O aumento da renda do brasileiro é responsável pelo ingresso de mais pessoas nas classes A e B, um público consumidor que está atento a novidades e faz do relativamente caro algo básico. Dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas) apontam que neste ano, 31 milhões de pessoas no país ascendam a estas classes, um aumento de 50% em relação ao ano passado. O poder de compra deste público, que tem renda mensal superior a R$ 6.941, se reflete nas vendas de carros, barcos, imóveis, tecnologia e móveis ‘premium’.
Os dados da FGV confirmam a tendência brasileira de que em 2014, o ano será das classes A e B, explica o CEO da PetiteBox e especialista em comportamento do consumidor, Felipe Wasserman. “Pela primeira vez o público da classe C deixa de ser a principal alavanca do mercado. A queda da classe C foi causada pelo endividamento, pois muito foi capitalizado em seus melhores dias e as dívidas acumularam”, disse o especialista.
Exclusividade
O consumidor de produtos de luxo passa por poucas crises o que justifica esse novo olhar do mercado, e dar a este consumidor a noção de exclusividade tem sido um dos desafios do comércio. Para o público ‘AA’ isso é ainda mais evidente. “É um mercado pequeno proporcionalmente, mas que tem grande visibilidade. Ver uma Ferrari nas ruas é equivalente a ver mil carros populares,” conta Wasserman.
Para as pequenas empresas conquistarem este consumidor, a dica é trabalhar como as grandes e exclusivas, usando a tática da escassez, poucos exemplares causam um consumo mais rápido. Usar a marca e seus simbolismos também é apontado como chance de sucesso. “Grandes marcas têm o logotipo facilmente visto de longe e apostar nisso pode dar certo. Mas sempre lembrando de que o vip quer ser exclusivo. Usar uma boa marca e encontrar mais pessoas com a mesma tira um pouco do prazer deste consumidor”, disse o especialista.
Marcas famosas
Para o especialista, a chegada de marcas famosas ao Brasil é uma via de mão dupla, as marcas enxergaram um nicho e este consumidor ansiava por ter estas marcas à mão. Em Manaus, o maior exemplo é o de carros de luxo, que acompanhou o crescimento nacional do segmento. Um fato interessante é de que, mesmo entre os ‘premium’, existem populares e os seminovos têm grande representatividade no volume de negócios fechados.
“Para um público de altíssimo poder aquisitivo, o luxo pode ser básico. Existem segmentos dentro de segmentos. O que é ‘premium’ em uma região, é algo comum em outras. Em algumas regiões existem ruas exclusivas de artigos de luxo, em outras não. Assim acontece com os carros”, explica Wasserman.
O mercado de itens de luxo utiliza da vontade de inclusão das classes mais baixas, para vender mais. O que explica a abertura de lojas de luxo em algumas regiões. “Comprar em uma loja de luxo dá a impressão de fazer parte desse universo. As pessoas entram em uma loja da Apple e compram um fone de ouvido, não um iPhone, mas se sentem incluídas e querem ter o mesmo atendimento e estar no mesmo ambiente”, resume Wasserman.






