Manaus ao tentar se preparar para receber os jogos como uma das subsedes da Copa do Mundo Fifa 2014 tem que começar pelo óbivio do esporte: um bom representante nos campeonatos nacionais.
Além disso, deve ter uma disputa regional organizada e motivadora das torcidas, empresários como patrocinadores e formação de bons jogadores.
Hoje sabemos que o futebol muito mais que disputa dentro de campo e fervor das torcidas nas arquibancada é atividade econômica das mais rentáveis do mundo.
A Fifa pós João Avelange colocou-se como uma das mais importantes empresas mundiais. Controla um orçamento bilionário que inclui patrocínio e direitos de televisão. Além de seu aval para campeonatos continentais e intercontinentais, tais como a Taça Libertadores da América, Copa da UEFA e o Mundial Interclubes.
Um reconhecido escritor britânico chamado Eric Hobsbawn disse em seus estudos sobre a geopolítica mundial que: “o futebol carrega o conflito essencial da globalização”. E disso percebemos sua acurada manifestação intelectual, pois sem dúvida o grande esporte possibilita a troca de informações de maneira mais rápida entre comunidades distintas e de forma não tão delicada, por vezes.
O jornalista Juca Kfoury em certo momento escreveu: “A globalização fez com que o mundo de futebol se conhecesse inteiramente, ao menos do ponto de vista tático do jogo. Ninguém surpreende mais ninguém. Ao mesmo tempo, a globalização permitiu aos países mais fortes tomarem daqueles periféricos os seus maiores talentos. Nós somos prova disso, assim como os argentinos. A concentração de capital na Europa e na Ásia permite a eles levarem os nossos talentos. Mas, paradoxalmente, esses talentos têm de provar a sua capacidade lá fora para servir às seleções nacionais. Acaba sendo um jogo dialético. Quer dizer, a chancela do nacional vem do globalizado, o que, de alguma maneira, permite retomar a ideia do Dostoievsky de que não há nada mais universal do que a esquina da sua casa.”
Fast de Itacoatiara
Por conta disso, creio que os jogadores do Fast Clube estão de parabéns pela vitória sobre o Fortaleza em jogo realizado quarta-feira aqui em Manaus. Mas, tudo ainda se deve ao improviso e muita disposição em querer fazer acontecer. Os dirigentes esforçam-se em levar a campo bons jogadores, com bons salários e boa preparação física. A vitória nos enche de orgulho. E isso é mais uma motivação para torcedores formarem fileiras para gritar o nome do time.
Pensemos que o empresariado amazonense e as indústrias do polo industrial pouco investem no esporte. Quando investem são migalhas trocadas por espaço nas camisas que ficam parecendo remendos de festa junina, e nem sabemos qual é na verdade a camisa do clube do qual se orgulham os torcedores.
Arsenal de Londres
O reverso da moeda, mas nem tanto assim, vem do jogo disputado no mesmo dia na cidade Londres, na Inglaterra, entre o glorioso Arsenal e o todo poderoso Barcelona da Espanha.
Indiscutível favorito para uma vitória tranquila sobre o conjunto dos armeiros londrinos, o Barcelona de estrelas mundiais saiu derrotado do gramado do Emirate Stadium.
Grandes investimentos, patrocínio do petróleo arábe e tradição levaram a peleja aos limites do que se poderia chamar de “futebol arte” em toda a sua gênese.
De virada, o time vermelho do Arsenal bateu o clube catalão nos quinze minutos finais. Foi uma luta de Davi contra Golias. Porém, desistir não é uma característica dos Gunners.
E assim deve ser a disputa do nosso futebol amazonense: a busca por patrocínio, por um local para treinar, por uma alimentação adequada aos atletas e por salários dignos. Por uma mídia favorável e incentivadora. Acho que assim como os clubes locais, Manaus também se reerguerá das cinza em que está, mas precisará ser uma nova geração de homens públicos a conduzi-la, não os velhos ex-prefeitos biônicos, e seu corroído sistema de administrar, e que estão nos gabinetes do poder até hoje.
Tudo será novo e melhor. Até a próxima semana.






