contra igual mês do ano passado. Os destaques positivos de maior significância foram: máquinas e equipamentos (12,7%), meios de transporte (9,5%), produtos de metal (9,0%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (9,8%), calçados e couro (8,0%) e metalurgia básica (12,9%). Por outro lado, entre as atividades que apresentaram queda, o impacto negativo mais relevante sobre o total da indústria veio do setor de vestuário (–2,5%).







