Notas & Oportunidades

Em: 18 de fevereiro de 2011
Manaus será vitoriosa
Manaus será vitoriosa

Manaus ao tentar se preparar para receber os jogos como uma das subsedes da Copa do Mundo Fifa 2014 tem que começar pelo óbivio do esporte: um bom representante nos campeonatos nacionais.
Além disso, deve ter uma disputa regional organizada e motivadora das torcidas, empresários como patrocinadores e formação de bons jogadores.
Hoje sabemos que o futebol muito mais que disputa dentro de campo e fervor das torcidas nas arquibancada é atividade econômica das mais rentáveis do mundo.
A Fifa pós João Avelange colocou-se como uma das mais importantes empresas mundiais. Controla um orçamento bilionário que inclui patrocínio e direitos de televisão. Além de seu aval para campeonatos continentais e intercontinentais, tais como a Taça Libertadores da América, Copa da UEFA e o Mundial Interclubes.
Um reconhecido escritor britânico chamado Eric Hobsbawn disse em seus estudos sobre a geopolítica mundial que: “o futebol carrega o conflito essencial da globalização”. E disso percebemos sua acurada manifestação intelectual, pois sem dúvida o grande esporte possibilita a troca de informações de maneira mais rápida entre comunidades distintas e de forma não tão delicada, por vezes.
O jornalista Juca Kfoury em certo momento escreveu: “A globalização fez com que o mundo de futebol se conhecesse inteiramente, ao menos do ponto de vista tático do jogo. Ninguém surpreende mais ninguém. Ao mesmo tempo, a globalização permitiu aos países mais fortes tomarem daqueles periféricos os seus maiores talentos. Nós somos prova disso, assim como os argentinos. A concentração de capital na Europa e na Ásia permite a eles levarem os nossos talentos. Mas, paradoxalmente, esses talentos têm de provar a sua capacidade lá fora para servir às seleções nacionais. Acaba sendo um jogo dialético. Quer dizer, a chancela do nacional vem do globalizado, o que, de alguma maneira, permite retomar a ideia do Dostoievsky de que não há nada mais universal do que a esquina da sua casa.”

Fast de Itacoatiara
Por conta disso, creio que os jogadores do Fast Clube estão de parabéns pela vitória sobre o Fortaleza em jogo realizado quarta-feira aqui em Manaus. Mas, tudo ainda se deve ao improviso e muita disposição em querer fazer acontecer. Os dirigentes esforçam-se em levar a campo bons jogadores, com bons salários e boa preparação física. A vitória nos enche de orgulho. E isso é mais uma motivação para torcedores formarem fileiras para gritar o nome do time.
Pensemos que o empresariado amazonense e as indústrias do polo industrial pouco investem no esporte. Quando investem são migalhas trocadas por espaço nas camisas que ficam parecendo remendos de festa junina, e nem sabemos qual é na verdade a camisa do clube do qual se orgulham os torcedores.
Arsenal de Londres
O reverso da moeda, mas nem tanto assim, vem do jogo disputado no mesmo dia na cidade Londres, na Inglaterra, entre o glorioso Arsenal e o todo poderoso Barcelona da Espanha.
Indiscutível favorito para uma vitória tranquila sobre o conjunto dos armeiros londrinos, o Barcelona de estrelas mundiais saiu derrotado do gramado do Emirate Stadium.
Grandes investimentos, patrocínio do petróleo arábe e tradição levaram a peleja aos limites do que se poderia chamar de “futebol arte” em toda a sua gênese.
De virada, o time vermelho do Arsenal bateu o clube catalão nos quinze minutos finais. Foi uma luta de Davi contra Golias. Porém, desistir não é uma característica dos Gunners.
E assim deve ser a disputa do nosso futebol amazonense: a busca por patrocínio, por um local para treinar, por uma alimentação adequada aos atletas e por salários dignos. Por uma mídia favorável e incentivadora. Acho que assim como os clubes locais, Manaus também se reerguerá das cinza em que está, mas precisará ser uma nova geração de homens públicos a conduzi-la, não os velhos ex-prefeitos biônicos, e seu corroído sistema de administrar, e que estão nos gabinetes do poder até hoje.
Tudo será novo e melhor. Até a próxima semana.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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