Após o anúncio da mudança na política de preços da Petrobras, empresários do setor reagem e citam que a medida não é positiva para o segmento. A reação dos empresários é de preocupação por entenderem que o Brasil seja autossuficiente em petróleo, mas não dá conta em derivados como diesel e gasolina o que pode comprometer a distribuição do combustível no Estado causando desabastecimento.
“As medidas novas da Petrobras em relação ao preço são muito boas,contudo o país não é autossuficiente de diesel e gasolina, com isso nós vamos ter que importar essa diferença de quase 20%. A preocupação é não faltar produto. Não adianta ter só preço baixo, se faltar produto é um problema sério, principalmente quando nós estamos fazendo uma diferença grande do preço internacional para o preço do combustível brasileiro. Se isso acontecer, a preocupação é mais na falta do que na baixa do preço”, afirmou o empresário do segmento Ralph Assayag.
A mudança de preço no parâmetro da Petrobras também não agrada um empresário do segmento que preferiu não se identificar à reportagem. Mas declara que se voltar a ser o mesmo adotado na política Dilma Rousseff, vai ficar complicado para o mercado. “Ao mesmo tempo, a redução no valor do produto aqui no Amazonas não significa efeitos a nosso favor, pois a nossa refinaria é privatizada”, disse ele ao comentar que falar sobre combustível é sempre complicado.
A medida é desastrosa e sem o devido estudo técnico, segundo Marcus Evangelista, presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia) .Pois boa parte do nosso combustível é importado. “É uma decisão que lá na frente vamos ter um resultado talvez não muito benéfico. Chegando até o perigo de desabastecimento, pois o produto não é nacional e vai aumentar na hora de fazer a importação vai se deparar com um preço que vai ser impraticável.“Se não somos autossuficientes, como não querer seguir o mercado internacional ?”. Isso deve ser revisto com a máxima urgência pois corremos risco de faltar produto no futuro”, avaliou.
Vale lembrar que no Amazonas, constitui-se o monopólio privado regional, no qual a Ream (Refinaria da Amazônia) pratica os preços de combustíveis entre os mais caros das capitais do país. Um levantamento realizado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) aponta que o Amazonas é o estado com o preço dos combustíveis mais caros do Brasil, desde a saída da Petrobras, em novembro de 2022.
Como salientou o coordenador do Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros do Amazonas, o Sindipetro), Marcus Ribeiro, reforçou que, infelizmente, a única refinaria da região foi privatizada e que a Petrobras não influencia mais em nada sobre os combustíveis que circulam no Estado e na região. “Hoje, quem determina o preço dos combustíveis é um grupo privado que comprou a nossa refinaria. Essa notícia que alegra a ampla maioria do povo brasileiro , pode ser que não venha alegrar o povo amazonense e da região Norte”, lembrou.
Na outra direção
Para o presidente do Sindicombustíveis-AM, Eraldo Teles, a região amazônica tem suprimentos de combustíveis de diferentes fontes: Petrobras, refinarias privatizadas e importação direta, “é improvável o desabastecimento por conta da nova política de preços da Petrobrás”.
“A atualização dos preços dos produtos variam de acordo com a origem do produto, fazendo com que convivamos com diferentes custos que variam em momentos diferentes pelas regras do mercado. Vale ressaltar que o Sindicato como entidade de classe não trata de preços, sendo o mesmo tratado entre distribuidoras e os CNPJs que comercializam o combustível”, explicou.
Por sua vez, o presidente do Sinpospetro (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo), Adonay Gomes, enfatizou que não há motivo para um possível desabastecimento. “A nova política de preços da Petrobras é no mercado e preços internacionais e, eu acho que já estava na hora de mudar esta política de compra e venda. A estatal tem condições suficientes de abastecer o mercado interno, o que acontece é que não houve investimento para levar a produção da reserva aos centros urbanos, como é o caso do projeto de Urucu. Hoje a empresa está devolvendo o gás pelo solo, perfurando os quatro cantos da nossa cidade para a distribuição do produto. Até hoje não aconteceu, hoje compramos o gás que poderia ser mais barato”, comentou.
Nota
Por meio de nota, a Ream informou que aplica sua política de preços tem critérios objetivos e transparentes que seguem o preço de paridade internacional, que hoje melhor reflete os custos de produção da refinaria, ajustados e divulgados aos distribuidores semanalmente, conforme variações dos preços do petróleo e seus derivados no mercado internacional. Entre março e esta quarta-feira (17), foram oito reduções no preço da gasolina e nove do óleo diesel vendido às distribuidoras pela Ream.. Finaliza dizendo que a nova política de preço da estatal em nada interfere na composição de preços da refinaria.
Governo Federal
Em material enviado pela secretaria de comunicação do governo federal, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, explicou que a redução leva em conta os interesses de todos os brasileiros. “Os brasileiros vão poder comemorar todos os motoristas de Uber, todos os taxistas e, principalmente, caminhoneiros, em saber que não teremos volatilidade como o PPI impunha a cada hora, muitas vezes, tirando a previsibilidade e até a sobrevivência dos caminhoneiros que cobrava seus fretes referenciados no preço do combustível”.
Já o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, destacou que o mercado internacional continuará como referência nos preços e que o Brasil não irá se afastar do cenário mundial, mas fará valer sua condição de um país que tem estrutura para o refino de combustíveis. “Esse modelo maximiza a incorporação de vantagens competitivas, portanto nós vamos usar as vantagens que a Petrobras tem a nosso favor e a favor do país, sem se afastar absolutamente da referência internacional dos preços.”
A Petrobras destacou que o valor cobrado ao consumidor final nos postos dependerá também de fatores como impostos, mistura de biocombustíveis e margens de lucro na revenda. O ministro Alexandre Silveira destacou que o governo vinha trabalhando para que as empresas petroleiras tivessem uma referência interna no preço do produto. “O PPI era uma abstração, era uma mentira, e era um crime contra o povo brasileiro porque impunha uma algema, mordaça a uma política de competitividade interna dos preços dos combustíveis do Brasil, fazendo com que muitas vezes as oscilações fossem muito acima daquilo que seria possível para poder contribuir para o crescimento nacional”.







