Novas condições de financiamento

Em: 17 de julho de 2014
Presidente Dilma destaca mudanças na capacidade de investimento dos países emergentes
Presidente Dilma destaca mudanças na capacidade de investimento dos países emergentes

A presidente Dilma Rousseff avaliou nesta quarta-feira (16), como “completamente satisfatório” o acordo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para criação do Novo Banco de Desenvolvimento. “Cinco países criam um banco, fazem um acordo contingente de reservas, um banco com capital subscrito e bem significativo com partes iguais para todos e com a governança compartilhada. Isso muda as condições de financiamento desses cinco países, que são os Brics”, afirmou a presidente ao final do encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no Palácio da Alvorada.
O capital inicial do banco dos Brics será de US$ 50 bilhões. Além disso, lembrou a presidente, há um Acordo Contingente de Reserva (CRA) de US$ 100 bilhões. Para Dilma, é preciso olhar “com uma perspectiva mais séria e de médio e longo prazo” para esse acordo.
“Acho que é extremamente relevante para esses cinco países, extremamente relevante, muda as condições tanto de financiamento quanto cria uma rede de proteção. Nós propusemos o acordo contingente de reservas e a Índia propôs o Banco, o novo Banco dos Brics”, afirmou a presidente, lembrando que, pouco mais de dois anos da proposta de criação da instituição, ela é realizada. “É um processo complexo, não é algo trivial, e eu acredito que isso signifique bastante para o cenário multilateral internacional. É muito importante que isso ocorra”, completou.
Questionada sobre o fato de o Brasil ter cedido a presidência do banco para a Índia, Dilma respondeu: “O Brasil não cedeu a presidência porque não tinha, não era dono (do banco)”. Ela explicou que o banco será gerido por um conselho de administração que será presidido pelo Brasil. A sede do banco ficará em Xangai, na China, mas serão instalados escritórios nos dois continentes, tanto na África quanto na América Latina, no Brasil, segundo a presidente. “Isso significará uma forma de gerir o banco que vai ser a mesma forma que os Brics têm”, disse Dilma, lembrando que dentro do grupo há uma alternância na direção da cúpula.
“Temos essa forma rotativa de gestão, porque, entre nós cinco, optamos sempre por um padrão igualitário, padrão em que todos os países têm o direito de assumir a direção. É absolutamente, eu diria assim, inadequado avaliar o resultado dessa cúpula assim. Cada país tem o seu papel e vai tendo nas outras esferas sistematicamente”, afirmou.

FMI
A presidente Dilma Rousseff disse que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul não estão abrindo mão da presença em outras instituições multilaterais após a criação do Banco dos Brics. “Me perguntaram ontem (na cúpula dos Brics, em Fortaleza) se (isso) significaria por acaso abertura, que nós estávamos abrindo mão de nossa presença em outras instituições multilaterais. De maneira alguma. Um dos pontos da pauta de ontem foi o problema da reforma acertada no G20 das instituições financeiras multilaterais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo”, disse Dilma.
“Na distribuição de cotas do FMI, não tem refletido o poder, a correlação de forças econômicas dos países que integram o G20, que são as 20 maiores economias do mundo. O que nós reivindicamos é que haja aquilo que foi acertado quando da criação do G20 e toda a reação diante da crise de 2007/2008 foi acertado que haveria essa adequação. A representação econômica dos países seria refletida no acordo de cotas”, afirmou a presidente.
Segundo Dilma, os Brics não têm “o menor interesse” em abrir mão do FMI. “Pelo contrário. Temos interesse em democratizá-lo e torná-lo mais representativo. O novo banco dos Brics não é contra, ele é a favor de nós. É diferente. É uma postura completamente diferente. E terá sempre uma postura diferenciada em relação aos países em desenvolvimento”, comentou Dilma.
A presidente afirmou ainda que a criação do novo banco não cria uma possível independência do Brasil em relação ao FMI porque, na sua avaliação, o Brasil não é dependente do FMI. “Eu não diria isso (que a criação do novo banco cria independência em relação ao FMI), porque não sou dependente do FMI. Nós nunca mais dependemos do FMI. A nossa relação com o FMI passou de relação devedora para credora”, disse Dilma.
Dilma disse também, sobre a concessão de empréstimos, que a futura instituição vai olhar com “generosidade” os pedidos (de outros países), mas se guiar por padrões de “boa gestão”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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