Norte tem maiores médias de transações de Pix por usuário no país

Em: 17 de setembro de 2023

O Norte está entre as maiores as maiores médias de transações de Pix por usuário no país. São 21 transações por pessoa. No 1º semestre do ano, a região Norte movimentou R$23 milhões em transações. Individualmente, o Amazonas é o estado com a maior quantidade de Pix por usuário, com 26 operações. As informações fazem parte do relatório divulgado pelo BC (Banco Central). 

Para Cristiano Maschio, especialista em tecnologia de pagamentos e CEO da fintech Qesh, o Pix é um avanço em direção a uma economia mais digital e inclusiva, principalmente daqueles que estão fora do sistema financeiro tradicional. “A gratuidade e facilidade de pagamentos diários atraíram usuários em pouco tempo. No país há mais de 550 milhões de chaves cadastradas”, afirma

Ele ressaltou que o estado do Amazonas é um exemplo interessante de como a geografia pode influenciar a adoção de tecnologias financeiras, como o PIX. Com território vasto, mas com população relativamente pequena comparado a outros estados brasileiros, o Amazonas enfrenta desafios únicos quando se trata de serviços financeiros.

“Primeiramente, a baixa densidade populacional significa que as agências bancárias físicas podem estar mais distantes umas das outras. Isso cria uma necessidade maior de soluções de pagamento que não dependem de presença física. O Pix permite que os moradores locais realizem transações financeiras com facilidade, mesmo em áreas remotas, sem a necessidade de viajar longas distâncias para acessar uma agência bancária”. 

Além disso, a economia da região amazônica é diversificada, com atividades que vão desde a agropecuária até a produção de petróleo e gás. “Isso significa que há uma demanda variada por serviços financeiros, incluindo pagamentos informais e transações de negócios, todos atendidos pelo Pix de forma eficaz”, frisou.

A aceitação deste método de pagamento revela uma carência: a falta de agências bancárias na região. No Nordeste, segunda região com maior número de transações  com média de 19 por pessoa, apenas 40% das cidades têm bancos físicos atualmente, segundo o BC, que considera a média de operações entre novembro de 2020 e dezembro de 2022.

Desde a criação, em 2020, 144 milhões de pessoas já fizeram pelo menos um Pix. Atualmente, a maioria das operações acontece entre pessoas físicas, com valor médio de R$ 257. Em dezembro de 2022 foram realizadas 2,9 bilhões de operações, já o valor transacionado no período foi de R$ 1,2 trilhão.

Segundo Maschio, a modalidade é uma oportunidade tanto para consumidores como para empreendedores. “Para empresas, a adoção do meio de pagamento tem significado agilidade e redução de custos. O sistema possibilita transações comerciais mais rápidas, tornando o fluxo de caixa mais eficiente e proporcionando uma melhor experiência ao cliente”, destaca o especialista.

O especialista em finanças, Nahan Said, explicou que é possível observar que o Brasil está na vanguarda, quando comparado com outros países, em tecnologia eleitoral e agora está fazendo o mesmo no sistema financeiro, se tornando um modelo de inovação para o exterior, como exemplo o clássico sistema financeiro suíço e norte-americano. O Banco Central inclusive já está desenvolvendo o DREX, o projeto do real digital.

“Não é qualquer cliente que pode usar crédito. Muitos não possuem conta bancária e vários não possuem a análise de crédito aprovada. O Pix não possui taxas, sendo necessário somente o celular para seu uso e está disponível para todos, através das chaves que podem ser cadastradas. Também houve a revolução das fintechs, onde surgiram várias empresas que fornecem contas bancárias sem custos. Então foram várias situações que contribuíram para o PIX ser um sucesso e ultrapassar o débito e o crédito na utilização”.

Conforme o Nahan Said, o povo amazonense gosta de tecnologia e se envolve com as novidades. “O Pix é mais prático, mais rápido, gera menos dor de cabeça para os comerciantes com trocos e é mais seguro pois evita que os usuários andem com quantias vultosas”. 

“Tenho certeza que se houverem melhorias na infraestrutura de comunicação, levando mais qualidade para os interiores, esse número tenderá a crescer”, complementou. 

Norte tem maiores médias de transações de Pix por usuário no país - B1b
Cristiano Maschio é especialista em tecnologia de pagamentos e CEO da fintech Qesh

Outros números

Ter facilidade e acesso aos pagamentos por meio do celular nunca foi algo tão significativo como nos dias de hoje para os consumidores e empresas. O Pix está entre os principais sistemas de pagamentos, principalmente dentro dos pequenos negócios no Amazonas. É o que revelou a 3ª edição da pesquisa “Pulso dos Pequenos Negócios” realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Conforme os dados, 160 empreendedores no Amazonas nas categorias MEI (Microempreendedor Individual), ME (Microempresa) e EPP (Empresas de Pequeno Porte)  utilizam a modalidade como a principal forma de pagamento utilizada pelos clientes, correspondendo a 50% dos pequenos negócios.  

De acordo com os números, o percentual de empreendedores que oferecem o Pix no Amazonas ultrapassa a média nacional que é de 41%. Entre as outras formas de adoção de pagamento pelos pequenos, o dinheiro e o cartão de crédito, surgem como a segunda opção 14%, na sequência, aparecem o boleto 9% e cartão de débito 6%. No Estado, os pagamentos com Doc e Ted representam 6% e outras formas somam 4%.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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